Um ex-funcionário do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido na apuração como o “Careca do INSS”, relatou ao Noticioso360 ter ouvido o empresário mencionar suposta proximidade com Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha) durante negociações com fornecedores e prestadores de serviço.
Segundo a fonte, as referências ao nome de Lulinha teriam sido usadas como estratégia para angariar confiança e facilitar contatos iniciais. A declaração foi detalhada à reportagem, que obteve trechos do depoimento e ouviu outras três pessoas que trabalharam com Antunes.
De acordo com a curadoria da redação do Noticioso360, cruzamos informações públicas e reportagens anteriores — entre elas apurações do G1 e da Folha de S.Paulo — para tentar confirmar o relato. Até o momento, não há documentação pública que comprove vínculo comercial direto entre Fábio Luís e Antonio Carlos Camilo Antunes.
O relato do ex-funcionário
O ex-funcionário descreveu episódios em que Antunes, ao negociar a prestação de serviços para clientes ligados a órgãos previdenciários, mencionava que tinha contatos ou relacionamento com empresários influentes, incluindo a referência ao nome de Lulinha.
“Ele falava que conhecia gente importante e que isso ajudaria a abrir portas”, afirmou a fonte, em depoimento ao qual o Noticioso360 teve acesso. Em alguns casos, segundo a mesma pessoa, a menção facilitou o primeiro contato entre fornecedores e potenciais clientes.
O que a apuração encontrou
O trabalho editorial buscou documentos que pudessem comprovar qualquer relação formal: contratos, e-mails, registros fiscais ou movimentações bancárias que ligassem Antunes a empresas do entorno de Fábio Luís. Não foram localizados elementos que corroborem a alegação.
Além disso, autoridades e advogados consultados pela reportagem lembraram que menções verbais isoladas não constituem prova de vínculo comercial. Para estabelecer uma conexão formal é necessário apresentar documentação que ateste transações, contratos ou mensagens trocadas entre as partes.
Contexto de investigações anteriores
Veículos como G1 e Folha de S.Paulo já mapearam operações envolvendo intermediários que atuavam junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Essas reportagens descrevem apreensões, indícios de intermediação indevida e promessas de facilidades na concessão de benefícios.
Esse histórico contextualiza a possível prática de mencionar contatos como forma de ampliar credibilidade em negociações. Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que o uso de nomes de pessoas influentes é uma tática recorrente em ambientes de intermediação informal.
Defesa e tentativas de contato
O Noticioso360 procurou a defesa de Antonio Carlos Camilo Antunes para comentar as declarações. Em nota, a defesa negou irregularidades e afirmou que não existe relação comercial entre Antunes e Fábio Luís Lula da Silva.
A reportagem também tentou contato com representantes de Fábio Luís; até a publicação desta matéria não houve manifestação oficial.
Limitações da apuração
Há uma lacuna evidente entre a alegação verbal e a comprovação documental. As fontes ouvidas confirmam que o recurso de citar nomes pode ter facilitado o primeiro contato, mas não apresentaram contratos ou registros que validem vínculo formal.
O Noticioso360 preservou o anonimato das fontes quando solicitado e evitou reprodução textual excessiva do depoimento. Todos os esforços foram feitos para checar informações em bases públicas e em reportagens pré-existentes.
Aspectos legais
Especialistas consultados ressaltam que, juridicamente, menções não documentadas não configuram prova de favorecimento ou conluio. Investigações formais dependem de diligências como quebras de sigilo bancário, interceptações autorizadas pela Justiça e análise de contratos e notas fiscais.
O que falta para confirmar a alegação
Para transformar a afirmação em prova seria necessário obter:
- Contratos ou aditivos com assinaturas que vinculem Antunes a empresas ligadas a Fábio Luís;
- Comprovantes de pagamento, notas fiscais ou registros bancários que demonstrem transações entre as partes;
- Comunicações eletrônicas (e-mails, mensagens) ou gravações que façam referência direta à negociação mediada por Antunes envolvendo empresas do filho do presidente.
Sem esses elementos, a referência a Lulinha segue como alegação não comprovada, segundo a apuração.
Recomendações da reportagem
A redação recomenda aprofundar a investigação seguindo as pistas indicadas pela fonte: solicitar informações financeiras por meio de medidas judiciais, rastrear contratos e ouvir formalmente as partes envolvidas. Essas diligências podem confirmar ou descartar definitivamente a existência de conexão formal.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
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Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fontes
Analistas apontam que o desdobramento das apurações pode redefinir debates sobre intermediários que atuam junto a órgãos públicos nos próximos meses.



