O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou, em 30 de março de 2026, o afastamento temporário do desembargador Alexandre Victor de Carvalho, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), por supostas condutas que teriam favorecido o Grupo 123milhas em um procedimento judicial em andamento.
A decisão foi publicada em nota administrativa do CNJ e, segundo a corte, tem caráter cautelar: a medida busca resguardar a imparcialidade do processo enquanto as apurações administrativas seguem em curso.
Contexto e motivos da medida
Conforme o teor da notificação, há indícios de atos de tramitação e interlocuções internas que podem ter acelerado decisões ou orientado despachos em favor da empresa do setor de turismo. Fontes internas consultadas pela reportagem apontam para anotações e movimentações administrativas que motivaram a abertura da apuração pelo CNJ.
Segundo análise da redação do Noticioso360, baseada em documentos oficiais e em entrevistas com interlocutores do Judiciário, a ação do CNJ segue protocolo para casos em que há possibilidade de comprometimento da confiança no julgamento.
Histórico: afastamento anterior e possíveis padrões
Registros internos do TJMG consultados pela equipe revelam que Alexandre Victor de Carvalho já havia sido afastado em dezembro de 2024, por 60 dias, em razão de denúncias relativas à negociação de nomeações de familiares para cargos no tribunal.
Na comparação entre os episódios, a curadoria do Noticioso360 buscou identificar padrões de conduta e repetição de procedimentos que possam explicar a adoção de medidas cautelares sucessivas.
Especialistas em ética judicial consultados frisam que a recorrência de afastamentos, ainda que preventivos, tende a agravar a análise do órgão disciplinar, justamente por aumentar suspeitas sobre a conduta do magistrado.
Posição da defesa e do TJMG
A defesa de Alexandre Victor de Carvalho, contactada por telefone e e-mail, negou irregularidades e afirmou que decisões administrativas do CNJ se baseiam em interpretações equivocadas de atos internos. Em nota, os advogados disseram que o desembargador colaborará integralmente com as investigações e pretende esclarecer os fatos no momento oportuno.
O TJMG informou, por meio de sua assessoria, que está à disposição para prestar informações ao CNJ e que respeita os trâmites administrativos previstos. O tribunal também afirmou que muitos documentos do processo tramitam em ambiente fechado por regras de sigilo, o que limita o acesso público a peças completas do procedimento.
O papel da 123milhas na apuração
O Grupo 123milhas, alvo indireto das apurações, é uma empresa do setor de turismo que comercializa passagens aéreas e pacotes. Consultas a bases públicas e reportagens anteriores mostram que a companhia já enfrentou controvérsias e questionamentos contratuais, mas, até o momento, não há comprovação pública de que atos do magistrado tenham resultado em vantagem concreta e quantificável à empresa.
Fontes judiciais, sob condição de anonimato, descreveram ao Noticioso360 movimentações administrativas e interlocuções que teriam acelerado etapas processuais, mas ressaltaram a falta de documentos públicos que comprovem, de forma definitiva, favorecimento.
Processo administrativo e limites da investigação
O afastamento é uma medida cautelar prevista no ordenamento disciplinar para preservar a lisura das apurações. Ele não equivale a condenação. O CNJ poderá, conforme a evolução das investigações, determinar novas medidas, arquivar o procedimento ou encaminhar eventuais infrações ao ramo disciplinar adequado.
Segundo interlocutores, muitas peças do caso tramitam em sigilo por determinação legal, o que reduz a transparência imediata e limita a divulgação de despachos internos e provas documentais.
O que as apurações buscam esclarecer
- Se houve aceleração indevida de atos processuais em benefício da empresa;
- Se comunicações internas e interlocuções configuraram favorecimento;
- Se há vínculo direto entre decisões do magistrado e vantagem econômica à 123milhas.
Enquanto não houver conclusão, as autoridades mantêm a investigação administrativa e a tensão entre o caráter preventivo da medida e o impacto reputacional para o magistrado permanece.
Curadoria e método da apuração
A apuração do Noticioso360 compilou documentos públicos, arquivos internos obtidos via fontes e entrevistas com agentes do Judiciário e especialistas em ética judicial. A redação procurou separar, sempre que possível, o que consta em documentos oficiais das alegações de parte.
Em razão do sigilo que envolve trechos do processo, foram protocolados pedidos formais de acesso a documentos no CNJ e no TJMG. A reportagem aguarda retorno institucional para eventuais atualizações.
Impacto institucional e repercussões
Medidas cautelares desse tipo costumam gerar debate público e jurídico. Para alguns observadores, o afastamento preserva a confiança nas instituições. Para outros, pode representar antecipação de juízo antes da conclusão das apurações.
Analistas apontam que o caso pode ter desdobramentos em procedimentos disciplinares no TJMG e, dependendo das evidências, encaminhamentos ao Ministério Público para apurações criminais ou civis.
Próximos passos e acompanhamento
O CNJ continuará a tramitar o procedimento administrativo. O Noticioso360 recomenda acompanhar:
- Publicações oficiais do CNJ sobre o caso;
- Comunicações formais do TJMG e da defesa do magistrado;
- Eventuais manifestações ou medidas da 123milhas.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas e documentos oficiais.
Fontes
- Conselho Nacional de Justiça (CNJ) — 2026-03-30
- Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) — 2024-12-15
- Noticioso360 — 2026-03-30
Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário institucional nos próximos meses.
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