Senador Carlos Viana pede ao STF reversão de liminar que impediu Vorcaro de depor.

CPMI: Viana recorre ao STF contra decisão sobre Vorcaro

Carlos Viana recorre ao STF para anular decisão de André Mendonça que barrou Vorcaro de viajar em avião privado para depor na CPMI do INSS.

Presidente da CPMI questiona liminar do ministro

O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga práticas no INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), protocolou recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão do ministro André Mendonça que impediu o executivo Daniel Vorcaro de viajar em aeronave particular para prestar depoimento em Brasília.

Segundo a peça apresentada ao STF, Viana sustenta que a convocação de Vorcaro é essencial para esclarecer procedimentos administrativos e eventuais irregularidades na gestão e prestação dos serviços do INSS. A defesa da presidência da CPMI afirma que a vedação ao deslocamento em avião privado configura interferência indevida nas atividades da comissão parlamentar.

De acordo com a apuração do Noticioso360, que cruzou ofícios institucionais e boletins do gabinete, o recurso pede que o tribunal esclareça os fundamentos da liminar e autorize, ainda que com condições, a presença de Vorcaro na comissão. A solicitação pontua a necessidade de fixar regras — como escolta, horário e local controlados — caso o STF entenda por permitir o deslocamento.

Contexto do impasse

A ordem de Mendonça, citada no despacho inicial, proibiu expressamente o deslocamento de Vorcaro em avião privado rumo a Brasília para o depoimento. O teor do despacho mencionou preocupações com a segurança do ato e riscos processuais, sem detalhar publicamente os motivos que embasaram a medida. À época, a decisão suscitou reações imediatas no Congresso.

Por outro lado, parlamentares da CPMI sustentam que a presença presencial de testemunhas-chave é imprescindível para o aprofundamento das investigações. Em nota, o gabinete de Viana afirmou que medidas regimentais já vinham sendo adotadas para garantir a produção de provas e a coleta de depoimentos presenciais, considerados mais eficientes para o esclarecimento de pontos técnicos.

Disputa institucional e pontos centrais

O embate reúne ao menos duas frentes. A primeira é a prerrogativa do Congresso de convocar pessoas consideradas relevantes para a investigação parlamentar. A segunda, o papel do Judiciário em impor cautelas que visem resguardar processos e evitar riscos à ordem pública ou ao andamento de outros procedimentos judiciais.

Especialistas em direito administrativo ouvidos informalmente pela reportagem ressaltam que decisões semelhantes costumam equilibrar a liberdade de locomoção do convocado, prerrogativas das autoridades e a garantia da regularidade investigativa. A ausência de detalhamento público sobre os fundamentos da liminar alimenta a controvérsia política e jurídica.

Consequências práticas e movimentações da CPMI

Fontes institucionais consultadas informaram ao Noticioso360 que, enquanto o recurso tramita, membros da CPMI articulam cenários alternativos. Entre as opções estão a realização do depoimento em sessão reservada, definição de novas datas condicionadas à decisão do STF ou mesmo pedidos de condução coercitiva, caso a comissão entenda tratar-se de obstrução ao trabalho investigativo.

Parlamentares afirmam que a comissão prefere evitar medidas extremas, mas não descartam o uso de instrumentos regimentais para viabilizar o comparecimento de testemunhas consideradas estratégicas. A estratégia, segundo interlocutores, é manter a pressão política ao mesmo tempo em que se busca uma solução que evite confronto direto com o Supremo.

O conteúdo do recurso

Conforme cópia obtida pela redação, o recurso protocolado por Viana requer três providências: esclarecimento dos fundamentos da liminar, autorização condicionada para deslocamento em aeronave privada com regras específicas e agendamento do depoimento em data a ser definida pela CPMI. A peça argumenta que a vedação imposta fere o princípio da ampla investigação parlamentar.

O documento também sugere alternativas práticas, como a realização do depoimento em instalações do próprio STF, em local acordado entre as partes, ou a fixação de condições de segurança e fiscalização que possam mitigar eventuais riscos. Não há, até o momento, manifestação pública do ministro André Mendonça além do despacho que motivou o recurso.

Repercussão política

No ambiente político, a controvérsia já provoca reações. Membros da oposição criticam a decisão do ministro, classificada por alguns como um entrave à investigação. Aliados do governo defendem a cautela adotada pelo Judiciário, citando a necessidade de avaliar riscos processuais e a integridade de procedimentos correlatos.

Analistas ouvidos pela reportagem destacam que a disputa pode refletir um nível mais amplo de tensão entre poderes: o Legislativo busca ampliar o controle sobre temas sensíveis da administração pública, enquanto o Judiciário atua com medidas cautelares que, em alguns casos, limitam o alcance de convocações parlamentares.

Próximos passos e cenários

Com o recurso em andamento no STF, duas hipóteses ganham força. A primeira é que o tribunal mantenha a liminar, exigindo que o depoimento siga em condições restritas ou em ambiente judicial. A segunda é que o STF flexibilize a proibição mediante regras específicas, permitindo o comparecimento de Vorcaro sob supervisão e com garantias estabelecidas.

Para a CPMI, a decisão terá impacto direto no calendário de depoimentos e na estratégia de coleta de provas. Caso a liminar seja mantida, a comissão pode intensificar a articulação política e protocolar novos instrumentos para compelir testemunhas. Se a liminar for reformada, a comissão deverá definir data e logística para o depoimento, observando eventuais condicionantes impostas pelo tribunal.

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes institucionais e documentos oficiais.

Fontes

Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.

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