Proteção retirada sem aviso prévio
A Mesa da Câmara interrompeu a escolta que vinha garantindo a segurança da deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ), segundo relatos do gabinete da parlamentar. A retirada ocorreu sem comunicação formal, segundo a equipe da deputada, e acontece em meio a um contexto de ameaças de morte que vinham sendo investigadas.
De acordo com apuração da redação do Noticioso360, que cruzou informações de veículos como G1 e Folha de S.Paulo, a suspensão da escolta foi tomada sem aviso prévio e é interpretada pela bancada do PSOL como uma medida de caráter retaliatório, atribuída ao deputado Hugo Motta.
O que se sabe até agora
Fontes próximas à deputada relatam que agentes da polícia legislativa prestavam a escolta desde que relatórios de ameaça apontaram risco à integridade física de Talíria. A equipe afirma não ter recebido comunicação formal antes da retirada dos agentes.
Por outro lado, a assessoria da Câmara não havia se manifestado até o fechamento desta apuração, o que deixa lacunas sobre a motivação administrativa. Sem posicionamento público, não foi possível confirmar se a mudança decorreu de uma nova avaliação de risco, de um pedido da própria parlamentar ou de decisão administrativa sem consulta.
Versões em disputa
O PSOL classificou a medida como represália atribuída ao deputado Hugo Motta, sem, porém, apresentar documento público que comprove o vínculo direto entre a decisão e qualquer ação política do parlamentar citado. A legenda informou que acompanhará o caso e buscará esclarecimentos formais junto à Mesa da Câmara.
Assessores e especialistas ouvidos pela reportagem destacam duas linhas de leitura: uma política — que vê a retirada como ato de retaliação — e outra institucional — que aponta para um problema de comunicação e de procedimentos internos na Secretaria de Segurança da Casa. Ambas demandam verificação documental.
Documentos e procedimentos que precisam ser verificados
Para esclarecer a sequência dos fatos, a apuração aponta a necessidade de acesso a registros administrativos: ordens de serviço, comunicados internos, pareceres de avaliação de risco e trocas de e-mail ou ofícios entre a Polícia Legislativa e a Secretaria de Segurança da Câmara.
Especialistas em segurança parlamentar consultados afirmam que a manutenção ou descontinuação de escolta envolve protocolos formais, incluindo atualização de laudos de risco e autorização expressa da Mesa. A ausência desses registros públicos prejudica a transparência do processo.
Riscos práticos e implicações jurídicas
Na prática, a suspensão da escolta aumenta a exposição da deputada a riscos que seus assessores qualificam como reais, considerando o histórico recente de intimidações. Além do impacto imediato na segurança pessoal, há implicações administrativas: questionamentos podem ser abertos na esfera interna da Câmara para apurar a legalidade e a regularidade do ato.
Se for comprovada motivação política — isto é, se a decisão tiver sido tomada com intenção de punir ou fragilizar a parlamentar por posições políticas —, podem surgir repercussões disciplinares e políticas para os responsáveis pela decisão.
O que a apuração do Noticioso360 faz e o que falta confirmar
A redação do Noticioso360 continuará solicitando manifestações oficiais da Mesa Diretora e da Secretaria de Segurança da Câmara. Também será requerida a obtenção de registros administrativos e o contato formal com a Polícia Legislativa para checar eventuais avaliações de risco atualizadas.
Entre os pontos que ainda precisam ser esclarecidos estão: quem ordenou a suspensão; se houve pedido explícito da deputada para encerrar a escolta; se houve mudança na avaliação técnica de risco; e se procedimentos internos foram seguidos.
Entrevistas e próximos passos da investigação
Além da solicitação de documentos, a reportagem planeja entrevistar assessores, especialistas em segurança pública e representantes da Polícia Legislativa. Esses depoimentos, combinados com a documentação, serão fundamentais para traçar a cronologia e identificar responsáveis pela medida.
O PSOL informou que adotará todas as medidas regimentais e administrativas possíveis para obter esclarecimentos e garantir proteção à parlamentar. A movimentação política poderá se intensificar caso as respostas oficiais demorem ou não sejam satisfatórias.
Contexto político
O episódio ocorre num momento em que debates sobre segurança de parlamentares, liberdade de atuação e clima político polarizado voltam a chamar atenção. A retirada de medidas de proteção, quando não bem comunicada, tende a alimentar narrativas de fragilização institucional e de uso político de instrumentos administrativos.
Analistas ouvidos indicam que, mesmo quando existe justificativa técnica para alteração de escoltas, é essencial que a Casa comunique transparência e embasamento técnico para evitar interpretações políticas.
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Fontes
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