A deputada federal Bia Kicis (PL-DF) afirmou, em entrevista recente a um programa local, que o Partido Liberal pretende registrar uma “chapa pura” ao Senado pelo Distrito Federal formada por ela e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. A declaração, se confirmada, reuniria nomes vinculados ao bolsonarismo para disputar a vaga senatorial nas eleições de 2026.
Segundo apuração da redação do Noticioso360, que cruzou dados de veículos nacionais e checou publicações oficiais, não há até o momento um comunicado formal do PL que confirme a homologação dessa composição. Procuramos reportagens e notas em grandes portais e não localizamos um boletim de imprensa do diretório do partido que oficialize a chapa.
O que foi dito e o que falta confirmar
Na entrevista citada por Kicis, a deputada descreveu a intenção de lançar uma dupla ao Senado do DF “junta e alinhada”, expressão que ela usou para caracterizar a chamada chapa pura. Ela reforçou que a estratégia visa concentrar o núcleo do PL em torno de nomes associados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Por outro lado, não foram apresentadas evidências públicas — como nota do diretório estadual, comunicado da executiva nacional ou registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — que atestem a homologação ou o protocolo de candidaturas. A apuração do Noticioso360 incluiu checagens em portais como G1 e Reuters, além de buscas em redes sociais e comunicados oficiais ligados às partes envolvidas.
Três explicações possíveis
Entre as hipóteses que explicam a diferença entre a declaração de Kicis e a ausência de documento oficial, destacam-se:
- O anúncio é preliminar — uma intenção política comunicada antes da definição formal do partido.
- Houve um acordo de bastidores cuja divulgação pública ainda não foi programada pelo PL.
- A fala foi interpretada de forma mais definitiva do que o ato formal exige, e instâncias partidárias ou a própria Michelle ainda não fecharam a confirmação pública.
Contexto político e relevância
Bia Kicis é uma liderança reconhecida do núcleo bolsonarista e já protagonizou articulações públicas alinhadas ao ex-presidente. Michelle Bolsonaro, ainda sem histórico eleitoral, tem capital simbólico entre eleitores da base bolsonarista; sua eventual entrada em disputa poderia fortalecer a candidatura e mobilizar apoios dentro do PL.
Uma chapa pura com nomes ligados ao bolsonarismo teria implicações estratégicas: reduziria a necessidade de acordos com outras legendas para a corrida ao Senado, influenciaria negociações por vagas proporcionais e moldaria a tática de campanha do grupo no DF.
O que foi verificado
Nesta apuração, o Noticioso360 consultou:
- Publicações de grandes veículos (G1, Reuters, Folha, Estadão, CNN Brasil), sem identificar nota oficial do PL sobre homologação;
- Contas oficiais e publicações nas redes sociais de Bia Kicis e Michelle Bolsonaro, sem declaração pública de adesão formal por parte da ex-primeira-dama;
- Registros públicos e comunicados do diretório regional do PL no Distrito Federal, sem boletim acessível que confirme a chapa nos termos citados.
O que a redação recomenda verificar
Para confirmar ou refutar definitivamente a informação, sugerimos que jornalistas e interessados:
- Solicitem nota oficial ao diretório regional do PL no Distrito Federal e à executiva nacional do partido;
- Contato com as assessorias pessoais de Bia Kicis e de Michelle Bolsonaro para obter posicionamento direto;
- Verifiquem no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) qualquer protocolo de registro de candidaturas ou anotações prévias;
- Acompanhem publicações futuras nas contas oficiais das figuras públicas envolvidas e em canais formais do PL.
Limites da declaração
É importante distinguir declaração de intenção de chancela partidária. A fala de uma deputada, por mais relevante, não substitui o processo formal de homologação e registro eleitoral. Sem nota oficial, a posição permanece como sinal político que pode evoluir para um anúncio público ou ser revista conforme negociações internas.
Projeção e impacto
Se confirmada a chapa pura do PL no DF com nomes do bolsonarismo, espera-se que a disputa ao Senado se torne mais polarizada e que o grupo concentre recursos e agenda comunicacional em torno desse núcleo.
Analistas também avaliam que a movimentação pode afetar coligações proporcionais e a dinâmica de negociação entre líderes locais, além de mobilizar a base de eleitores próxima ao ex-presidente. A formação da chapa poderá, portanto, redefinir estratégias de campanha nos meses que antecedem as convenções partidárias.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.
Fontes
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