O Banco Central confirmou ter recebido, em 25 de fevereiro de 2026, um pedido formal da CPI do Crime Organizado para acesso a dados vinculados à empresa Maridt Participações, segundo documentos consultados pela reportagem.
A solicitação, aprovada pela comissão antes de ser encaminhada ao BC, pede acesso a extratos e movimentações bancárias, documentos fiscais e registros de comunicação telefônica relacionados à Maridt. A empresa é apontada por reportagens como ligada a integrantes da família do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli.
Segundo análise da redação do Noticioso360, com base em cruzamento de informações da Reuters, do G1 e do Poder360, o requerimento foi formalizado internamente pela CPI e protocolado ao Banco Central na data indicada pelos documentos.
O que pede o requerimento
O documento aprovado pela CPI detalha categorias de dados que a comissão considera relevantes para a investigação. Entre os itens listados estão extratos bancários, comprovantes de transferências, operações de crédito, notas fiscais, registros de emissão e recebimento de documentos fiscais, além de metadados de comunicação telefônica e registros de chamadas.
Relatos das fontes consultadas apontam que o recorte buscado visa mapear fluxos financeiros e eventuais vínculos societários que possam esclarecer suspeitas em apuração pela CPI. Por ora, trata-se de um pedido parlamentar de acesso a informações, não de uma ordem judicial para divulgação pública dos dados.
Como o Banco Central pode reagir
Especialistas consultados por veículos que acompanharam o caso lembram que o Banco Central funciona como guardião de dados financeiros e adota procedimentos internos para avaliar solicitações de terceiros, sejam judiciais ou parlamentares.
Caso o BC entenda que o pedido é compatível com a legislação — incluindo sigilo bancário e normas tributárias —, o repasse de informações pode ser autorizado formalmente. No entanto, decisões definitivas podem depender de pareceres jurídicos internos ou de determinações do Judiciário, caso haja contestação sobre o compartilhamento.
Prazo e tramitação
Fontes ouvidas indicam que a tramitação seguiu rito padrão: a CPI aprovou o requerimento internamente e, em seguida, expediu o encaminhamento formal ao Banco Central. Portais de notícias apresentam nuances sobre prazos de resposta e escopo do pedido — alguns destacam datas e tecnicismos; outros detalham categorias específicas de dados requisitados.
Na prática, o BC tende a avaliar a legalidade do pedido, identificar eventuais empecilhos e, se necessário, solicitar complementação de documentos ou decisões judiciais que condicionem o acesso.
Vínculos societários e o contexto político
Reportagens que motivaram a apuração indicam que a Maridt Participações tem ligações societárias com membros da família do ministro Dias Toffoli. O Poder360 e o G1 reforçam a existência desses vínculos em suas coberturas, enquanto a Reuters destaca o caráter técnico do requerimento e a data de recebimento pelo BC.
É importante frisar que, até o momento da conferência feita pelo Noticioso360, não há registro público de decisão judicial que tenha autorizado a divulgação total das informações incluídas no pedido. O que existe, comprovado em atas e reportagens, é a aprovação do requerimento pela CPI e o envio formal ao Banco Central.
Divergências nas coberturas e o que está confirmado
Ao comparar as reportagens, a curadoria do Noticioso360 identificou diferenças factuais em pontos específicos: alguns textos limitam-se a citar a aprovação do requerimento pela CPI; outros listam as categorias de dados solicitadas. Nenhuma das peças consultadas, porém, apresenta decisão judicial que já tenha permitido a quebra de sigilo na íntegra.
Os fatos que puderam ser verificados são: 1) a CPI do Crime Organizado aprovou requerimentos relativos à Maridt Participações; 2) houve envio formal desses requerimentos ao Banco Central; 3) a data de recebimento pelo BC indicada nas fontes é 25 de fevereiro de 2026.
Em contrapartida, permanece sem confirmação pública a efetiva entrega de arquivos ou documentos pelo Banco Central à comissão e o volume exato das informações que poderiam ser compartilhadas caso autorizado o repasse.
Repercussões e possíveis desdobramentos
Do ponto de vista processual, as próximas etapas previsíveis incluem análise interna do Banco Central sobre a compatibilidade do pedido com regras de sigilo, eventual solicitação de manifestação judicial e, se autorizada, a remessa dos dados à CPI.
Paralelamente, a comissão pode requisitar informações a outros órgãos para complementar a investigação. Caso surjam pedidos judiciais contrários ao compartilhamento, decisões do Poder Judiciário podem limitar, condicionar ou barrar o acesso a partes dos dados requisitados.
Além disso, eventuais comunicações oficiais do Banco Central ou a divulgação de decisões judiciais poderão alterar substancialmente o alcance da apuração, transformando um pedido em medida efetiva de investigação ou, alternativamente, em objeto de disputa jurídica.
O que a redação do Noticioso360 verificou
A apuração do Noticioso360 cruzou as reportagens da Reuters, do G1 e do Poder360, conferiu datas e documentos citados e confirmou a existência de requerimentos aprovados pela CPI que pedem acesso a dados relacionados à Maridt Participações. Não foi localizada, contudo, publicação oficial do Banco Central informando que os dados foram entregues à comissão.
Também não foi encontrada, até a data desta matéria, decisão judicial que autorize a divulgação integral das informações solicitadas pela CPI.
Fontes e transparência
Esta matéria foi elaborada a partir de documentos e reportagens públicas. O Noticioso360 continuará acompanhando o caso e atualizará a apuração à medida que novos documentos, decisões judiciais ou comunicações oficiais do Banco Central forem divulgados.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fontes
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