Circula nas redes e em textos de bastidores a versão de que o secretário de governo de São Paulo, Gilberto Kassab, teria “rebaixado as pernas da mesa” do governador Tarcísio de Freitas. Até o momento desta apuração preliminar, não há registro público verificado que documente o episódio com datas, declarações ou provas citáveis.
Segundo análise da redação do Noticioso360, que cruzou reportagens, comunicados oficiais e buscas em arquivos digitais, não foi possível confirmar a narrativa em veículos de grande circulação nem em comunicados formais das partes envolvidas.
O que a apuração verificou
A investigação inicial teve três eixos: (1) localizar evento ou reunião pública em que Kassab teria humilhado ou desautorizado Tarcísio; (2) encontrar declarações diretas atribuídas a qualquer dos dois sobre o episódio; e (3) identificar consequências institucionais ou medidas resultantes do suposto fato.
Em buscas por palavras-chave e combinações — como “Kassab Tarcísio reunião”, “rebaixou as pernas da mesa” e variantes em portais como G1, Folha, Estadão, Reuters, BBC Brasil, CNN Brasil e Agência Brasil — não foram localizadas reportagens que descrevam o evento com evidência documental.
Fontes públicas e ausências
Não foram encontrados vídeos institucionais, notas oficiais ou entrevistas que registrem o episódio com datas e testemunhos identificáveis. Também não há, até o presente, registros em perfis oficiais de redes sociais das assessorias que corroborem a cena descrita nos textos circulantes.
Além disso, trechos do texto compartilhado em redes usam linguagem metafórica e interpretativa — a expressão “rebaixou as pernas da mesa” tem caráter figurado e exige cautela para não ser lida como descrição literal de um fato comprovado.
O que foi checado
- Arquivos de grandes veículos nacionais e internacionais;
- Comunicados e notas oficiais das assessorias de Kassab e de Tarcísio;
- Busca por vídeos e registros de eventos públicos oficiais no último ano;
- Menções em redes sociais verificadas das assessorias e perfis institucionais.
Em nenhuma dessas frentes a redação encontrou elementos que permitam afirmar, com segurança jornalística, que o episódio ocorreu como descrito nas versões que circulam.
Contexto político e interpretação
Tarcísio de Freitas é figura de destaque nacional, com histórico em cargos federais ligados a infraestrutura e articulação política. Gilberto Kassab tem trajetória em cargos executivos e atuação como articulador partidário. Esses perfis tornam plausível a existência de negociações internas, divergências e ajustes de narrativa.
No entanto, plausibilidade política não substitui prova documental. Uma narrativa de bastidores pode ser verdadeira, parcialmente verdadeira ou fruto de interpretações e fofocas. É papel do jornalismo separar o que é hipótese do que é verificação.
O que falta comprovar
Para que a versão seja tratada como fato comprovado, são necessárias pelo menos uma das seguintes evidências públicas: gravação do encontro, declaração direta e verificável de uma das partes envolvidas, nota oficial que descreva o episódio ou reportagem de veículos com fontes identificadas que tenham acesso a documentos ou testemunhos confiáveis.
Sem esses elementos, a melhor prática editorial é qualificar a informação como não verificada e buscar ativamente os responsáveis por declarações e contextos citados.
Próximas etapas recomendadas
A redação recomenda: (1) busca direta e sistemática nos arquivos digitais de G1, Folha, Estadão, Reuters, BBC Brasil, CNN Brasil e Agência Brasil por menções a “Kassab” e “Tarcísio” nos últimos 12 meses; (2) entrevistas com assessorias de imprensa dos dois políticos; (3) solicitação formal de posicionamento às assessorias; e (4) verificação de eventuais gravações ou notas internas que possam corroborar ou refutar o relato.
Esses passos devem incluir documentação dos resultados, com links, datas e transcrições, antes de qualquer publicação conclusiva que trate o episódio como comprovado.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fontes
Transparência editorial: esta nota é uma apuração preliminar e editorial. Não se trata de negação nem de confirmação do episódio, mas de um pedido de investigação adicional para evitar divulgação de narrativa sem lastro.
Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.



