Equipe da UFSC registrou na Amazônia tarântula infectada por Cordyceps; análises moleculares estão em andamento.

Tarântula com fungo Cordyceps é registrada

Pesquisadores da UFSC documentaram uma tarântula infectada por Cordyceps na Amazônia; identificação é provisória e depende de exames de DNA.

Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) registraram, durante uma expedição científica realizada na Amazônia em janeiro, uma tarântula visivelmente infectada por um fungo do gênero Cordyceps.

A equipe fotografou e coletou amostras do animal e das estruturas fúngicas observadas. A identificação preliminar aponta para Cordyceps caloceroides, mas a classificação definitiva depende de análises taxonômicas e moleculares em andamento.

Segundo a apuração da redação do Noticioso360, que cruzou informações de reportagens locais e comunicados institucionais, o registro é incomum na região estudada e chama atenção por envolver uma aranha de grande porte — um hospedeiro menos referenciado em descrições nacionais de Cordyceps.

Como foi o registro

O achado ocorreu durante um inventário de biodiversidade fúngica e fitossanidade em áreas de floresta amazônica. Integrantes do grupo da UFSC afirmaram ter encontrado a tarântula ainda presa ao substrato, com hifas e estruturas reprodutivas emergindo do corpo.

Fotografias divulgadas pela equipe mostram feições compatíveis com o gênero: estroma alongado e conídios organizados em estruturas típicas. As amostras coletadas foram preservadas para exame morfológico e sequenciamento de DNA, etapa considerada necessária pelos cientistas para confirmação da espécie.

Identificação e limites da conclusão

Em nota, a UFSC explicou que a identificação inicial foi feita a partir de características morfológicas observadas nos exemplares. “As imagens e os sinais morfológicos são consistentes com Cordyceps, mas vamos esperar os resultados moleculares para fechar a identificação”, disse um pesquisador envolvido no trabalho.

Especialistas consultados pelo Noticioso360 destacam que o gênero Cordyceps é extenso e inclui espécies com graus variados de especificidade por hospedeiros. Enquanto algumas espécies atacam apenas um tipo restrito de artrópode, outras têm espectro de hospedeiros mais amplo, o que torna plausível, do ponto de vista ecológico, o registro em uma tarântula — embora o evento seja raro e mereça registro formal.

Por que o DNA é decisivo

A análise molecular permite comparar sequências genéticas das amostras com bancos de dados e material de referência, reduzindo incertezas geradas por convergência morfológica. Para fungos do gênero Cordyceps, pequenas diferenças na morfologia podem mascarar distinções de espécie que só aparecem no código genético.

O que é Cordyceps e por que importa

Cordyceps é um gênero de fungos para-entomopatogênicos conhecido por infectar artrópodes, principalmente insetos como formigas. Algumas espécies são famosas por alterar o comportamento do hospedeiro, embora nem todas apresentem esse efeito.

Historicamente, registros de Cordyceps envolvem especialmente insetos, mas há descrições científicas de infecções em outros artrópodes, incluindo aranhas. O novo registro amplia a lista de hospedeiros documentados na Amazônia e ajuda a mapear a distribuição e diversidade do grupo.

Implicações ecológicas e sanitárias

Pesquisadores apontam que achados como esse contribuem para inventários biológicos e podem orientar estudos sobre coevolução hospedeiro–patógeno. Documentar interações pouco conhecidas é importante para entender rede trófica, dinâmica de populações e nichos ecológicos.

Do ponto de vista sanitário, especialistas consultados pelo Noticioso360 reforçam que não há indicação de risco para humanos. As espécies de Cordyceps descritas até o momento são especializadas em artrópodes e não têm histórico de infecção em mamíferos.

Cobertura, cautela e contexto jornalístico

Reportagens locais enfatizaram o caráter inédito do hospedeiro e o protagonismo da UFSC no registro. Textos de divulgação científica, por outro lado, recomendaram prudência até a conclusão das análises moleculares.

A apuração do Noticioso360 procurou equilibrar essas vertentes: foram cruzados comunicados institucionais, declarações de pesquisadores presentes na expedição e reportagens de veículos que cobririam o caso no período pós-coleta.

Limitações do registro

Os cientistas destacam que é preciso padronizar coletas e comparar o material com exemplares de referência. Variações na técnica de preservação, degradação do DNA e amostragem limitada podem atrasar ou complicar a identificação precisa.

Próximos passos e perspectivas de pesquisa

As amostras seguem para laboratórios capazes de realizar sequenciamento molecular e análises filogenéticas. Espera-se que, nas próximas semanas a meses, os resultados confirmem ou revisem a identificação provisória para Cordyceps caloceroides.

Se confirmada, a ocorrência deve ser formalmente registrada em bases de dados taxonômicas e pode gerar publicações científicas sobre distribuição geográfica, especificidade de hospedeiro e possíveis adaptações evolutivas.

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Fontes

Analistas apontam que o registro pode abrir novas frentes de pesquisa sobre patógenos de artrópodes na Amazônia e influenciar inventários regionais de biodiversidade.

Veja mais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima