Análises genéticas mostram colapso extremo das populações de jubartes no Hemisfério Sul na década de 1930.

DNA indica que caça reduziu jubartes à fração original

Estudo genético aponta que caça comercial pode ter reduzido jubartes do Hemisfério Sul a cerca de 2% do tamanho populacional original em alguns locais.

Redução drástica detectada em DNA

As marcas deixadas pela caça comercial do século 20 aparecem hoje no genoma das baleias‑jubarte (Megaptera novaeangliae).

Pesquisas recentes que combinaram sequenciamento genético com modelos demográficos detectaram assinaturas compatíveis com um gargalo populacional forte no Oceano Austral, indicando que as populações podem ter caído a uma fração muito pequena do tamanho original por volta da década de 1930.

Segundo análise da redação do Noticioso360, com base em relatórios da Reuters e da BBC Brasil, os resultados convergem no diagnóstico geral: a caça industrial provocou um declínio severo, embora a magnitude varie entre métodos e regiões.

O que mostram os genes

Os cientistas utilizam medidas como diversidade de haplótipos, heterozigosidade e estimativas do tamanho efetivo da população ao longo do tempo (Ne) para reconstruir históricos demográficos.

Em várias amostras do Hemisfério Sul, essas métricas registraram perdas de diversidade consistentes com redução abrupta e ampla. Em termos práticos, a evidência genética aparece como menores números de variantes genéticas e mudanças na estrutura entre subpopulações.

Estimativas extremas

Algumas análises, dependendo do conjunto de dados e das suposições do modelo, indicaram declínios da ordem de 90% a 98% em certas localidades — o que equivaleria a populações remanescentes de aproximadamente 2% do tamanho pré‑abate.

Esses números são compatíveis com o histórico documentado da caça comercial, que intensificou‑se nas primeiras décadas do século 20 e atingiu o pico antes das moratórias internacionais e da regulamentação a partir da metade do século.

Limites e incertezas

Por outro lado, especialistas entrevistados e os próprios autores dos estudos destacam limites das inferências genéticas.

Modelos que estimam tamanhos populacionais passados partem de pressupostos — por exemplo, sobre taxas de migração entre colônias, seleção natural e eventos ambientais — e incorporam margens de erro. Amostras modernas, por si só, podem não capturar variantes extintas nem distinguir completamente entre perda por deriva e eventos seletivos.

Além disso, a amplitude espacial da amostragem influencia as conclusões: áreas pouco estudadas ou com poucos registros históricos podem apresentar sinais diferentes dos observados em regiões melhor cobertas.

Divergência entre estudos

Enquanto alguns artigos enfatizam estimativas numéricas mais extremas, outros trabalham com modelos que apontam para recuperações regionais após o fim da caça comercial, a partir de meados do século 20. A BBC Brasil, por exemplo, trouxe contexto sobre trajetórias distintas de recuperação, e a Reuters abordou com mais detalhe as implicações metodológicas.

Recuperação e ameaças atuais

Desde a imposição de moratórias e de políticas de conservação, populações de jubartes vêm se recuperando em muitas áreas. Registros de abundância e observações de campo registraram aumentos em várias rotas migratórias e áreas de alimentação.

No entanto, a recuperação não elimina o legado genético do colapso. Reduções extremas de diversidade podem reduzir a capacidade adaptativa a longo prazo, tornando as populações mais vulneráveis a estressores como mudanças climáticas, alterações nas redes tróficas e doenças emergentes.

Além disso, ameaças contemporâneas — colisões com embarcações, ruído subaquático, poluição e pesca — continuam a pressionar esses grupos, especialmente em corredores migratórios e áreas costeiras com tráfego intenso.

Implicações para conservação

Pesquisadores citam a importância de integrar genética, ecologia e dados de movimento animal para orientar ações de conservação eficazes. Entre as recomendações estão:

  • Ampliar a amostragem genética em áreas pouco estudadas do Oceano Austral;
  • Combinar registros históricos de caça, dados de abundância e modelagem espacial;
  • Aplicar modelos que integrem fluxo gênico entre subpopulações e variações ambientais temporais.

Essas abordagens ajudam a reduzir incertezas e permitem priorizar áreas e populações que demandam medidas de proteção mais urgentes.

Curadoria e convergência jornalística

A apuração do Noticioso360 confrontou versões e detalhou pontos de convergência e divergência entre as coberturas revisadas. Reuters e BBC Brasil cobriram o mesmo núcleo de descobertas — um declínio sério ligado à caça —, mas enfatizaram aspectos distintos, como metodologia e perspectivas de recuperação.

Reportagens internacionais e estudos científicos coincidem ao colocar a caça comercial como agente principal do colapso, ainda que o tamanho exato da queda varie conforme suposições e amostragens.

O que vem a seguir

Cientistas indicam passos claros para aprimorar o conhecimento: ampliar a grade de amostragem genética, integrar arquivos históricos de caça e uso de técnicas emergentes de genômica, como sequenciamento de DNA antigo quando disponível.

Também é indicado melhorar a articulação entre pesquisa e gestão, traduzindo resultados científicos em medidas práticas de conservação, como delimitação de áreas marinhas protegidas, protocolos de redução de colisões e políticas para reduzir ruído subaquático.

Fontes

Veja mais

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

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