Estudo da UFMG aponta queda no número de barragens e elevação do volume de rejeitos concentrados.

Aumento de rejeitos preocupa com menos barragens

Levantamento da UFMG indica redução de barragens ativas enquanto o volume de rejeitos aumenta; falta de transparência eleva riscos.

Um levantamento da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) indica que o Brasil registrou redução no número nominal de barragens de mineração, ao mesmo tempo em que cresceu o volume total de rejeitos acumulados nas estruturas. A combinação — menos pontos de controle e mais massa de material armazenado — acende alertas entre especialistas em geotecnia e gestão ambiental.

De acordo com análise da redação do Noticioso360, que cruzou os dados do estudo acadêmico com relatórios públicos e entrevistas, há dois fatores centrais por trás desse quadro: a consolidação de instalações menores e a expansão de áreas de depósito por grandes empreendimentos. Em alguns casos, a desativação formal de estruturas menores coincide com a criação ou ampliação de reservatórios com maior capacidade, concentrando os rejeitos.

O que mostram os dados

O levantamento da UFMG, tema central desta apuração, revela que o crescimento do volume de rejeitos não é homogêneo no território nacional. Regiões como o Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, apresentam concentração mais intensa de rejeitos, com reservatórios situados próximos a comunidades e a corpos hídricos.

Pesquisadores consultados destacam que muitas bases públicas não trazem informações atualizadas sobre capacidade, critérios de inspeção ou plantas situacionais. Essa falta de padronização e atualização dificulta comparações históricas e a avaliação de se a redução no número de barragens representa, de fato, mitigação do risco.

Por que o risco pode crescer

Especialistas ouvidos pela UFMG e pela redação do Noticioso360 explicam que concentrar grandes volumes em menos reservatórios altera a dinâmica do risco. Menos estruturas podem significar menos pontos de atenção técnica e fiscalização local contínua.

Além disso, a reclassificação administrativa de instalações — quando antigas áreas de estoque passam a ser registradas como pátios industriais, aterros ou inativadas — tem sido um problema recorrente. Essas mudanças dificultam o acompanhamento técnico e a transparência sobre o estado real das estruturas.

Impacto em áreas sensíveis

Há registros, levantados no estudo e em bases públicas consultadas pela reportagem, de estruturas localizadas a curta distância de cursos d’água e de bairros urbanos. Em vários casos, informações técnicas detalhadas sobre essas estruturas não constavam nas bases federais no momento do levantamento.

Especialistas ressaltam que a proximidade com recursos hídricos amplia o potencial de impacto socioambiental caso ocorra uma falha. A ausência de laudos acessíveis e de auditorias independentes dificulta tanto a avaliação preventiva quanto a mobilização de medidas de emergência locais.

Posição das empresas e órgãos reguladores

Representantes do setor minerador contestam leituras mais alarmistas. Em notas públicas e em respostas encaminhadas a órgãos de fiscalização, empresas afirmam que investimentos em monitoramento geotécnico, drenagem e programas de segurança reduziram a probabilidade de ruptura.

Estados com maior atividade minerária também têm exigido planos de estabilidade e programas de emergência para estruturas de alto risco. Em algumas situações, órgãos estaduais publicaram cronogramas de inspeção e medidas corretivas exigidas às empresas.

Lacunas de transparência e padronização

A investigação do Noticioso360 encontrou lacunas que complicam a aferição padronizada do risco em nível nacional. Bases públicas apresentam nomenclaturas distintas para estruturas (como “barragem”, “dique”, “alteamento” ou “pilha de rejeito”) e relatórios empresariais nem sempre usam parâmetros compatíveis.

Sem um padrão nacional de classificação e sem divulgação periódica e uniforme de laudos geotécnicos, torna-se difícil avaliar tendências de longo prazo. A jornalista e pesquisadora consultada no estudo afirma: “a governança dos dados é parte essencial da gestão do risco; sem ela, qualquer análise fica parcial”.

Recomendações práticas

Especialistas ouvidos pela reportagem e pela UFMG sugerem medidas concretas para reduzir incertezas e aumentar a segurança:

  • Padronização nacional de uma base de dados de barragens com critérios únicos de classificação;
  • Divulgação pública e periódica de laudos geotécnicos e plantas situacionais;
  • Auditorias independentes regulares e obrigatórias para estruturas classificadas de médio e alto risco;
  • Planos de resposta locais com comunicação prévia às populações vizinhas e monitoramento contínuo de recursos hídricos.

O que acompanhar

Até o fechamento desta matéria, o quadro mostra redução no número nominal de estruturas reportadas em alguns registros, mas aumento no volume de rejeitos concentrados em barragens maiores em regiões-chave. A ausência de uniformidade e atualização dos dados impede afirmar categoricamente que o risco agregado diminuiu — ao contrário, existem sinais de um risco deslocado e, em alguns casos, pouco documentado.

O Noticioso360 continuará acompanhando novas atualizações de bases públicas, relatórios de empresas, auditorias independentes e possíveis medidas regulatórias anunciadas pelos órgãos competentes. Nossa redação seguirá cruzando dados públicos, literatura acadêmica e trabalho de campo para manter o acompanhamento contínuo do tema.

Fontes

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas e acadêmicas verificadas.

Analistas apontam que o movimento de consolidação e concentração de rejeitos pode redefinir a agenda regulatória e a fiscalização ambiental nos próximos meses.

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