Em evento em Washington, Trump criticou líderes latino-americanos e repetiu número não verificado sobre deportações.

Trump diz que líderes latinos são 'espertos'

Em Washington, Trump afirmou que líderes latino-americanos são 'espertos' por enviar 'gente ruim' e citou 2,5 milhões de deportações; dados oficiais divergem.

Declaração em café da manhã provoca reação

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou durante um café da manhã com lideranças religiosas em Washington que líderes latino-americanos são “espertos” por enviar ao país o que chamou de “gente ruim”. A fala, registrada em 5 de fevereiro, repercutiu em veículos internacionais e despertou críticas de organizações de direitos humanos.

Segundo análise da redação do Noticioso360, com base em reportagens da Reuters e da BBC Brasil, o presidente também repetiu números sobre o alcance de suas operações de imigração, afirmando que cerca de 2,5 milhões de pessoas teriam sido removidas do país durante sua gestão.

O que foi dito e o contexto

Em relatos sobre o encontro em Washington, Trump criticou governos da região por, segundo ele, não deter os fluxos migratórios que encaminham indivíduos que ele qualifica como perigosos aos Estados Unidos. A declaração foi feita em tom crítico e incluiu termos pejorativos dirigidos a imigrantes enviados por países vizinhos.

As coberturas audiovisuais e as transcrições consultadas pelas reportagens mostram variação na ênfase do trecho entre diferentes veículos: enquanto alguns focaram no tom inflamado, outros contextualizaram o comentário como parte de uma estratégia mais ampla de discurso anti‑imigração do presidente.

Repetição da cifra de 2,5 milhões

Durante o mesmo pronunciamento, Trump afirmou que suas operações de imigração haviam resultado na retirada de aproximadamente 2,5 milhões de pessoas do país. Esse número foi destacado em diversos discursos anteriores do presidente e de seus apoiadores, que por vezes usam contagens cumulativas e definições amplas de “remoção”.

No entanto, a verificação de dados feita por órgãos de imprensa e por nossa redação indica que não há, entre as notas públicas disponíveis do Departamento de Segurança Interna (DHS) ou do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), uma planilha consolidada que comprove um total de 2,5 milhões de deportações no período referido sem medidas legais extraordinárias.

O que dizem os dados oficiais e especialistas

Relatórios oficiais e levantamentos independentes mostram que a contagem de “remoções” varia conforme a metodologia: inclui-se remoções forçadas, retornos voluntários assistidos e acordos de repatriação, entre outros mecanismos. Especialistas em migração consultados por veículos internacionais ressaltam que a comparação entre períodos exige cuidado e definição clara do que é contabilizado.

Portanto, embora porta‑vozes do governo e aliados forneçam números mais elevados, analistas apontam que esses totais costumam misturar categorias distintas e períodos variados, o que impede afirmar, com os dados públicos atualmente disponíveis, que 2,5 milhões tenham sido removidos exclusivamente por ações do governo no intervalo alegado.

Repercussão política e reação de organizações

A declaração intensificou críticas de organizações de direitos humanos, que classificaram a fala como xenófoba e simplificadora da complexa dinâmica migratória entre as Américas. Grupos defensores de imigrantes pediram esclarecimentos e lembraram que a criminalização coletiva contraria padrões internacionais de direitos humanos.

Assessores de lideranças latino‑americanas citadas de forma genérica na fala negaram, por meio de notas, que haja intenção deliberada de “enviar” pessoas com perfil criminoso e ressaltaram fatores estruturais — como violência, pobreza e mudanças climáticas — que impulsionam a mobilidade humana na região.

Divergência entre reportagens

A cobertura internacional mostrou divergências: alguns veículos deram ênfase ao caráter inflamado do discurso de Trump, enquanto outros destacaram a repetição de uma narrativa de campanha. Houve também diferenças na apuração sobre a origem exata das estatísticas citadas e sobre se o presidente atribuía a responsabilidade a governos específicos ou a causas mais gerais.

Limitações da apuração

A apuração do Noticioso360 cruzou reportagens e registros audiovisuais da Reuters e da BBC Brasil, entre outras coberturas. Não foi possível, entretanto, acessar documentos internos do DHS ou uma planilha exclusiva que sustentasse integralmente a cifra mencionada pelo presidente.

Também não houve contato direto com todas as lideranças citadas por Trump no discurso para checar intenção ou contexto, o que impede uma verificação completa de todas as alegações implícitas na fala.

O que está verificado

Confirmamos que o presidente fez declarações críticas a líderes latino‑americanos e utilizou termos depreciativos ao se referir a imigrantes enviados por países da região. Em contraste, a cifra de 2,5 milhões de deportações não foi corroborada por dados públicos consolidados acessíveis ao público e citados nas reportagens consultadas.

Por que a cifra é controversa

A controvérsia sobre o número decorre sobretudo da definição de “remoção” e do período contabilizado. Agências federais dos EUA divulgam estatísticas por categoria — remoções formais, retornos administrativos e outras — que, quando agregadas de forma distinta, podem gerar totais variados.

Fontes governamentais podem contabilizar ações que envolvem acordos com países de origem, repatriações coordenadas e retornos voluntários, o que amplia a discrepância entre o que é divulgado em discursos políticos e o que aparece em relatórios técnicos.

Recomendações e próximos passos

A redação recomenda acompanhar pedidos de esclarecimento formal ao DHS e ao ICE, bem como a divulgação de transcrições integrais do evento pela Casa Branca. Pesquisas futuras devem buscar a planilha ou documento que suporte a contagem citada pelo presidente e verificar se há concordância nas definições metodológicas entre as partes.

Além disso, é útil monitorar investigações sobre acordos de repatriação entre países latino‑americanos e os EUA, pois esses instrumentos influenciam diretamente os números apresentados em discursos públicos.

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Fontes

Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.

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