Projeto avança no Congresso e prevê jornada de até 12 horas diárias e restrições a paralisações.

Reforma trabalhista de Milei: até 12 horas e limites à greve

Proposta de Javier Milei aprovada no Senado prevê jornadas de até 12 horas e dispositivos que podem restringir greves; Câmara vota nesta semana.

Proposta amplia jornadas e endurece regras sobre greves

O projeto de reforma trabalhista apresentado pelo presidente argentino Javier Milei avançou no Congresso e deve ser levado a votação na Câmara dos Deputados ainda nesta semana, segundo relatos da imprensa argentina e internacional. A iniciativa, aprovada no Senado, propõe mudanças expressivas em regras de jornada, negociação coletiva e mecanismos de paralisação do trabalho.

Segundo análise da redação do Noticioso360, com base em reports da Reuters e da BBC Brasil e no texto preliminar do projeto, a mudança mais controversa é a possibilidade de jornadas de até 12 horas diárias, em arranjos que permitiriam compensações por folgas em outros períodos.

O que prevê o texto

O conteúdo do projeto busca reduzir encargos trabalhistas e ampliar a flexibilidade dos contratos. Entre os pontos centrais estão a autorização para jornadas de até 12 horas por dia em regimes específicos; regras mais flexíveis sobre férias; e maior margem para acordos individuais ou setoriais que possam se sobrepor a normas rígidas atuais.

Além disso, o texto traz dispositivos que tentam delimitar o que seriam greves legais, introduzindo critérios mais estritos para caracterização de paralisações “parciais” ou que afetem serviços essenciais. Esses trechos preveem sanções ou restrições a movimentos considerados que extrapolem esses critérios.

Reações de sindicatos e empresários

Sindicatos consultados pela imprensa afirmam que as medidas podem levar à precarização das condições de trabalho e ao aumento da jornada efetiva. Líderes sindicais alertam para o risco de perda de direitos históricos e para a diminuição da capacidade de pressão por parte das mobilizações trabalhistas.

Por outro lado, representantes do empresariado e analistas favoráveis à reforma defendem que as alterações vão atrair investimentos e darão maior flexibilidade a empresas, especialmente a micro, pequenas e médias. Segundo esses setores, a possibilidade de jornadas mais longas, quando combinada com compensações, facilitaria adequações a demandas sazonais e turnos estendidos.

Impactos práticos e interpretações jurídicas

Especialistas em direito do trabalho ouvidos em reportagens indicam que, na prática, a adoção de jornadas de 12 horas dependerá de regulamentações complementares e do desenho final dos contratos permitidos. Há dúvida sobre até que ponto acordos entre empregadores e trabalhadores poderão reduzir direitos sem intervenção estatal.

Da mesma forma, a caracterização de greves e as possíveis sanções previstas no projeto podem gerar litígios. Advogados trabalhistas consultados aventam ações constitucionais e recursos à Justiça do Trabalho para contestar dispositivos que limitem o exercício do direito de greve.

Trâmite legislativo e mobilização social

A aprovação no Senado abriu caminho para a deliberação na Câmara dos Deputados. Fontes parlamentares indicam que o governo intensificou articulação para garantir quórum e votos favoráveis. Movimentos sociais, centrais sindicais e partidos de oposição organizam protestos, atos públicos e operativos jurídicos para tentar barrar trechos considerados mais gravosos.

Em Buenos Aires e em outras capitais provinciais, entidades sindicais já anunciaram paralisações e manifestações nos dias que antecedem a votação. A tática tem dois focos: pressionar deputados a rejeitar pontos centrais e buscar ampla cobertura pública para mobilizar a opinião pública.

Trecho do projeto e exemplos práticos

O texto legislativo, conforme trechos vazados e notas oficiais, inclui também propostas de simplificação de processos na Justiça do Trabalho e incentivos à contratação formal. Uma das medidas com apelo ao setor produtivo é a redução de obrigações administrativas para empresas de pequeno porte, com o objetivo declarado de estimular contratações formais.

Contudo, sindicalistas destacam que menos burocracia pode significar menor fiscalização e fragilização de garantias trabalhistas. Para muitos trabalhadores, a principal preocupação é que a flexibilização acabe sendo usada para reduzir custos em detrimento de horas pagas, descanso adequado e segurança no trabalho.

O que esperar da votação e desdobramentos

O placar na Câmara dependerá de negociações partidárias e de eventuais mudanças de última hora no texto. Caso o projeto seja aprovado, é provável que chegue à sanção presidencial com vetos seletivos, negociações de decretos regulamentares e, em seguida, questionamentos jurídicos que podem levar partes do texto à análise de tribunais superiores.

Além do campo jurídico, a aprovação tem potencial para aprofundar polarizações políticas e desencadear novas ondas de mobilização sindical. Se o governo aprovar mecanismos que limitem radicalmente as greves, sindicatos podem recorrer a estratégias alternativas de pressão, como interrupções de serviços não cobertos pelos novos critérios ou campanhas de desobediência civil trabalhista.

Contexto político e econômico

Analistas que apoiam a reforma apontam que medidas de liberalização do mercado de trabalho podem contribuir para a recuperação econômica ao facilitar contratações e reduzir custos. Críticos lembram, porém, que ganhos macroeconômicos não se traduzem automaticamente em melhoria de renda real se houver queda em proteções salariais ou piora das condições laborais.

De acordo com o levantamento do Noticioso360, que cruzou informações da Reuters e da BBC Brasil e consultou trechos do projeto e posicionamentos de centrais sindicais e entidades empresariais, a divergência entre interpretações reflete, em parte, a diferença entre texto legal e leituras políticas.

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Fontes

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.

Veja mais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima