Durante a cerimônia em que Delcy Rodríguez assumiu interinamente a presidência da Assembleia Nacional venezuelana, equipes de imprensa relataram abordagens e detenções enquanto tentavam cobrir o evento no entorno do parlamento.
Testemunhas, imagens e comunicações internas de redações indicam que profissionais foram impedidos de acessar pontos controlados, submetidos a revistas e, em alguns casos, conduzidos a centros de detenção temporária para verificação de documentos.
Segundo análise da redação do Noticioso360, com base em relatos, imagens publicadas por veículos e documentos internos checados, há divergências sobre o número exato de detidos e sobre a proporcionalidade das medidas adotadas pelas autoridades.
O que aconteceu
Fontes primárias consultadas por esta apuração — incluindo repórteres presentes, fotógrafos, vídeos e mensagens internas de redações — relatam que agentes de segurança barraram o acesso de jornalistas em entradas secundárias do prédio da Assembleia.
Em relatos verificados por áudio e vídeo, equipes tiveram equipamentos revistados e, em ao menos um caso, houve apreensão temporária de material jornalístico. Profissionais descrevem conduções para áreas controladas, onde foram submetidos a checagens de identidade.
Contagem e divergências
Há duas contagens predominantes em circulação: listas iniciais de redatores locais somaram 16 profissionais, enquanto outras reportagens e agências mencionaram 14. Parte das diferenças decorre de contabilizações preliminares, confusão logística no local e da inclusão ou exclusão de assessores e colaboradores informais.
O Noticioso360 preservou ambas as contagens e solicitou documentação que pudesse confirmar a cifra, mas não havia, até o fechamento desta apuração, uma lista oficial unificada ou decisão judicial disponível que consolidasse todos os nomes citados.
Versões oficiais e relatos de imprensa
Comunicados oficiais lidos por esta redação atribuem as ações a medidas de controle de acesso e defesa da ordem pública, sem detalhar quais normas teriam sido infringidas. As notas mencionam procedimentos rotineiros para garantir a segurança do evento.
Por outro lado, veículos independentes e profissionais que cobriam a cerimônia relatam uma ação direcionada. Alguns descreveram uso desproporcional de força em pontos específicos, especialmente nas entradas secundárias e vias laterais onde a presença de jornalistas foi concentrada.
O papel das autoridades e pedidos de esclarecimento
Notificamos e buscamos esclarecimentos junto à assessoria da Presidência da Assembleia e a órgãos de segurança responsáveis pelo cerco ao parlamento. Não houve retorno formal até o fechamento desta matéria.
Também foram consultadas organizações de liberdade de imprensa que frequentemente monitoram restrições à cobertura na Venezuela. Esses grupos indicam um padrão histórico de limitações a reportagens em eventos oficiais, e pedem transparência e a divulgação de listas formais quando ocorrem detenções.
Metodologia da apuração
A apuração combinou dois eixos principais: (1) triangulação de relatos presenciais, imagens e comunicações internas das redações afetadas; e (2) verificação documental junto a portarias policiais, comunicados oficiais e checagem direta com veículos. Essa abordagem permitiu identificar pontos convergentes — como relatos de revistas e conduções temporárias — mesmo diante de divergências em números e narrativas.
Houve preservação de evidências e pedidos formais de documentos para evitar conclusões precipitadas. A redação também avaliou o contexto legal e de direitos humanos, consultando normativas locais e posicionamentos de entidades internacionais sobre liberdade de imprensa.
Impacto na cobertura e implicações legais
Profissionais de pelo menos duas redações digitais independentes e correspondentes freelancers foram, conforme registros, entre os contemplados nas ações. A restrição do trabalho jornalístico e a apreensão temporária de equipamentos afetaram a capacidade de cobertura em tempo real, reduzindo a transparência do evento.
Até o momento, não há registro público de termo circunstanciado ou lista oficial que confirme, de forma definitiva, todos os nomes alegados. Essa lacuna dificulta medidas legais imediatas e a responsabilização administrativa ou judicial de eventuais abusos.
Reações e recomendações
Organizações de imprensa e entidades de defesa da liberdade de expressão pedem que as autoridades divulguem com precisão as listas de pessoas retidas e publiquem relatórios sobre procedimentos adotados. A transparência, afirmam, é essencial para garantir o exercício do jornalismo e evitar práticas de intimidação.
O Noticioso360 recomenda que órgãos competentes forneçam documentos públicos que comprovem as circunstâncias das detenções temporárias e esclareçam os critérios usados para controle de acesso em eventos oficiais.
Conclusão e projeção
Em síntese, a apuração demonstra que a cobertura da posse foi afetada por ações de controle das autoridades, com relatos consistentes de revistas e detenção temporária de profissionais. Persistem, entretanto, divergências sobre o número exato de detidos (14 versus 16) e sobre a proporcionalidade das medidas.
Analistas apontam que o episódio pode reforçar tensões entre veículos independentes e instituições estatais, e influenciar o debate sobre liberdade de imprensa na Venezuela nos próximos meses.
Fontes
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