O Ministério das Relações Exteriores convocou uma reunião extraordinária neste sábado para acompanhar a circulação de mensagens nas redes sociais que afirmavam uma suposta intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro.
A convocação do Itamaraty foi confirmada por fontes oficiais consultadas pela reportagem e serviu para monitorar riscos a cidadãos brasileiros no país e avaliar possíveis repercussões diplomáticas.
Segundo análise da redação do Noticioso360, entretanto, não há, até o momento, evidência pública e verificável de que os Estados Unidos tenham invadido solo venezuelano ou detido o presidente Maduro. A hipótese viralizada não foi corroborada por agências internacionais de referência.
Verificação dos fatos
As equipes de checagem cruzaram informações em plataformas de agências como Reuters e BBC Brasil, além de checar comunicados oficiais em canais do governo dos Estados Unidos, do Pentágono e do governo venezuelano. Nenhuma dessas fontes publicou registros que sustentem as alegações de invasão ou prisão.
Fontes de redações internacionais com presença permanente na América Latina também não registraram relatos de operações militares em solo venezuelano. Em geral, intervenções desse tipo são acompanhadas por comunicados oficiais, cobertura ampla da imprensa estrangeira e movimentações em organismos multilaterais — elementos ausentes nesta circulação.
Conteúdo fora de contexto e imagens não verificadas
Parte do material compartilhado nas redes inclui fotos e vídeos antigos ou sem comprovação de data e localização. Investigações de metadados e busca reversa identificaram imagens pertencentes a coberturas anteriores ou a eventos não relacionados à alegada intervenção.
Além disso, postagens que apresentam trechos de áudio e textos curtos costumam misturar episódios distintos, o que favorece interpretações errôneas. Especialistas em verificação consultados pela reportagem destacaram que a velocidade de disseminação na internet propicia a aceleração de boatos antes que checagens formais possam ser concluídas.
O que dizem governos e agências
Até agora, não houve divulgação de notas públicas pela Casa Branca ou pelo Departamento de Defesa dos EUA que confirmem operações militares na Venezuela. Do mesmo modo, não foram veiculadas declarações oficiais do gabinete de Nicolás Maduro anunciando sua captura ou remoção do cargo.
O protocolo diplomático normalmente prevê anúncios formais, convocação de organismos internacionais e ampla cobertura por correspondentes estrangeiros em caso de ações militares relevantes. A ausência desses passos reforça a necessidade de cautela em relação às mensagens virais.
Reações e contexto político
Historicamente, as relações entre Washington e Caracas atravessam momentos de tensão política e retórica. Existem registros de confrontos diplomáticos e de apoio internacional a opositores da administração venezuelana, o que contribui para um ambiente propenso à circulação de desinformação.
Em textos e publicações anteriores, setores da imprensa internacional noticiaram operações diplomáticas, sanções e pressões políticas, mas nada que, até a data desta apuração, indique uma ação militar norte-americana em território venezuelano.
Como a checagem foi feita
A apuração do Noticioso360 incluiu consulta a comunicados oficiais, levantamento em agências internacionais, verificação de metadados de imagens e entrevistas com especialistas em segurança regional. Também foram examinadas mensagens virais para identificar possíveis origens e datas dos conteúdos compartilhados.
Nos casos em que imagens foram usadas para fundamentar as alegações, a análise técnica mostrou que muitos arquivos eram anteriores ao episódio alegado ou não tinham dados que comprovassem a suposta operação.
Conclusão provisória
Com base nas checagens realizadas e na ausência de confirmação por agências e governos, a conclusão preliminar é de que não existe evidência pública de uma invasão dos Estados Unidos à Venezuela nem da captura do presidente Nicolás Maduro conforme descrito nas postagens verificadas.
Mantemos a prática jornalística de reavaliar a situação caso surjam comunicados oficiais, registros de organismos internacionais ou cobertura consistente de veículos independentes.
Orientações ao público
Recomenda-se cautela na circulação de mensagens sem origem verificável. Antes de compartilhar, confirme informações em canais oficiais, em grandes agências de notícias ou nas contas institucionais do Itamaraty e de órgãos de governo relevantes.
Para usuários das redes sociais, é aconselhável checar metadados de imagens, buscar reportagens em fontes tradicionais e desconfiar de conteúdos que apelam ao sensacionalismo sem apontar evidências ou testemunhos verificáveis.
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Fontes
- Reuters — 2026-01-03
- BBC Brasil — 2026-01-03
- Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores) — 2026-01-04
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
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