O tratado New START, principal acordo bilateral que limitava ogivas estratégicas entre Estados Unidos e Rússia, expirou em 4 de fevereiro de 2026, deixando as duas potências sem um mecanismo formal de limites e verificação.
O fim do pacto interrompeu inspeções regulares, trocas de dados e canais de transparência que durante mais de uma década reduziram incertezas sobre a disposição e o número de ogivas estratégicas. Especialistas advertem que a ausência desses instrumentos pode elevar a probabilidade de mal-entendidos militares e acelerar modernizações de arsenais.
Segundo análise da redação do Noticioso360, com base em reportagens da Reuters e da BBC Brasil, a expiração do acordo deixa um hiato institucional que tende a estimular concorrência tecnológica e numérica entre Moscou e Washington, com efeitos potenciais sobre outros Estados.
O que terminam as cláusulas do New START
Assinado em 2010, o New START estabelecia tetos para ogivas estratégicas implantadas e para os sistemas de entrega — mísseis balísticos intercontinentais, submarinos com capacidade estratégica e bombardeiros. O pacto também permitia inspeções in loco e o intercâmbio periódico de informações que ajudavam a reduzir riscos por erro de cálculo.
Com a expiração, deixam de valer as regras que regulavam verificações conjuntas e o cronograma de troca de dados. Fontes internacionais consultadas indicam que as partes agora passam a operar sem limites formais, o que, na prática, pode reconfigurar prioridades orçamentárias e de pesquisa nas áreas militar e tecnológica.
Modernização e novos vetores
Analistas apontam que, sem um freio diplomático, os governos têm incentivos para acelerar modernizações e investir em vetores emergentes, como mísseis hipersônicos e capacidades de manobra para sobrevivência e dissuasão. “Era o último freio”, disse um especialista ouvido em reportagens internacionais, referindo‑se ao papel residual do New START no controle de armas estratégicas.
Por outro lado, autoridades ocidentais avaliam medidas diplomáticas e diálogos técnicos para mitigar riscos imediatos. Discussões sobre moratórias recíprocas, protocolos provisórios de verificação ou mesmo a busca por um novo acordo — bilateral ou multilateral — estão entre as alternativas em estudo.
Impacto sobre proliferação e terceiros
Além da competição direta entre EUA e Rússia, a expiração do New START pode ter efeitos de médio prazo sobre países com ambições nucleares. Sem um quadro de referência entre as maiores potências, estados regionais podem interpretar o ambiente internacional como menos restritivo e reavaliar programas de capacidade estratégica.
Especialistas ouvidos em veículos internacionais afirmam que a previsibilidade estratégica entre as grandes potências tem papel dissuasório indireto: quando essa previsibilidade diminui, cresce a racionalidade para investimentos autônomos em defesa por parte de países que se percebem vulneráveis.
Reações de Moscou e Washington
Fontes russas destacam que preocupações de segurança e ameaça percebida justificam, na visão de Moscou, uma postura mais firme na modernização do arsenal. Por sua vez, autoridades americanas têm enfatizado a necessidade de diálogo técnico e de buscar mecanismos que restabeleçam algum nível de transparência.
O Noticioso360 manteve neutralidade na apuração ao apresentar essas posições divergentes tal como reportadas pelas fontes consultadas. Entre diplomatas e analistas, prevalece a avaliação de que qualquer solução exigirá ganhos mútuos de confiança — elemento escasso no atual contexto geopolítico.
Consequências para o Brasil e a agenda multilateral
Embora o Brasil não possua ogivas nucleares, especialistas recomendam que o país mantenha postura diplomática ativa em fóruns multilaterais como a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) e a ONU. A defesa de mecanismos de verificação e transparência pode ser uma forma de mitigar riscos regionais e globais.
Além disso, atores internacionais e organizações multilaterais podem propor iniciativas de monitoramento e cooperação técnica para preencher lacunas deixadas pelo fim do New START. A eficácia, contudo, dependerá da adesão das grandes potências e da convergência de interesses estratégicos.
O que vem a seguir
O futuro imediato depende de decisões políticas em Washington e Moscou. Possíveis caminhos incluem: diálogo técnico para reativar canais de troca de informações; moratória recíproca temporária; ou negociação de um novo acordo, possivelmente ampliado para incluir outros atores relevantes.
Cada uma dessas alternativas enfrenta obstáculos práticos — desde a falta de confiança mútua até questões domésticas de política e orçamento. Ainda assim, analistas destacam que a pressão por estabilidade estratégica pode levar, no médio prazo, a iniciativas pragmáticas mesmo em cenário político tenso.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fontes
Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.
Veja mais
- Telefonema em 4 de fevereiro teve tom diplomático; ambos apontaram interesse em reduzir tensões internacionais.
- Influenciadora diz ter sofrido queda em trilha nos Alpes e foi retirada por resgate aéreo.
- Relatório da Human Rights Watch diz que 72% da população mundial vive sob regimes que restringem liberdades.



