Governo propõe exigir histórico de redes sociais de solicitantes; medida levanta dúvidas sobre privacidade e eficácia.

EUA ampliam checagem de redes sociais para vistos

EUA propõem exigir histórico de redes sociais (até cinco anos) para vistos; proposta amplia triagem e gera críticas sobre privacidade.

Proposta amplia triagem digital durante pedido de visto

O governo dos Estados Unidos propôs exigir que solicitantes de visto forneçam informações sobre perfis e atividades em redes sociais, incluindo um histórico de publicações de até cinco anos em plataformas públicas. Autoridades afirmam que a medida pretende ampliar a capacidade de identificar riscos à segurança nacional e sinais de radicalização antes da entrada no país.

O anúncio reacende um debate sobre até que ponto a coleta e a análise de dados públicos nas redes sociais ajudam a prevenir ameaças sem ferir direitos fundamentais.

Segundo análise da redação do Noticioso360, a proposta representa um aprofundamento das checagens digitais já praticadas nos últimos anos, ao ampliar o volume e o período das informações solicitadas.

O que muda na checagem digital

De acordo com autoridades do Departamento de Estado e do Departamento de Segurança Interna (DHS), a nova regra deverá padronizar a exigência de identificadores e históricos públicos das contas digitais como parte do formulário de solicitação de visto. A proposta inclui coletar nomes de usuário, URLs de perfis públicos e registros de interação em redes sociais públicas por até cinco anos.

Na prática, isso amplia a base de dados disponível para análise manual ou automatizada e pode acelerar a identificação de conexões e comportamentos que não aparecem em documentos formais. Fontes oficiais explicam que a intenção é detectar sinais de atividades extremistas, vínculos com grupos que representam riscos e padrões de comportamento incompatíveis com a admissão no país.

Críticas, vieses e limitações técnicas

Especialistas em direitos digitais e organizações da sociedade civil alertam para riscos significativos. Entre as preocupações está o potencial de falseamento de sinais: postagens antigas ou retiradas de contexto podem ser interpretadas como indícios de risco.

Algoritmos e ferramentas automatizadas também podem reproduzir vieses — por exemplo, pessoas que usam redes sociais publicamente por razões profissionais ou culturais poderiam ser indevidamente estigmatizadas. Além disso, a presença digital varia conforme idade, classe social e região; quem tem pouca atividade online pode ser menos vigiado, enquanto outros ficam expostos por motivos alheios à segurança.

Riscos legais e de governança

Juristas consultados por veículos internacionais lembram que, mesmo quando o conteúdo é público, há limites constitucionais e processuais para a coleta massiva de dados por órgãos públicos. A eficácia da medida depende de critérios claros para retenção, uso e eliminação das informações.

Sem regras bem definidas e supervisão independente, existe o risco de criação de bases de dados extensas com pouca transparência, sujeitas a erros que podem afetar solicitações legítimas de visto.

Histórico: não é uma novidade absoluta

A prática de pedir identificadores de redes sociais para pedidos de visto não é totalmente nova. Agências americanas já vinham incorporando perguntas sobre contas públicas em controles aprimorados realizados nos últimos anos, especialmente após ataques e episódios que levaram a revisar protocolos de segurança.

A novidade que chama atenção nesta proposta é a exigência explícita de histórico e publicações de vários anos, o que amplia substancialmente o volume de informação disponível para análise.

Impactos práticos para solicitantes e consulados

Na prática, solicitantes brasileiros e de outras nacionalidades devem preparar-se para fornecer uma lista mais ampla de identificadores digitais. Autoridades consulares podem ter prazos adicionais para verificação, e existe a possibilidade de exigência de complementação de informações ou entrevistas extras.

Fontes consultadas pelo Noticioso360 indicam que mudanças administrativas e sistemas internos nos consulados podem ser necessárias para processar o aumento de dados, assim como investimento em ferramentas de análise e treinamento de pessoal.

Transparência e mecanismos de recurso

Organizações de direitos humanos pedem que o governo publique critérios objetivos que justifiquem a retenção de dados, detalhem como as decisões são tomadas e estabeleçam prazos claros para eliminação das informações. Sem isso, decisões de rejeição de vistos podem se basear em sinais fracos ou equivocados, e afetados teriam poucos meios de contestação.

Cobertura midiática e verificação de fatos

A cobertura internacional destacou tanto a dimensão de segurança quanto as críticas sobre privacidade. O Noticioso360 cruzou relatórios oficiais, entrevistas e reportagens para apresentar um panorama das principais dúvidas, riscos e lacunas na narrativa pública.

Importante esclarecer uma informação que circulou nas redes: não há evidência confiável de que o ex-presidente Donald Trump tenha anunciado a revogação de vistos de cidadãos por celebrarem a morte de um ativista identificado como Charlie Kirk. A verificação indica que essa narrativa mistura eventos e nomes de forma incorreta e não corresponde a comunicados oficiais verificáveis.

Possíveis cenários e próximos passos

Se adotada, a norma deverá vir acompanhada de regulamentos complementares detalhando prazos de implementação, escopo das plataformas incluídas e mecanismos de supervisão. Tribunais, grupos de defesa de direitos civis e legisladores podem recorrer ou propor ajustes, especialmente se forem detectados problemas constitucionais ou práticos.

No Brasil, consulados e organizações civis acompanham o tema, porque qualquer mudança nas regras de visto dos EUA impacta cidadãos que viajam por motivos de turismo, estudo, trabalho ou visita familiar.

Fontes

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