A última vez que seres humanos pisaram na superfície lunar ocorreu durante a missão Apollo 17, entre 7 e 19 de dezembro de 1972. O comandante Eugene Cernan e o geólogo Harrison Schmitt caminharam pelo solo lunar em três atividades extraveiculares; na noite de 14 de dezembro, Cernan foi o último a deixar a superfície, marco simbólico do fim das missões Apollo.
Segundo análise da redação do Noticioso360, com base em dados da Reuters e da BBC Brasil, a Apollo 17 consolidou avanços científicos e registros fotográficos que ainda hoje são referenciados em estudos sobre a formação e evolução da Lua.
O que fez a Apollo 17
A Apollo 17 foi a sexta e última missão do programa Apollo a levar humanos à superfície lunar. A tripulação era formada pelo comandante Eugene Cernan, pelo piloto do módulo lunar Harrison Schmitt — o primeiro cientista profissional a caminhar na Lua — e pelo piloto do módulo de comando Ronald Evans.
Durante a missão, a equipe realizou coleta extensiva de amostras geológicas, instalou experimentos científicos para medir-severidades ambientais e fez observações que ajudaram a compor a cronologia geológica lunar. As transmissões ao vivo e as fotografias contribuíram para a memória pública do programa e amplificaram o impacto cultural da exploração espacial.
Legado científico e simbólico
As amostras trazidas pela Apollo 17 continuam a ser estudadas por pesquisadores de todo o mundo. Rochas e regolitos coletados naquela missão ajudam a compreender a história de impactos, o ciclo de vulcanismo e a idade das diferentes províncias da Lua.
Além do valor científico, a missão marcou o encerramento de uma era de voos tripulados lunares. A última pegada humana permaneceu como símbolo de uma ambição interrompida — por limitações orçamentárias, mudanças de prioridade política e o fim do programa Apollo.
Décadas sem presença humana
Após 1972, a exploração lunar passou a ser dominada por missões robóticas. Sondas orbitais, landers não tripulados e amostragens remotas permitiram avanços importantes, mas nenhum humano retornou à superfície lunar.
Por outro lado, o conhecimento adquirido nas missões tripuladas do século 20 serviu de base técnica e operacional para programas posteriores, mesmo quando o foco das agências espaciais mudou para órbita baixa e destinos como Marte.
O programa Artemis e a promessa de retorno
No século 21, a NASA redefiniu objetivos com o programa Artemis: devolver humanos à órbita e, eventualmente, à superfície lunar, usando a experiência para preparar missões a Marte. Artemis 1, missão não tripulada que testou o foguete SLS e a cápsula Orion, serviu como verificação de sistemas.
Artemis 2 está prevista como o primeiro voo tripulado do programa. A missão deverá realizar um contorno lunar — levar a cápsula e sua tripulação a orbitar ou voar ao redor da Lua sem realizar pouso. O objetivo é testar integração de sistemas, suporte à vida, comunicações e procedimentos de voo em preparação para missões que visam o retorno à superfície.
O caráter de teste integrado
Artemis 2 não tem caráter de exploração científica em solo, mas sua execução é crucial para validar tecnologias e protocolos. Testes de abortamento, comunicação de longa distância e convivência em órbita lunar serão observados atentamente por engenheiros e cientistas.
Incertezas de cronograma
O cronograma de retorno humano depende de fatores técnicos, orçamentários e políticos. A NASA e seus parceiros internacionais já revisaram janelas de lançamento em função de atrasos em fornecedores, revisões de projeto e prioridades orçamentárias do governo.
Analistas internacionais apontam que, apesar dos desafios, a agência mantém a meta estratégica de realizar uma missão tripulada ao redor ou para a superfície lunar antes do fim desta década. No entanto, a concretização depende de financiamento contínuo e da resolução de questões técnicas complexas.
O que o retorno significa para o Brasil
Para o país, o ressurgimento de voos tripulados à vizinhança lunar reacende debates sobre cooperação internacional, oportunidades para a indústria aeroespacial e formação de mão de obra especializada. Instituições acadêmicas e empresas acompanham as missões com interesse tanto científico quanto comercial.
Projetos de colaboração podem permitir acesso a dados e participação em experimentos, estimulando capacitação e potencial transferência tecnológica. Ao mesmo tempo, há discussões sobre políticas públicas e investimentos necessários para que o Brasil amplie sua presença no ecossistema espacial global.
Memória e futuro
A experiência acumulada nas décadas passadas, combinada com tecnologias contemporâneas — como sistemas de propulsão, comunicação e materiais — determinará como a próxima presença humana no entorno lunar será planejada e executada.
Mesmo um contorno da Lua será um marco técnico e simbólico: servirá para testar procedimentos, restaurar rotinas de voo tripulado além da órbita baixa e preparar missões mais ambiciosas, incluindo pousos coordenados com parceiros internacionais.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político e tecnológico nas próximas décadas.



