Empresa oferece pagamentos ao longo de até 21 anos para encerrar processos nos EUA sobre o herbicida Roundup.

Bayer propõe acordo de até US$ 7,25 bi pelo Roundup

Bayer propõe acordo de até US$ 7,25 bilhões para resolver ações nos EUA relacionadas ao herbicida Roundup, com pagamentos decrescentes por até 21 anos.

A Bayer apresentou uma proposta de acordo que pode alcançar até US$ 7,25 bilhões para encerrar ações judiciais nos Estados Unidos sobre o herbicida Roundup, produzido originalmente pela Monsanto, empresa adquirida pelo grupo alemão. Documentos preliminares submetidos à corte indicam que o plano prevê um cronograma de pagamentos escalonados ao longo de até 21 anos, com valores iniciais maiores e reduções progressivas nas parcelas subsequentes.

Segundo análise da redação do Noticioso360, a proposta busca resolver tanto reivindicações já em andamento quanto reclamações futuras, criando um mecanismo único de compensação que evitaria a multiplicação de processos individuais. As informações foram apuradas a partir de reportagens especializadas e documentos judiciais consultados pela redação.

Como funcionaria o pagamento

De acordo com os termos preliminares, o acordo estabelece um teto máximo de desembolso — a famigerada cifra de US$ 7,25 bilhões — e uma estrutura em que as parcelas anuais diminuem com o avanço do plano. Nos primeiros anos, os valores projetados seriam mais elevados para atender a reivindicações de vítimas com casos já diagnosticados ou em estágio avançado.

O cronograma prevê critérios específicos para elegibilidade, incluindo provas de exposição ao glifosato, histórico médico e critérios de avaliação clínica. A empresa também propõe um sistema de verificação e triagem médica destinado a reduzir fraudes e reivindicações sem respaldo clínico.

Quem pode reivindicar

O acordo contemplaria tanto demandantes atuais quanto potenciais reclamantes futuros. Isso significa que, além de encerrar processos já ajuizados, o programa permitiria que novos que se considerem prejudicados pelo uso do Roundup submetessem pedidos de compensação sem abrir ações individuais contra a Bayer.

Advogados que representam grupos de demandantes, porém, expressaram reservas sobre critérios de cálculo dos pagamentos, limites de elegibilidade e possíveis exclusões. Entre as preocupações apontadas estão a definição de categorias de risco, a valoração de danos não econômicos e a necessidade de preservação do direito ao processo para casos mais complexos.

Controvérsias e críticas

Críticos afirmam que um teto agregado pode não atender de forma justa as vítimas com lesões mais graves ou aquelas que não conseguem cumprir requisitos administrativos rígidos. Por outro lado, a Bayer sustenta que a solução oferece previsibilidade à companhia e aos demandantes, além de reduzir custos processuais e incertezas judiciais a longo prazo.

Há também debate técnico sobre a aplicação da revisão médica das reclamações: algumas matérias consultadas pela redação ressaltam mecanismos mais robustos para conter fraudes; outras destacam que esses filtros poderiam excluir casos legítimos por falta de documentação ou dificuldades de comprovação de exposição.

Trâmite judicial e possíveis desdobramentos

O acordo precisa ser submetido à aprovação de um juiz federal responsável por supervisionar a ação coletiva nacional. A corte avaliará se os termos são justos, razoáveis e adequados aos interesses dos representados. São esperadas audiências públicas e eventuais impugnações antes de qualquer homologação definitiva.

Especialistas consultados por veículos internacionais indicam que o processo de homologação pode demandar meses e estar sujeito a recursos, especialmente se um número relevante de demandantes se opuser aos termos ou solicitar esclarecimentos sobre critérios de elegibilidade e cálculo de indenizações.

Impacto para o Brasil

Em território brasileiro, a proposta tem natureza mais informativa e política do que jurídica: uma eventual homologação nos EUA não altera automaticamente ações judiciais locais, mas tende a reavivar debates sobre a regulação de agrotóxicos, rotulagem e responsabilidade corporativa.

Associações do setor agrícola, autoridades regulatórias e movimentos ambientalistas provavelmente acompanharão o desfecho com atenção, tanto por possíveis reflexos na imagem da companhia quanto por eventuais repercussões sobre políticas públicas e práticas agrícolas que dependem do glifosato.

Reações corporativas

A Bayer informou, em comunicado citado nas reportagens, que a proposta visa proporcionar uma solução final para litígios relacionados ao produto nos Estados Unidos, reduzir custos jurídicos e oferecer compensação organizada às vítimas. A empresa nega que a proposta configure uma admissão de culpa, ressaltando que a intenção é evitar anos de litígios adicionais.

Advogados dos demandantes, por sua vez, permanecem céticos quanto ao valor total e aos critérios de alocação. Alguns representantes defendem que a quantia, ainda que elevada em termos absolutos, pode ser insuficiente quando diluída entre milhares de possíveis reclamantes ao longo de duas décadas.

Contexto científico e legal

As ações judiciais se baseiam na alegação de que a exposição ao glifosato — ingrediente ativo do Roundup — contribuiu para o desenvolvimento de determinados tipos de câncer, com destaque para o linfoma não-Hodgkin. Enquanto alguns estudos e decisões judiciais anteriores estabeleceram conexões em casos específicos, a comunidade científica segue dividida quanto à causalidade direta e à magnitude dos riscos.

No plano jurídico, acordos desse porte representam uma tentativa de balancear risco, custo e previsibilidade: para a empresa, limitar passivos; para os demandantes, obter compensações sem depender de desfechos incertos em tribunais.

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Fechamento e projeção

Se homologado, o acordo pode encerrar uma etapa significativa das litígios nos EUA, mas também deixar perguntas em aberto sobre reparação integral, acesso à justiça e precedentes para casos ambientais e de saúde pública. No Brasil e globalmente, o desfecho deve alimentar debates regulatórios e políticos sobre o uso de agrotóxicos e responsabilidade das multinacionais.

Analistas voltados para direito empresarial e políticas públicas observam que a medida pode influenciar estratégias de compliance e gestão de risco em outras companhias do setor agrícola, além de moldar políticas de transparência sobre exposição a ingredientes químicos.

Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.

Fontes

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