Pesquisas atribuídas a cientista italiano viralizaram, mas não há validação independente em veículos e órgãos oficiais.

Alegações sobre estruturas sob as pirâmides seguem sem confirmação

Afirmações de enormes cilindros em espiral sob as pirâmides do Egito não foram confirmadas por veículos independentes nem por autoridades arqueológicas.

Resumo da investigação

Mensagens que circulam nas redes afirmam que um pesquisador italiano teria identificado oito cilindros em espiral sob as pirâmides do Egito, conectando-os a uma câmara a cerca de 700 metros de profundidade. A história ganhou versões sensacionalistas que mencionam “novas tecnologias” e supostos testes por empresas privadas.

Segundo análise da redação do Noticioso360, com base em dados da Reuters e da BBC Brasil, não foram encontradas confirmações independentes dessas alegações em veículos de referência nem em comunicados oficiais do governo egípcio.

O que está sendo divulgado

A peça central da narrativa nomeia o pesquisador Filipo Biondi como autor de varreduras que teriam detectado estruturas cilíndricas e uma escadaria em espiral. Publicações e posts nas redes sociais avançam além da detecção, afirmando que empresas privadas teriam validado a descoberta e que há uma câmara profunda conectada à suposta escadaria.

Essas versões costumam misturar termos técnicos com interpretações conclusivas, sugerindo funcionalidades (como câmaras ou complexos subterrâneos) que não aparecem em relatórios científicos públicos conhecidos.

O que a ciência já confirmou sobre cavidades

Em pesquisas anteriores, métodos como a tomografia por múons identificaram anomalias dentro da Grande Pirâmide de Quéops. Matérias publicadas por agências como Reuters e BBC em 2017 noticiaram a detecção de um “void” — uma cavidade desconhecida — por sensores remotos.

No entanto, essas descobertas foram tratadas com cautela: os especialistas destacaram que o método detecta variações de densidade, mas não define função, forma precisa ou profundidade em termos de acessos e estruturas em espiral.

Por que a alegação atual exige cautela

Há duas frentes distintas que precisam ser separadas. Primeiro, a detecção remota e a interpretação preliminar de dados; segundo, a afirmação conclusiva sobre a existência de uma estrutura específica e sua função. A apuração do Noticioso360 encontrou mistura dessas frentes em conteúdos compartilhados online.

Além disso, não foram localizadas matérias detalhadas nos principais veículos consultados (Reuters, BBC Brasil, G1, CNN Brasil, Folha, Estadão, DW, Agência Brasil) nem notas públicas do Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito que corroborem as alegações.

Métodos e limitações das tecnologias remotas

Técnicas como tomografia por múons, radar de penetração no solo e varreduras geofísicas são úteis para mapear anomalias, mas dependem de interpretação complexa. Um sinal detectado pode indicar vazio, diferença de densidade ou mesmo alterações na composição das pedras.

Validações mais robustas exigem, idealmente, cruzamento com métodos complementares e, quando possível, intervenção arqueológica controlada — o que raramente é imediato em sítios como as pirâmides, por razões de preservação e segurança.

Interpretação e verificação

Pesquisadores e órgãos oficiais costumam publicar relatórios técnicos ou artigos revisados por pares antes de aceitar interpretações definitivas. Em muitos casos, anúncios preliminares passam por revisão e podem ser reinterpretados à luz de novos dados.

Como foi feita a verificação do Noticioso360

A apuração incluiu cruzamento de buscas em bases de notícias internacionais, checagem de comunicados institucionais ligados a projetos de escaneamento e comparação com reportagens antigas sobre tomografias por múons.

Também foi observada a rotina de órgãos egípcios: o Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito costuma emitir pronunciamentos em casos sensíveis. A ausência de nota pública recente foi um indicador relevante para a cautela editorial.

O papel das empresas privadas e grupos menores

Não se pode descartar que grupos menores ou empresas privadas possuam dados adicionais. No entanto, para que uma afirmação extraordinária seja aceita, a prática jornalística e científica recomenda pelo menos um dos dois pilares: publicação em veículo científico revisado por pares ou nota oficial das autoridades responsáveis.

Até o momento, a dupla validação não foi encontrada para as alegações relacionadas a Biondi e aos supostos cilindros em espiral.

Confrontando versões e sensacionalismo

As versões mais sensationalistas omitiram o contexto científico e extrapolaram resultados preliminares. Veículos e agências independentes, quando cobriram pesquisas sobre as pirâmides, enfatizaram a necessidade de confirmação por métodos complementares.

Essa diferença entre cobertura responsável e posts virais ajuda a explicar por que manchetes impressionantes não encontram respaldo em reportagens aprofundadas.

O que a redação recomenda

Leitores devem tratar afirmações extraordinárias com ceticismo até que sejam apresentadas evidências verificáveis. Buscar comunicações oficiais e publicações científicas é um caminho mais seguro para confirmar descobertas arqueológicas.

Próximos passos e desdobramentos possíveis

Os próximos passos prováveis incluem pedidos de esclarecimento a grupos de pesquisa mencionados nas alegações, checagem junto ao Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito e busca por publicações científicas ou relatórios técnicos emitidos por empresas que alegam ter conduzido varreduras.

Se documentos técnicos ou notas oficiais forem divulgados, a história poderá ser atualizada com novos dados e análises.

Fontes

Veja mais

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Analistas e pesquisadores lembram que tecnologias de varredura podem trazer novos dados, mas a confirmação científica e oficial continua sendo determinante para transformar rumores em fatos.

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