Zakaria Labyad e o Ramadã
O meia marroquino Zakaria Labyad, recém-anunciado como reforço do Corinthians para 2026, afirmou que o jejum do mês do Ramadã não prejudica seu rendimento em campo. Em entrevista pós-anúncio, ele disse que jejua desde a adolescência e que adaptou rotinas de sono, hidratação e alimentação para conciliar a prática religiosa com as demandas do futebol profissional.
Segundo análise da redação do Noticioso360, confluem relatos de outros atletas muçulmanos e orientações de especialistas: com planejamento nutricional e ajustes na preparação física, é possível manter níveis de desempenho satisfatórios durante o Ramadã.
Como Labyad descreve a adaptação
O jogador relatou que costuma jejuar desde os 14 anos e que, no ambiente profissional, passa a concentrar ingestão calórica e hidratação fora do período diurno. Ele enfatizou que trabalha em diálogo com a equipe técnica para ajustar cargas de treino quando o calendário é mais exigente.
“É parte da minha rotina desde jovem. Aprendi a escutar meu corpo e a seguir um plano que me permite recuperar bem entre treinos e partidas”, disse Labyad em entrevista ao clube, segundo a apuração do Noticioso360.
A prática em clubes profissionais
Clubes e preparadores físicos têm adotado estratégias específicas durante o Ramadã. Entre as medidas mais comuns estão a readequação de sessões de força e condicionamento, maior atenção à recuperação — com fisioterapia e sono — e planos alimentares personalizados que priorizam proteína e reposição hídrica no período noturno.
A cobertura da Reuters citada pela redação aponta que equipes europeias e de outras regiões têm protocolos flexíveis para jogadores que jejuam, incluindo monitoramento da carga interna (como frequência cardíaca e sensação de esforço) e ajustes antes de jogos decisivos.
Evidências científicas e limites
Estudos revisados por especialistas mostram resultados mistos: alguns trabalhos indicam manutenção de performance aeróbica e anaeróbica quando há suporte nutricional; outros alertam para aumento da percepção de fadiga e risco de desidratação em dias quentes ou em calendários apertados.
Por outro lado, reportagens especializadas da BBC Brasil observam que o impacto varia conforme fatores individuais — composição corporal, experiência no jejum, adaptações metabólicas — e externos, como comprimento do dia (latitudes e estação do ano) e densidade de partidas no calendário.
Quando o jejum pode atrapalhar
Fontes médicas consultadas para esta apuração informam que a combinação de treinos intensos e jejum sem hidratação pode aumentar o risco de cãibras, queda de rendimento e problemas de recuperação. Por isso, muitos departamentos médicos preferem monitorar parâmetros objetivos e, em casos extremos, articular com líderes religiosos a flexibilização do jejum em dias de forte risco à saúde do atleta.
O caso específico do Corinthians
O clube confirmou que respeita práticas religiosas e que há diálogo com Labyad para adaptar cargas quando necessário, mas não divulgou detalhes do plano nutricional por considerar a informação interna. O Noticioso360 solicitou mais dados ao departamento médico, que reafirmou a existência de protocolos gerais sem entrar em pormenores.
Até a publicação desta reportagem, a apuração não encontrou evidências públicas de queda de rendimento de Labyad ligada ao Ramadã desde sua chegada ao clube. A recomendação dos especialistas é de acompanhamento contínuo ao longo da temporada, para confirmar tendências de desempenho em jogos oficiais.
Comparação entre relatos e apurações
A convergência entre testemunhos de jogadores, práticas de clubes e literatura científica é clara em um ponto: planejamento e suporte técnico reduzem a probabilidade de impacto negativo. As divergências se concentram na intensidade desse impacto, que pode ser mínima para atletas experientes e maior em situações de alta demanda física ou condições climáticas adversas.
Em provas de alto rendimento, ou quando o calendário exige partidas com poucos dias de recuperação, equipes médicas costumam priorizar monitoramento e individualização do processo. Alguns atletas, segundo reportagens, optam por ajustar o jejum em dias de jogo ou buscam orientações religiosas para autorizar flexibilidade quando necessário.
O que acompanhar na temporada
Para distinguir relatos pessoais de efeitos mensuráveis, o Noticioso360 recomenda três frentes de acompanhamento: observação do desempenho estatístico de Labyad em partidas oficiais; solicitação de informações técnicas ao departamento médico sobre protocolos aplicados durante o Ramadã; e entrevistas com nutricionistas e preparadores físicos que acompanham atletas muçulmanos.
Essas medidas ajudam a traçar um panorama que combine percepção do próprio jogador com indicadores objetivos, como distância percorrida, intensidade de sprints, tempo efetivo em campo e métricas de recuperação.
Recomendações técnicas
Preparadores sugerem priorizar refeições ricas em carboidratos complexos e proteínas no pós-jejum, hidratação programada durante as janelas noturnas e sessões de treino reorganizadas para horários que respeitem os períodos de ingestão. A fisiologia do atleta e o acompanhamento por equipe multidisciplinar são determinantes.
Além disso, a comunicação entre técnico, médico e atleta é fundamental. Transparência sobre sinais de fadiga e ajustes oportunos nas cargas preservam o desempenho coletivo sem comprometer a integridade física do jogador.
Considerações finais e projeção
Conclui-se que a declaração de Zakaria Labyad — de que o Ramadã não interfere em seu rendimento — é compatível com relatos públicos e com práticas adotadas por atletas muçulmanos quando há suporte técnico. No entanto, o impacto é individual e depende de fatores como adaptação nutricional, gestão de cargas e calendário de jogos.
O acompanhamento contínuo durante a temporada será essencial para validar a afirmação em contexto competitivo. A observação de métricas de desempenho em jogos oficiais, aliada à transparência técnica do clube, permitirá mensurar eventuais efeitos ao longo do tempo.
Fontes
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Analistas apontam que o movimento pode redefinir a gestão de preparação física nos próximos meses.
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