Um vídeo gravado durante o primeiro dia letivo na Escola Estadual Prof. Luciana Damas Bezerra, em Caçapava (SP), viralizou ao mostrar um professor escrevendo termos com grafia considerada incorreta na lousa. Nas imagens divulgadas por afiliada da TV Globo, aparecem as palavras “descançar” e “cotinêcia”.
As formas corretas, conforme o uso ortográfico padrão, são “descançar” (observa-se que o erro identificado foi de acentuação ou uso coloquial) e “continência”. A sequência registrada no vídeo despertou reações de estudantes e de integrantes da comunidade escolar, e reacendeu debate sobre formação docente e critérios de contratação em unidades com gestão cívico-militar.
Segundo análise da redação do Noticioso360, que cruzou o vídeo da afiliada da TV Globo com a cobertura do G1 e o posicionamento do sindicato Apeoesp, a gravação confirma a sequência dos fatos divulgada nas redes. As divergências aparecem nas interpretações institucionais sobre a gravidade do episódio.
O que mostra o vídeo
As imagens foram gravadas durante uma aula e mostram o professor escrevendo no quadro as palavras citadas. Alunos registraram o momento com celulares; em alguns trechos é possível ver olhares e reações sutis de estudantes. A reportagem que divulgou o vídeo disponibilizou trechos curtos, sem a íntegra da aula, mas suficientes para apontar a grafia adotada pelo docente.
Em declaração curta à afiliada, o professor aparece fazendo comentário sucinto; não houve, no material divulgado, detalhamento de explicações mais amplas ou contextualização pedagógica por parte do docente.
Posicionamentos oficiais
A direção da escola informou, em nota ao G1, que o episódio se trata de uma falha pontual. Segundo a instituição, foi aberto diálogo com o professor para esclarecimentos e orientações pedagógicas, além de encaminhamentos internos para apoio e formação, quando necessário.
Por outro lado, o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) divulgou nota crítica, afirmando que o caso expõe problemas mais amplos de formação, supervisão e critérios de escolha de profissionais para atuar em escolas com gestão cívico-militar. A entidade solicitou apuração administrativa e reforço na avaliação das práticas pedagógicas nessas unidades.
Secretaria de Educação
A Secretaria Estadual de Educação, procurada pela reportagem, informou que acompanha a situação e que procedimentos internos para apuração e orientação pedagógica foram acionados. Não havia, até o momento da última atualização, registro de sanção pública contra o professor ou de processo formal divulgado que resultasse em afastamento.
Contexto e implicações
Erros isolados de grafia não equivalem, por si só, a diagnóstico exhaustivo sobre a qualidade do trabalho docente. Especialistas consultados por veículos locais lembram que é preciso avaliar desempenho ao longo do tempo, condições de trabalho, formação continuada e a supervisão escolar.
No entanto, a visibilidade proporcionada pelo vídeo funciona como ponto de entrada para investigação documental e pedagógica. Para representantes sindicais, episódios como esse podem indicar lacunas na formação inicial e na atualização didática dos profissionais.
Defensores do modelo cívico-militar argumentam que incidentes pontuais não devem ser usados para criminalizar uma política pública e que o formato precisa vir acompanhado de acompanhamento técnico e formação específica para os docentes alocados nas escolas com essa gestão.
Medidas previstas
De acordo com fontes consultadas na apuração, as medidas mais prováveis a curto prazo incluem revisão e diálogo interno da direção escolar, orientações pedagógicas ao docente e, se necessário, encaminhamento para formação continuada. A médio prazo, a repercussão pode levar a debates sobre critérios de seleção e avaliação de profissionais que atuam em unidades cívico-militares.
Até o momento não há indicação pública de processo disciplinar concluído. A prefeitura e a Secretaria Estadual de Educação seguem acompanhando e, segundo nota, os procedimentos administrativos foram acionados para esclarecimentos.
O debate sobre formação e supervisão
Especialistas em educação ouvidos por reportagens locais ressaltam que a qualidade do ensino depende de um conjunto de fatores: formação inicial do docente, acesso a atualização pedagógica, condições de trabalho e supervisão contínua pela direção e pela rede. Falhas pontuais podem sinalizar problemas sistêmicos se ocorrerem em frequência maior.
Há ainda a questão da exposição pública: vídeos virais amplificam casos isolados e tendem a polarizar interpretações, dificultando avaliações mais técnicas e menos imediatistas.
Curadoria e metodologia
A apuração do Noticioso360 confrontou o vídeo divulgado pela afiliada da TV Globo, a reportagem do G1 e o posicionamento público do sindicato Apeoesp. Foram procuradas a direção da escola e a Secretaria Estadual de Educação. Eventuais respostas oficiais foram incorporadas conforme publicadas pelas fontes citadas.
Onde há divergência, esta publicação traz os dois lados: a direção escolar trata o caso como incidente isolado, enquanto a Apeoesp pede investigação e medidas corretivas.
Fontes
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Analistas apontam que o episódio pode motivar alterações em políticas de formação docente e critérios de seleção nas escolas cívico-militares nos próximos meses.
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