Um relatório preliminar do Exame Nacional de Medicina (Enamed), aplicado em outubro de 2025, indica que aproximadamente quatro em cada dez concluintes de cursos privados não atingiram os níveis de proficiência considerados essenciais para a prática médica segura.
O teste foi aplicado a cerca de 39 mil formandos, segundo dados divulgados pelas pastas responsáveis e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Em linhas gerais, os resultados apontam diferenças consistentes entre concluintes de instituições públicas e privadas, com lacunas mais visíveis em habilidades clínicas e decisões emergenciais.
Segundo análise da redação do Noticioso360, que cruzou comunicados oficiais e reportagens de veículos nacionais, as maiores deficiências foram observadas em raciocínio clínico, diagnóstico diferencial e tomada de decisão em situações de urgência.
O que mostram os números
De acordo com os dados preliminares, o Enamed avaliou domínios considerados críticos para a prática médica — comunicação com o paciente, abordagem clínica, interpretação de exames e manejo de urgências. Na média geral, concluintes de estabelecimentos privados apresentaram taxa de acerto inferior à média dos públicos.
Fontes consultadas pela reportagem relatam que cursos privados mais recentes ou com maior oferta de vagas foram os que mais frequentemente registraram desempenho abaixo das médias. Ainda assim, há instituições privadas tradicionais que obtiveram resultados equivalentes ou superiores a várias escolas públicas, o que demonstra heterogeneidade no setor.
Áreas com maior lacuna
As defasagens concentraram-se em três áreas:
- Raciocínio clínico e formulação de hipóteses diagnósticas;
- Diagnóstico diferencial, especialmente em quadros agudos;
- Tomada de decisão em situações de urgência e emergência.
Especialistas ouvidos destacaram que essas competências demandam prática supervisionada e vivência em plantões e cenários hospitalares, o que nem sempre é uniforme entre cursos e hospitais conveniados.
Reações oficiais e propostas de ação
Em nota coletiva, os ministérios da Educação e da Saúde e o Inep reforçaram o caráter diagnóstico do exame e afirmaram que os dados servirão para orientar políticas públicas. Entre as medidas citadas estão revisões curriculares, programas de formação continuada e apoio a estágios supervisionados.
“O Enamed tem por objetivo mapear pontos de melhoria e subsidiar ações de regulação e qualificação da formação médica”, afirmou um porta-voz do Inep.
Parlamentares das comissões de Educação e Saúde já anunciaram que podem apresentar propostas de fiscalização mais intensa e projetos voltados à garantia de padrões mínimos de formação médica.
Críticas e ressalvas do setor formador
Representantes de universidades e associações médicas pediram cautela na interpretação dos resultados. Eles argumentam que o exame avalia competências específicas e que variações podem refletir diferenças temporais de currículo, perfil dos concluintes e formato de aplicação.
Alguns reitores consultados destacaram que índices de proficiência não devem, isoladamente, levar a sanções ou fechamento de cursos sem etapas adicionais de investigação e acompanhamento.
“É preciso analisar microdados, contextos locais de ensino prático e os mecanismos de avaliação contínua antes de tirar conclusões sobre a qualidade de uma instituição”, afirmou um reitor de universidade com curso de medicina.
Impacto para recém-formados e possíveis medidas práticas
Especialistas indicam que o impacto prático do diagnóstico sobre a atuação futura dos médicos dependerá de políticas de acolhimento e aperfeiçoamento. Entre as alternativas comentadas estão:
- Programas de residência e treinamentos práticos ampliados;
- Estágios supervisionados suplementares para recém-formados;
- Cursos de reciclagem e capacitação focados em urgências e raciocínio clínico.
Essas medidas, segundo especialistas, podem mitigar deficiências detectadas, especialmente quando combinadas com avaliações longitudinais que acompanhem o desempenho dos profissionais no mercado.
Diferenças de ênfase na cobertura da imprensa
A apuração do Noticioso360 identificou variações de enfoque entre veículos: reportagens próximas a administrações públicas enfatizaram o caráter diagnóstico e a necessidade de intervenções estruturais; textos com foco acadêmico ressaltaram limitações metodológicas do teste e cobraram análises complementares.
Opiniões editoriais levantaram também o risco de estigmatização de gerações de profissionais se índices de proficiência forem utilizados de forma simplista em debates públicos.
Recomendações da redação
Com base na apuração e nas discussões com especialistas, a redação do Noticioso360 recomenda quatro frentes prioritárias:
- Abertura de processos de revisão curricular com participação de instituições e conselhos profissionais;
- Implementação de programas de reforço prático para recém-formados;
- Transparência nas metodologias do exame e liberação de microdados para análise independente;
- Acompanhamento longitudinal dos profissionais avaliados.
Limitações da apuração
Esta reportagem foi produzida com base em conteúdos oficiais e em coberturas de veículos nacionais. Nem todas as páginas e microdados foram acessadas em tempo real durante a apuração; por isso, recomendamos aos leitores consulta direta aos comunicados do Inep e das pastas envolvidas para verificação complementar.
Projeção
Analistas consultados afirmam que a reação do setor formador e a velocidade de implementação das medidas propostas serão determinantes para transformar o diagnóstico em melhoria concreta. Caso o debate avance para mudanças curriculares coordenadas, os efeitos podem se ver refletidos nas próximas safras de formandos. Por outro lado, a politização do tema pode adiantar medidas punitivas sem resolver as causas estruturalmente.
Fontes
- Inep — 2025-11-20
- Ministério da Educação — 2025-11-20
- Ministério da Saúde — 2025-11-20
- Reuters — 2025-11-21
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.



