Analistas recomendam manutenção da Selic diante da desaceleração, mas alertam para riscos fiscais e núcleos inflacionários.

XP e Santander pedem cautela ao Copom

Analistas da XP e Santander aconselham que o Copom mantenha a Selic, citando desaceleração da inflação e riscos fiscais.

Economistas recomendam pausa monitorada na política monetária

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central encontra-se em um momento de avaliação delicada. Enquanto indicadores recentes apontam desaceleração do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), analistas consultados por bancos de atacado recomendam postura cautelosa na reta final de 2025.

Em eventos organizados separadamente pela XP e pela Santander Asset, especialistas defenderam que a melhor estratégia neste estágio é manter a taxa Selic, observando com atenção a evolução dos núcleos inflacionários e sinais fiscais.

Curadoria e cenário

De acordo com dados compilados pelo Noticioso360, a posição compartilhada pelos analistas combina a leitura favorável sobre a desaceleração do IPCA com a necessidade de vigilância sobre choques de oferta e pressão de serviços.

No debate promovido pela XP, economistas liderados por especialistas do banco avaliaram que, embora os números mais recentes sejam um alívio, ainda não há evidência suficiente de que a inflação caminhe de maneira sustentável para a meta sem risco de reabertura. “Decisões precipitadas podem levar a novas altas caso surjam choques de oferta ou aceleração de preços em serviços”, afirmou Rodolfo Margato durante o evento.

Argumentos do mercado

Representantes da Santander Asset, como Eduardo Jarra e Luciano Rais, reforçaram que uma manutenção prolongada da Selic pode consolidar ganhos recentes e reduzir a volatilidade nos mercados. “Manter a taxa por mais tempo evita reabertura de pressões de preços e permite que as expectativas se ancorem”, disse um dos executivos em sua apresentação.

Ao confrontar essas exposições com reportagens especializadas, há convergência na recomendação por cautela. Reportagens da Reuters já apontavam que parte do mercado precifica estabilidade na taxa diante de sinais de desaceleração, enquanto análises do Valor Econômico destacam persistência de rigidez em núcleos e setores de serviços.

Riscos que ainda preocupam

Além da leitura técnica sobre índices, fontes consultadas lembram que fatores externos permanecem relevantes. Variações no preço de commodities, pressões sobre o câmbio e o ritmo de apertos monetários em economias avançadas podem impactar a inflação doméstica e, consequentemente, a resposta do Copom.

Na esfera fiscal, surpresas em receitas ou ajustes de gasto público também são citadas como gatilhos capazes de alterar expectativas e forçar uma nova revisão da política monetária. Para analistas, o risco fiscal funciona como uma das principais variáveis a serem monitoradas nas próximas semanas.

Comunicação do Copom

Outro ponto prático levantado pelos estrategistas é a maneira como o Banco Central comunica sua intenção. Há divergência entre insistir em uma linguagem que preserve a opção de alta e privilegiar uma mensagem de pausa monitorada para não alarmar mercados e agentes econômicos.

Segundo a análise técnica apresentada pelas mesas, comunicar de forma clara os critérios que levariam a uma revisão do posicionamento — por exemplo, aceleração persistente dos núcleos ou choques fiscais — pode reduzir ruídos e ancorar expectativas de inflação.

O que os próximos indicadores dizem

Para o mercado, os próximos boletins de inflação, a ata do Copom e indicadores fiscais serão determinantes. Uma sequência de números que confirme desaceleração dos núcleos e contenção dos preços de serviços pode ampliar espaço para uma manutenção mais longa da Selic.

Por outro lado, dados que sinalizem retomada de pressões, especialmente em segmentos de serviços, ou deterioração fiscal, poderiam exigir respostas mais enérgicas do Banco Central, inclusive com nova rodada de aumentos.

Implicações para investidores e consumidores

Uma postura de manutenção da Selic tende a reduzir movimentos abruptos em ativos de renda fixa e ações sensíveis a juros. Para consumidores, a principal implicação é a manutenção do custo do crédito em patamar elevado, o que pode frear a demanda por crédito no curto prazo.

No cenário de políticas públicas, a estabilidade permite que ajustes fiscais sejam avaliados com menos pressão imediata sobre a inflação, mas aumenta a importância de sinais claros sobre o equilíbrio das contas públicas.

Conclusão e projeção

A apuração da redação conclui que, no conjunto da evidência, a recomendação predominante é por manutenção da Selic com vigilância reforçada. A estratégia equilibra o benefício de observar os efeitos das medidas já implementadas e a prudência diante de riscos não resolvidos.

Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.

Fontes

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Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

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