Uma semana após a liquidação do Will Bank, trabalhadores da instituição relatam incerteza sobre o recebimento de salários, benefícios e verbas rescisórias. Em relatos coletados por repórteres, a ausência de um cronograma público deixou empregados e ex-empregados sem orientação clara sobre prazos e procedimentos.
Segundo análise da redação do Noticioso360, que cruzou informações publicadas na imprensa e depoimentos coletivos, há evidências de comunicação limitada por parte da liquidadora e um movimento espontâneo de organização entre profissionais afetados.
Lista colaborativa e organização entre trabalhadores
Fontes ouvidas pela reportagem relatam que uma planilha compartilhada entre ex-funcionários reúne mais de 900 nomes. O documento, segundo relatos, foi construído de forma colaborativa para facilitar contatos, mapear demissões e acelerar buscas por recolocação.
“A planilha virou um ponto de encontro: trocamos contatos, dicas de vagas e informações sobre processos seletivos”, disse um ex-funcionário que participou da construção do arquivo e pediu para não ser identificado. Profissionais de RH e consultores ouvidos afirmam que iniciativas desse tipo ajudam na busca por vagas, mas não substituem canais formais para reivindicação de direitos trabalhistas.
Confusão sobre salários e verbas rescisórias
Trabalhadores ouvidos pela reportagem demonstraram preocupação com a falta de uma data oficial para pagamento de salários, férias proporcionais, aviso prévio e multa do FGTS. Em alguns depoimentos, há relatos isolados de atrasos e de dificuldades para obter informações pela via oficial.
Comunicados formais ligados ao processo de liquidação, quando emitidos, tendem a tratar do trâmite institucional e da regularidade técnica do procedimento. No entanto, essas mensagens nem sempre esclarecem o impacto prático para cada trabalhador, gerando dúvidas sobre prioridades e prazos.
Aspecto legal e hierarquia de créditos
Especialistas em direito trabalhista consultados por veículos indicam que, em processos de liquidação, os créditos trabalhistas têm preferência em relação a muitos outros débitos. Ainda assim, a efetividade do pagamento depende da existência de recursos suficientes e das decisões do órgão liquidante.
“A legislação dá prioridade aos créditos trabalhistas, mas na prática a liberação dos valores pode ser lenta”, afirmou um advogado trabalhista ouvido por veículos. Ele recomendou que empregados reúnam documentação que comprove vínculo e valores devidos para facilitar eventual habilitação de crédito junto à liquidação.
Comunicação da liquidação e falta de cronograma público
A reportagem buscou contato com representantes legais da liquidação e com comunicados oficiais para obter cronogramas ou orientações específicas aos empregados, mas não conseguiu levantar um calendário público detalhado até o fechamento deste texto.
Em nota técnica divulgada ao mercado, a liquidadora explicou aspectos processuais da operação, mas não apresentou, em canais consultados, um calendário individualizado de pagamento aos trabalhadores afetados. A lacuna de comunicação intensificou o sentimento de insegurança entre a massa trabalhadora.
Iniciativas práticas e orientações a trabalhadores
Diante do cenário, sindicatos, advogados trabalhistas e consultores de carreira orientam passos práticos para quem busca proteger direitos e acelerar a recolocação.
- Reunir documentos: contratos, holerites, comunicados internos e comprovantes de verbas não pagas.
- Procurar sindicato ou advogado: para orientação sobre habilitação de crédito e ações coletivas, se necessário.
- Acompanhar publicações oficiais: diários oficiais e comunicados da liquidação podem trazer prazos e instruções.
- Usar a planilha com cautela: manter o documento colaborativo como ferramenta de contato, sem substituir canais formais de reclamação.
Profissionais de RH ouvidos ressaltam que, ao mesmo tempo em que a planilha facilita trocas rápidas, registros oficiais e reclamações formais no Ministério do Trabalho ou na Justiça do Trabalho são fundamentais para garantir direitos.
Impacto imediato e busca por renda
Além da preocupação com verbas trabalhistas, há relatos de funcionários que já buscam alternativas de renda, combinando trabalhos temporários e processos seletivos. Consultores indicam que a mobilização coletiva acelera o fluxo de oportunidades e a troca de informações sobre vagas.
“Muitos optam por não esperar indefinidamente. A rede de contatos criada entre ex-colegas tem ajudado quem precisa de renda imediata”, disse um consultor de carreira que acompanhou o movimento.
Divergências entre versões e verificação
A apuração do Noticioso360 identificou divergências entre matérias que enfatizam relatos de atraso e comunicados institucionais que tratam do processo com linguagem técnica. Em nenhum dos relatos verificados há indício de que pagamentos foram concluídos de forma sistemática para toda a massa demitida.
Essa divergência de narrativa reforça a necessidade de documentos oficiais e de transparência por parte da liquidação, além de acompanhamento jurídico individualizado por parte dos trabalhadores.
O que esperar a curto e médio prazo
Especialistas alertam que a tramitação de processos de liquidação pode durar semanas ou meses, dependendo da complexidade patrimonial e da disponibilidade de recursos. Enquanto isso, a comunicação clara ao público afetado pode reduzir incertezas e prevenir reclamações processuais mais demoradas.
Se houver divulgação de cronogramas oficiais, a Redação do Noticioso360 publicará os documentos e atualizará orientações práticas para os trabalhadores, conforme prometido pela equipe de apuração.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fontes
Analistas apontam que o movimento pode redefinir a forma como liquidações financeiras comunicam decisões aos empregados nas próximas ocasiões.
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