Investigação indica que terreno em Contagem oferecido ao BRB não foi transferido nem quitado.

Pai de Vorcaro ofereceu terreno ao BRB que não foi quitado

Apuração do Noticioso360 reúne documentos e aponta que terreno em Contagem indicado para ressarcir o BRB não teve quitação nem transferência formal.

O terreno de cerca de 76 mil metros quadrados em Contagem oferecido como forma de ressarcimento ao Banco de Brasília (BRB) não foi quitado nem transferido formalmente, segundo registros judiciais e reportagens sobre o caso.

Em linhas gerais, a disputa envolve a oferta do imóvel como compensação por débitos, avaliações divergentes sobre seu valor e a ausência de atos formais que permitam ao BRB recuperar credores por meio da alienação do bem.

Segundo análise da redação do Noticioso360, que cruzou documentos públicos com reportagens do G1 e da Folha de S.Paulo, a propriedade chegou a ser avaliada por um fundo no final de 2023 em cerca de R$ 300 milhões, mas essa estimativa é contestada por advogados da família proprietária.

O caso

De acordo com peças do processo e com reportagens consultadas pela redação, o terreno localizado em Contagem abriga um clube com piscinas e foi comprado por uma empresa chamada Tropical Clube, ligada à família Vorcaro.

Fontes judiciais indicam que a venda original da área ocorreu antes do surgimento da disputa com o BRB. Em tentativas posteriores de saldar débitos, o imóvel foi apresentado como ativo passível de compensação, mas não houve conclusão dos atos necessários para efetivar a transferência de posse ou a quitação que permitiriam o ressarcimento da instituição financeira.

Documentos e avaliações

Relatórios anexados ao processo mostram que, no fim de 2023, um fundo avaliou o imóvel em aproximadamente R$ 300 milhões. O valor levou o BRB a apontar a propriedade como suficiente — em tese — para cobrir parte significativa da dívida em disputa.

Entretanto, advogados que representam a família Vorcaro questionam metodologia e premissas desses laudos. Em nota, os representantes afirmaram que havia propostas de compensação e que parte das tratativas dependia de formalização administrativa e registral ainda em curso quando surgiram divergências sobre valores e prazos.

O que os autos revelam

As peças processuais consultadas apontam para três pontos centrais: a existência de acordos ou propostas que indicaram o terreno como compensação; a divergência sobre a avaliação do bem; e a execução — ou a falta dela — dos trâmites para tornar o ressarcimento efetivo.

Entre os documentos, há pedidos de penhora e medidas cautelares apresentados pelo BRB com o objetivo de resguardar o ativo enquanto se discute a extensão do crédito. A defesa, por sua vez, alega irregularidades nas avaliações e afirma que não havia obrigação imediata de transferência do imóvel.

Versões contraditórias

Reportagens e notas oficiais mostram versões conflitantes. Veículos que acompanharam de perto os autos destacaram laudos, relatórios de avaliação e petições do banco; outros deram mais ênfase às explicações da família e a argumentos técnicos sobre improcedência parcial das alegações.

A apuração do Noticioso360 preservou ambas as versões e sinalizou onde documentos públicos corroboram uma ou outra afirmação. Há, portanto, uma divergência clara entre o peso das evidências técnicas apresentadas e as defesas baseadas em prazos, formalizações registrais e impugnação de valores.

Implicações legais e econômicas

Especialistas em direito imobiliário consultados por fontes públicas expliquam que, mesmo com avaliação favorável ao credor, a transferência de imóvel depende de atos formais — como averbação, escritura e registros — que podem ser contestados e que normalmente exigem decisões judiciais claras.

Na prática, isso significa que o BRB enfrenta obstáculos para bloquear o ativo e utilizá-lo como forma de ressarcimento. Se a avaliação de R$ 300 milhões for confirmada por perícia, o imóvel teria potencial para cobrir parte substancial da dívida; se reavaliado para baixo, a capacidade de ressarcimento diminui.

Além do aspecto econômico, a disputa tem repercussão reputacional. O envolvimento de integrantes de famílias com conexões empresariais e políticas amplia o interesse público e a pressão por transparência nas tratativas.

Trâmite judicial atual

O processo segue em litígio com pedidos de penhora e medidas cautelares. Não há, até o momento, registro público de transferência definitiva do terreno ao BRB ou de pagamento integral relacionado ao imóvel.

As partes continuam apresentando versões conflitantes e o Judiciário permanece como instância decisória. Novas diligências periciais e audiências deverão delimitar responsabilidades e possíveis medidas para efetivar parcial ou totalmente o ressarcimento.

O que esperar

Em curto prazo, é provável que o tribunal determine perícias complementares para confirmar o valor do bem, além de decidir sobre pedidos cautelares que possam garantir a preservação do ativo durante o curso da disputa.

Caso o tribunal autorize a penhora ou a alienação do imóvel, haverá etapas registral que podem se estender por meses. Especialistas ressaltam que mesmo decisões favoráveis ao BRB não implicam resolução imediata, devido ao tempo necessário para atos notariais e possíveis recursos.

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Fontes

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário das relações entre credores e devedores com ativos imobiliários nos próximos meses.

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