Tabela do IRPF tem defasagem estimada em 157,22% em 2025
Um levantamento do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal — Sindifisco — indica que a tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) está defasada em 157,22% em 2025. Segundo o estudo, a correção da faixa mínima de isenção para o índice apontado elevaria o limite para R$ 6.694,37, alterando de forma significativa o universo de contribuintes sujeitos à tributação.
De acordo com a metodologia divulgada pela entidade, o cálculo considera o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado desde a última atualização oficial da tabela. A defasagem reportada implica que famílias de baixa e média renda vêm sendo empurradas para faixas superiores, pagando imposto real maior mesmo sem aumento real de renda.
Segundo análise da redação do Noticioso360, que cruzou a nota técnica do Sindifisco com reportagens e dados oficiais, a magnitude da defasagem é consistente com outras estimativas públicas, ainda que existam pequenas variações por escolhas metodológicas e períodos de referência.
O que diz o estudo do Sindifisco
A nota técnica do Sindifisco descreve passo a passo a aplicação do IPCA acumulado sobre a última base de atualização da tabela do IRPF. O resultado apresentado — 157,22% de defasagem — leva a um valor de isenção bastante superior ao atualmente praticado, o que, na prática, reduziria a retenção mensal no salário de trabalhadores com rendas mais baixas.
“Sem reposição da tabela pela inflação, há compressão de contribuintes em faixas superiores e aumento do imposto efetivo sobre quem não teve ganho real”, afirma a entidade no documento.
Impacto prático sobre contribuintes
Se a faixa de isenção fosse elevada para R$ 6.694,37, um número relevante de assalariados, aposentados e trabalhadores informais deixaria de ter imposto retido mensalmente, o que aumentaria a renda disponível dessas famílias. O efeito seria mais sensível entre aposentados e trabalhadores com salários baixos.
No entanto, a medida também representa perda de arrecadação no curto prazo, o que explica a hesitação de governos em promover atualizações automáticas sem compensações orçamentárias.
Reações e posicionamentos
Procurado pela reportagem, o Ministério da Economia não apresentou um posicionamento final sobre um cronograma de atualização da tabela até a publicação desta matéria. Especialistas ouvidos ressaltam que, embora exista consenso técnico sobre a necessidade de correção periódica pela inflação, a decisão envolve escolha política e avaliação de impacto fiscal.
Representantes de associações de contribuintes defendem a atualização imediata e argumentam que a medida beneficiaria segmentos vulneráveis. Por outro lado, formuladores de política fiscal ponderam que ajustes demandam contrapartidas, como revisão de deduções ou alterações em alíquotas, para equilibrar o impacto no orçamento.
Diferenças metodológicas entre estudos
Ao confrontar a nota técnica do Sindifisco com análises de outras entidades, a apuração identificou que não há disputa sobre a existência da defasagem, mas sim debate sobre sua magnitude. Algumas pesquisas utilizam índices alternativos de inflação ou períodos de referência distintos, o que pode reduzir ou ampliar a taxa estimada.
A transparência metodológica do Sindifisco permitiu reconstituir os passos do cálculo e confirmar o uso do IPCA acumulado no intervalo declarado. Pequenas diferenças entre veículos e levantamentos resultam, em geral, de arredondamentos ou de escolhas técnicas como a data-base adotada.
Consequências para a política tributária
A defasagem sinalizada pelo Sindifisco expõe um desalinhamento entre a tributação vigente e a evolução de preços. A atualização da tabela é apontada por especialistas como instrumento para restaurar a progressividade do IRPF e aliviar a carga sobre os mais pobres.
No plano legislativo, propostas de correção da tabela tramitam ocasionalmente no Congresso, porém enfrentam resistências relacionadas ao custo fiscal e à prioridade de outras pautas econômicas. A decisão sobre qualquer alteração passa por debate político e análise do impacto nas contas públicas.
Alternativas e compensações
Governos costumam avaliar opções para mitigar a perda de arrecadação decorrente da correção da tabela. Entre as alternativas estão ajustes em deduções, revisão de faixas e alíquotas, ou medidas temporárias de compensação orçamentária.
Analistas sugerem que uma reforma tributária mais ampla poderia incorporar mecanismos automáticos de atualização pela inflação, reduzindo o caráter discrecionário e os efeitos distributivos negativos observados quando a correção não é feita.
O que muda no bolso do contribuinte
Para o contribuinte comum, a principal mudança seria a redução da retenção mensal do IR e, consequentemente, maior renda disponível no curto prazo. Essa alteração tende a beneficiar notávelmente aposentados e trabalhadores com baixos salários que hoje têm imposto retido.
Por outro lado, quem já está em faixas mais altas teria pouca ou nenhuma mudança direta, a menos que o governo também altere faixas superiores e alíquotas.
Fontes e verificação
A presente reportagem confrontou a nota técnica do Sindifisco com reportagens de veículos de circulação nacional e com análises de especialistas em finanças públicas. A apuração do Noticioso360 encontrou consistência no núcleo factual do levantamento, com variações metodológicas explicáveis entre estudos.
Fontes
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.



