Rodovias, aeroporto e e‑commerce reposicionaram Guarulhos como principal polo de galpões da Grande São Paulo.

Por que Guarulhos virou a “Faria Lima” dos galpões

Proximidade do GRU, malha viária e demanda do e‑commerce explicam valorização de terrenos industriais em Guarulhos.

Guarulhos se consolida como pólo logístico da Grande São Paulo

Guarulhos deixou de ser apenas a cidade que abriga o maior aeroporto do país para se tornar o endereço mais desejado por operadores de centros de distribuição na região metropolitana de São Paulo. Nos últimos anos, terrenos junto ao Aeroporto Internacional de Guarulhos (GRU) e aos principais acessos rodoviários viraram alvo de incorporadoras, fundos e grandes locatários.

O movimento não é apenas consequência do fluxo de cargas aéreas. A combinação da infraestrutura aeroportuária com o entroncamento de rodovias — entre elas a Presidente Dutra, Ayrton Senna e o Rodoanel — reduz tempo de percurso e custos logísticos, fatores decisivos para operadores que precisam atender prazos curtos de entrega.

De acordo com dados compilados pelo Noticioso360, cruzando informações de reportagens setoriais e notas de mercado, a convergência desses elementos explica a valorização do metro quadrado industrial em áreas próximas ao aeroporto e nos corredores viários que conectam Guarulhos à capital e ao interior paulista.

Por que a localização importou

O aeroporto de GRU tem papel central na reconfiguração. Além de movimentar cargas internacionais, sua malha de voos e conectividade facilita operações que dependem de entrada e saída rápida de mercadorias. Para empresas de bens de alto valor agregado, healthtechs e varejo online, a redução de lead time é um diferencial competitivo.

Além disso, a malha rodoviária que atravessa Guarulhos permite escoamento direto para o Porto de Santos e ligações eficientes com o ABC e a capital. Esses fatores transformam o município num hub multimodal natural — característica cada vez mais valorizada em estudos de escolha de localidade para centros de distribuição.

Escassez e realocação de oferta

Fontes do mercado consultadas pela reportagem destacam que a oferta escassa de terrenos industriais de alto padrão em polos tradicionais como Barueri e Cajamar levou investidores a buscar alternativas. Em muitos casos, a divisa entre Guarulhos e municípios vizinhos passou a ser vista como espaço com potencial para projetos que exigem docas, pé-direito alto e amplas áreas de manobra.

O resultado prático tem sido uma corrida por lotes próximos a saídas de rodovia e ao aeroporto, com consequentemente aumento dos preços e contratos longos com inquilinos de grande porte. Operadores logísticos, fundos logísticos e REITs locais figuram entre os compradores mais ativos.

Demanda do e‑commerce e mudança de estratégia

O crescimento do comércio eletrônico foi o motor imediato da transformação. A necessidade de entregas mais rápidas e de estoques descentralizados levou empresas a reavaliar localizações. Segundo relatórios setoriais, a equação do custo-logístico total favorece pontos com tempo de percurso reduzido e boa conectividade multimodal — exatamente o que Guarulhos passou a oferecer.

Além de novos projetos no solo, também aumentaram iniciativas de retrofit e verticalização de estoque em áreas já consolidadas. Essas soluções permitem aumentar a capacidade sem depender exclusivamente de novos terrenos, especialmente em mercados com ausência de grandes lotes disponíveis.

Impactos urbanos e ambientais

Por outro lado, a pressão por áreas logísticas trouxe desafios para a gestão urbana. Prefeituras e órgãos metropolitanos passaram a debater usos do solo, impacto no trânsito e necessidade de investimentos em infraestrutura de apoio, como abastecimento de água, drenagem e controles de emissões.

Fontes do setor imobiliário ouvidas indicam que a ocupação desordenada pode elevar custos operacionais e provocar rejeição social nas comunidades vizinhas. O fluxo intenso de caminhões exige planejamento de acessos, áreas de espera e soluções para minimizar ruído e poluição nas vias locais.

Riscos e limites do crescimento

Há também limitações físicas e logísticas. Especialistas alertam para estrangulamentos em pontos-chave da malha viária que, se não forem tratados com políticas públicas sincronizadas, podem frear a expansão a médio prazo. A adaptação tardia da infraestrutura pública é vista como risco central pelos investidores.

Alguns analistas, contudo, mantêm visão otimista e apontam que o mercado ainda tem demanda reprimida, especialmente para ativos com contratos atípicos e inquilinos de grande porte. A presença de fundos e investidores institucionais tende a sustentar novos empreendimentos, desde que acompanhados por planejamento urbano.

O perfil dos investidores e operações

No plano financeiro, a valorização dos terrenos alterou o perfil do comprador. Cresceram aquisições por fundos logísticos e por fundos imobiliários (REITs), que buscam ativos com receitas previsíveis e contratos de longo prazo. A estratégia inclui desde a construção de megagalpões até operações de retrofit em imóveis existentes.

Também há maior interesse em estratégias de densificação, como parques logísticos com múltiplos níveis e soluções de última milha que aproximam estoque do consumidor final. Essas alternativas refletem a busca por eficiência espacial em mercados com oferta limitada.

Curadoria e verificação

A apuração do Noticioso360 cruzou dados de publicações setoriais, reportagens do Valor Econômico e do G1, além de comunicados setoriais e relatórios de operadores aeroportuários para confirmar nomes de empreendimentos, datas de lançamento e rotas logísticas prioritárias.

Confirmamos a existência de megagalpões anunciados para áreas próximas ao aeroporto e registramos movimentos de grandes operadores em busca de contratos de longo prazo. Fontes do setor ressaltam que a velocidade de ocupação dependerá também de respostas institucionais para infraestrutura e controle de externalidades urbanas.

Projeção

A tendência apontada por agentes do mercado é de expansão contínua, com novos parques logísticos e investimentos de fundos nacionais e estrangeiros. No entanto, o ritmo e a sustentabilidade desse crescimento vão depender da coordenação entre setor privado, poder público e planos urbanísticos que equilibrem expansão e mitigação de impactos.

Sem políticas de trânsito, controle ambiental e planejamento de uso do solo, o avanço pode se tornar dispendioso e gerar conflitos locais. Com medidas proativas, entretanto, Guarulhos tem potencial para consolidar-se como um dos principais hubs logísticos do país.

Fontes

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Analistas apontam que o movimento pode redefinir a logística metropolitana nos próximos anos.

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