Polícia Federal apura investimentos do fundo em papéis do Banco Master que geraram perdas milionárias.

PF investiga aplicações bilionárias da Rioprevidência

PF investiga decisões da Rioprevidência que levaram a perdas em aplicações no Banco Master; apuração mira governança e possível omissão fiduciária.

A Polícia Federal investiga aplicações realizadas pela Rioprevidência — fundo de previdência dos servidores do estado do Rio de Janeiro — em títulos e produtos do Banco Master que resultaram em perdas estimadas em centenas de milhões de reais.

Segundo documentos públicos e depoimentos coletados, as alocações ocorreram quando o emissor já enfrentava perda de confiança no mercado, o que pode ter ampliado prejuízos diante da baixa liquidez de alguns papéis.

De acordo com uma apuração da redação do Noticioso360, que cruzou relatórios públicos, notícias e entrevistas com especialistas, a investigação concentra-se em três eixos: a magnitude dos recursos aplicados, o perfil de risco dos ativos adquiridos e o processo decisório que autorizou as operações.

Contexto e magnitude das aplicações

Fontes oficiais consultadas informaram que o volume envolvido alcança cifras significativas, na casa das centenas de milhões de reais. Embora ainda se busque um número definitivo, registros contábeis e extratos de carteira indicam perdas relevantes capazes de comprometer parte do patrimônio do fundo.

Relatos de técnicos apontam que parte das aplicações foi concentrada em poucos emissores e em papéis com liquidez reduzida. Em mercados de confiança abalada, essa combinação tende a agravar perdas, já que a venda rápida de ativos pode não ser possível sem aceitação de descontos substanciais.

Riscos assumidos e perfil dos ativos

Especialistas em previdência ouvidos pela reportagem explicam que fundos podem assumir riscos calculados para cumprir obrigações atuariais. No entanto, a diversificação e a avaliação de liquidez são pilares da gestão prudente.

“A questão-chave é se houve análise adequada de risco e limites de concentração”, afirma um consultor de investimentos que pediu anonimato. “Sem esses controles, perdas expressivas passam a ser previsíveis, não excepcionais.”

Documentos analisados pela redação mostram que foram comprados produtos do banco que, na época, já carregavam prêmio de risco elevado. Peritos independentes dizem que ativos com baixa demanda no mercado secundário exigem provisões e stress tests mais rígidos, o que, supostamente, não teria ocorrido de forma satisfatória.

Governança e decisão

Além da análise técnica, a apuração foca no processo decisório. A PF trabalha com a hipótese de omissão de deveres fiduciários por parte de dirigentes e ex-dirigentes da Rioprevidência.

Fontes que acompanharam as reuniões de conselho relatam decisões tomadas de forma concentrada, com propostas aprovadas sem debate aprofundado sobre riscos e alternativas. Procurados, representantes do fundo afirmaram que seguiram normas internas e prazos legais ao realizar as aplicações, negando irregularidades.

O banco, por sua vez, em respostas institucionais registradas, também negou que tenha ocorrido má-fé nas operações. Em nota, disse ter oferecido instrumentos alinhados às políticas vigentes na época.

Implicações jurídicas e responsabilização

Juristas consultados explicam que a investigação criminal busca demonstrar dolo ou culpa grave na gestão dos recursos. Para responsabilização civil e administrativa, basta comprovar que houve prejuízo decorrente de omissão ou gestão inadequada.

“A diferença prática entre as frentes é que, no criminal, é preciso provar intenção ou negligência grave; no cível, a demonstração do dano e da falha de gestão costuma ser suficiente para ressarcimento”, resume um advogado especializado em direito público.

Além das apurações penais, advogados ouvidos indicam potencial para ações civis públicas e processos de improbidade administrativa, caso se confirmem falhas de governança e descumprimento de deveres.

Transparência, auditorias e recuperação

Consultores ressaltam a importância de auditorias independentes e relatórios técnicos para mapear a extensão do dano e avaliar se houve erro de julgamento em face das informações disponíveis no momento das decisões.

Documentos indicam também que houve momentos de mercado particularmente sensíveis, com queda de confiança sobre determinados emissores. Em alguns casos, reestruturações financeiras ou acordos posteriores podem reduzir o impacto final para os beneficiários.

Entretanto, servidores aposentados e ativos acompanham as apurações com preocupação, já que a preservação do patrimônio do fundo é essencial para o pagamento de benefícios.

O que se espera das investigações

Investigadores da PF seguem coletando documentos, analisando contratos e ouvindo gestores, técnicos e auditores. A linha de apuração inclui checagem de comunicações internas, pareceres técnicos e decisões de conselho que autorizaram as aplicações.

Se confirmadas falhas relevantes, além de eventuais responsabilizações, espera-se a adoção de medidas para reforçar controles, revisar políticas de investimento e ampliar transparência aos cotistas.

Projeção

Ao longo das próximas semanas, a continuação das investigações e eventuais ações judiciais poderão determinar se há espaço para recuperação de perdas via reestruturação ou indenizações. A clareza nas conclusões será determinante para a confiança dos servidores e para ajustes regulatórios no setor.

Fontes

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.

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