Transferência busca reduzir risco após auditorias internas
O Banco Master repassou parte das cotas do FIDC Jeitto ao Banco de Brasília (BRB) em uma operação motivada por inconsistências identificadas em carteiras que somavam R$ 12,2 bilhões.
A medida, segundo documentos obtidos e relatos de mercado, foi adotada como forma de proteger investidores e mitigar risco de crédito enquanto investigações e auditorias externas são concluídas.
De acordo com análise da redação do Noticioso360, com base em informações da Reuters e do Valor, o processo começou após auditorias internas apontarem falhas de controle na composição dos ativos do fundo.
O que apontaram as auditorias
Fontes próximas aos administradores disseram que foram encontradas duplicidades em registros de recebíveis, avaliações de garantias consideradas inadequadas e divergências na origem de parte das carteiras. Esses problemas elevaram a exposição do FIDC Jeitto à inadimplência e à inconsistência na valoração dos ativos.
Relatórios preliminares também indicam que a concentração de recebíveis vinculados a determinados originadores superava limites prudenciais previstos no regulamento do fundo, situação que, em tese, pode aumentar o risco sistêmico para cotistas de carteiras similares.
BRB como estabilizador temporário
Segundo fontes do mercado, o BRB passou a exercer um papel de estabilizador ao assumir as cotas repassadas, operação que foi apresentada pelas partes como solução rápida para reduzir risco operacional e creditício. Contudo, interlocutores afirmam que a assunção das cotas não equivaleria necessariamente à assunção automática de passivos preexistentes relacionados a perdas já ocorridas.
Representantes do BRB não confirmaram, em comunicado público, a assunção de responsabilidade por eventuais perdas anteriores; já o Banco Master, em comunicações internas e respostas a investidores, disse que a transferência visava reorganizar a estrutura patrimonial e preservar a liquidez dos cotistas.
Reações de reguladores e medidas em curso
Reguladores consultados nas etapas iniciais pediram detalhamento das operações e instruíram a realização de perícias independentes nas carteiras contestadas. Documentos a que o Noticioso360 teve acesso mostram pedidos formais de esclarecimento sobre práticas de compliance e a avaliação de risco adotadas pelo gestor do FIDC.
Analistas ouvidos destacam que a solicitação de perícias externas é um procedimento padrão em casos com indícios de má gestão ou irregularidades na composição de ativos, e que os laudos técnicos serão decisivos para atribuir responsabilidades e orientar eventuais medidas sancionatórias.
Impacto imediato no mercado
A notícia provocou volatilidade em cotas de fundos de características semelhantes e levou parte dos investidores a demandar esclarecimentos formais. Agentes do mercado ressaltam que a falta de divulgação clara e tempestiva pode reduzir a confiança e encarecer a captação futura para o gestor.
Especialistas em crédito afirmam, porém, que operações desse tipo são um instrumento possível para preservar valor, desde que acompanhadas de ampla transparência e auditoria independente. “Transferir cotas para um agente estabilizador pode ser eficaz, desde que a operação venha acompanhada de relatórios técnicos e perícias que expliquem origem e qualidade dos recebíveis”, disse um gestor de fundos ouvido sob condição de anonimato.
Riscos jurídicos e responsabilidades
Do ponto de vista jurídico, a titularidade das cotas e cláusulas contratuais do regulamento do FIDC determinam responsabilidades sobre perdas e procedimentos de reclamação por cotistas. Juristas consultados afirmam que, se perícias confirmarem má gestão ou omissão de informações relevantes, podem surgir ações privadas de cotistas e questionamentos regulatórios.
Além disso, a investigação pode levantar questões sobre eventuais falhas nos controles internos do gestor e na supervisão dos originadores de recebíveis, o que ampliaria o escopo de apuração para além da mera reestruturação patrimonial.
Transparência como condição para normalização
Fontes ouvidas pelo Noticioso360 ressaltam que as medidas adotadas até o momento têm caráter paliativo e dependem de investigação completa. A divulgação de laudos e de relatórios técnicos sobre a origem, qualidade e valoração dos recebíveis é vista como condição essencial para a normalização do mercado.
Especialistas em crédito e regulação ouvidos observaram que a magnitude das carteiras — R$ 12,2 bilhões — torna ainda mais importante o acompanhamento por parte de auditores independentes e dos órgãos reguladores, com prazos claros para a conclusão das perícias.
Comparações e versões concorrentes
Em comunicados e reportagens divulgadas por diferentes veículos, há nuances sobre a atuação das partes. Alguns relatos enfatizam a iniciativa do BRB como interveniente técnico para preservar cotistas; outros destacam a responsabilidade do Banco Master pela deterioração da qualidade das carteiras. A apuração do Noticioso360 compilou documentos que mostram cronologia de transferências e trocas de comunicação entre as instituições.
O panorama ainda é fluido: a cronologia dos eventos e a documentação disponível serão determinantes para entender se a operação configura solução administrativa temporária ou se haverá consequências legais e financeiras mais amplas.
Projeção e próximos passos
O desfecho dependerá dos laudos das perícias e das decisões dos reguladores. Caso as análises técnicas confirmem irregularidades relevantes, o cenário mais provável inclui ações judiciais por parte de cotistas e exigência de medidas corretivas por parte das autoridades competentes.
Se, por outro lado, as auditorias concluírem que os problemas são pontuais e contornáveis com ajustes operacionais e de governança, a transferência de cotas poderá ser absorvida pelo mercado sem grandes perdas estruturais, embora a reputação dos gestores envolvidos seja afetada.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fontes
Analistas apontam que o movimento pode redefinir práticas de governança em fundos de crédito nos próximos meses.
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