Itaú antecipa corte da Selic e indica cautela por riscos fiscais
O Itaú Unibanco revisou suas projeções macroeconômicas e passou a estimar que o ciclo de cortes da Selic começará em março de 2026, com uma redução inicial de 0,25 ponto percentual. A nova projeção indica que a taxa básica de juros encerrará 2026 próxima a 12,75% ao ano.
Segundo análise da redação do Noticioso360, com base no material fornecido pelo próprio banco e em comunicados institucionais disponíveis, a mudança adia a janela de redução em relação à previsão anterior e incorpora as incertezas fiscais apontadas pela equipe econômica do próprio Itaú.
Por que o banco mudou a projeção
A equipe econômica do Itaú justifica a antecipação do início do ciclo de afrouxamento por uma trajetória inflacionária moderada e por uma avaliação de espaço para redução gradual da taxa. No entanto, a instituição mantém um tom cauteloso.
O primeiro movimento projetado—uma queda de 0,25 ponto percentual em março—é descrito pelo banco como modesto. A expectativa é que cortes subsequentes ocorram de forma gradual, com ritmo condicionado a leituras de inflação e a sinais de persistência na descompressão de preços.
Riscos fiscais que limitam reduções
O Itaú chama atenção para fatores fiscais que podem restringir tanto a magnitude quanto a velocidade das reduções. Em sua análise, choques do lado das contas públicas — por exemplo, revisão de receitas, despesas extraordinárias ou mudanças na trajetória da dívida — poderiam forçar uma reavaliação do cronograma e até postergar cortes.
Por outro lado, se indicadores fiscais se mantiverem sob controle, o espaço para uma normalização gradual da política monetária aumenta. A combinação entre leitura da inflação e condição das contas públicas, portanto, será determinante para a evolução dos juros.
Impacto esperado sobre crédito e investimentos
Se a redução de 0,25 ponto for efetivada em março, os efeitos sobre crédito e investimentos devem ser graduais. Taxas de empréstimos costumam reagir com defasagem, e o mercado financeiro precisa de evidências de trajetória sustentada para reajustar expectativas de risco e retorno.
Além disso, investidores monitorarão a resposta das expectativas de inflação e a reação do câmbio. Movimentos de juros em um contexto de incerteza fiscal tendem a provocar maior volatilidade até que haja confirmação de melhora nas contas públicas.
Comparação com outras projeções do mercado
O mercado já vinha sinalizando início de afrouxamento em 2026, mas havia diversidade entre prazos e intensidade dos cortes. Algumas casas e analistas projetavam cortes mais cedo ou uma sequência mais agressiva de reduções.
Com a revisão, o Itaú aproxima-se da visão majoritária entre analistas quanto ao ano de início dos cortes, mas mantém prazos e ritmo mais prudentes. A divergência principal segue sendo o calendário exato e o ritmo de redução ao longo do ano.
Transparência da apuração
A apuração do Noticioso360 cruzou informações recebidas com comunicados institucionais disponíveis no site do banco e com reportagens do mercado. Não foi possível localizar, no momento da verificação, um release público idêntico ao material recebido pela redação. Por isso, a matéria se baseia prioritariamente no conteúdo fornecido e em fontes oficiais já acessíveis.
O que acompanhar nos próximos meses
Para entender como o ciclo de cortes se desenrolará, investidores e agentes econômicos devem observar: 1) dados de inflação mensal e núcleo; 2) sinais de desaceleração mais persistente nos preços; 3) leituras sobre atividade econômica; e 4) evolução das contas públicas e das expectativas fiscais.
Decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) dependerão não só da inflação corrente, mas também das expectativas e do cenário externo. Uma piora relevante nas finanças públicas pode levar o Banco Central a postergar ou reduzir a intensidade do afrouxamento.
Implicações práticas
Na prática, uma Selic em 12,75% ao final de 2026 — conforme projetado pelo Itaú — permaneceria significativamente acima de níveis historicamente considerados neutros, sugerindo que o processo de normalização deverá ser longo. Empresas e consumidores podem notar redução gradual nos custos de crédito, mas efeitos plenos só tendem a se materializar com sequência consistente de cortes.
A política fiscal segue como vetor central para crescimento e trajetória dos juros. A combinação de ajuste fiscal e inflação controlada seria o cenário mais favorável para um caminho mais rápido de redução da Selic.
Fontes
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.
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