PF aponta ecossistema digital e pagamentos que teriam ampliado críticas ao Banco Central após liquidação do Banco Master.

Influenciadores teriam atacado o Banco Central

Relatório preliminar entregue ao STF aponta coordenação de perfis e pagamentos a influenciadores para atacar o Banco Central; investigação segue em andamento.

Relatório preliminar liga influenciadores a campanha contra o BC

A Polícia Federal (PF) entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um relatório preliminar que mapeia um ecossistema digital suspeito de coordenar ataques contra o Banco Central (BC) após a liquidação extrajudicial do Banco Master.

Segundo a apuração, perfis coordenados, contas com comportamento automatizado e transferências financeiras foram identificados como elementos centrais de uma operação que buscou amplificar narrativas críticas à atuação da autoridade monetária.

Curadoria e fontes

De acordo com análise da redação do Noticioso360, cruzando o relatório preliminar da PF com reportagens da Reuters e da Folha de S.Paulo, há indícios consistentes de pagamentos vinculados a serviços de engajamento e direcionamento de conteúdo a audiências conservadoras.

O que o relatório descreve

O documento, ainda em fase preliminar, descreve um conjunto de atores digitais: influenciadores, operadores de contas, intermediários financeiros e fornecedores de serviços de marketing digital. Em vários casos, a investigação aponta para transferências cujo destino final sugere remuneração por produção e amplificação de conteúdo.

Investigadores relatam ter encontrado mensagens, ordens de serviço e registros de pagamento que, segundo a PF, indicam instruções para direcionar conteúdos críticos ao BC a seguidores alinhados a determinados grupos políticos.

Limitações e cautela

Fontes oficiais ouvidas por veículos que consultaram o relatório enfatizam que a apuração é preliminar. Não há, até o momento, conclusão de crime consumado para todos os envolvidos. A existência de contratos formais e a extensão dos pagamentos ainda dependem de diligências como perícias contábeis e auditorias digitais.

Por outro lado, especialistas em crimes financeiros ouvidos por jornalistas apontam que a ausência de contratos formais não exclui a possibilidade de atuação remunerada: pagamentos fracionados, uso de intermediários e estruturas de ocultação podem caracterizar prestação de serviços pagas a criadores de conteúdo.

Repercussão após a liquidação do Banco Master

O ponto de partida do episódio foi a liquidação do Banco Master, que teria atuado como gatilho para a operação do ecossistema. A repercussão negativa do caso em redes sociais teria sido aproveitada para escalonar narrativas críticas ao BC.

Segundo a PF, em várias ocasiões foi possível correlacionar picos de disseminação de mensagens às transferências para fornecedores digitais que mantêm histórico de trabalho com páginas políticas e perfis conservadores.

Negativas e versões alternativas

Representantes de alguns influenciadores e operadores procurados pela imprensa negaram a existência de contratos específicos ou atribuíram movimentações financeiras a serviços legítimos de marketing. Em notas e declarações, eles destacaram a presunção de inocência e a necessidade de provas robustas antes de imputar responsabilidade.

Além disso, fontes próximas à investigação ressaltaram que parte do material no relatório pode representar indícios circunstanciais que exigem confirmação técnica, como a identificação de placas e contas, e não necessariamente prova direta de coordenação criminosa.

Qual é o alcance possível das evidências?

O relatório entregue ao STF tem caráter mapeador: identifica atores, fluxos financeiros e padrões de mensagem. Cabe agora à Procuradoria e ao próprio Supremo avaliar pedidos de quebras de sigilo, buscas e outras diligências para aprofundar a investigação.

Procuradores ouvidos pelas reportagens indicaram que pedidos complementares de investigação e perícias estão em curso, e que medidas cautelares podem ser formuladas caso se confirmem indícios de ilegalidade por parte de agentes com foro privilegiado.

Riscos para a cena política e regulatória

Especialistas consultados afirmam que se confirmada a atuação coordenada e remunerada de influenciadores para desinformar ou pressionar autoridades, o episódio pode reforçar debates sobre transparência de pagamentos e sobre a regulação de conteúdo político nas plataformas digitais.

Além disso, levantamentos jurídicos destacam que enquadramentos penais dependerão da comprovação de dolo e de elementos objetivos que caracterizem, por exemplo, propaganda enganosa, associação criminosa ou lavagem de dinheiro.

Próximos passos da investigação

De acordo com as informações públicas e com o relatório preliminar, os próximos passos previstos incluem aprofundamento das perícias financeiras e digitais pela PF, solicitação de cooperação internacional quando necessário e a eventual remessa de peças ao Ministério Público Federal para oferecimento de denúncias.

O Supremo poderá decidir sobre pedidos de medidas cautelares, inclusive quebras de sigilo e afastamentos temporários, caso fique demonstrada a necessidade de preservar a instrução ou evitar risco à ordem pública.

Transparência editorial

A apuração do Noticioso360 baseou-se no relatório preliminar da PF e em reportagens públicas da Reuters e da Folha de S.Paulo. Priorizamos cruzamento de dados e a explicitação das limitações do material disponível: muitos nomes e perfis citados ainda aparecem como indícios ou suspeitas, não como culpados.

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Fontes

Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.

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