Bank of America diz que queda da inflação e expectativas comportadas permitem início de cortes na Selic.

BC já tem espaço para começar a cortar a Selic, diz BofA

Bank of America vê espaço para cortes na Selic ante desaceleração da inflação; mercado espera manutenção pela cautela do Copom.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (28) com expectativa majoritária de manutenção da taxa Selic em 15% ao ano. Apesar disso, relatório do Bank of America (BofA) sinaliza que a autoridade monetária já teria condições de iniciar um ciclo de cortes.

Segundo análise da redação do Noticioso360, com base em dados da Reuters e do Banco Central, a argumentação do BofA se apoia em sinais recentes de desaceleração da inflação, na melhora das expectativas e na manutenção de um caráter ainda restritivo da política após aumentos anteriores.

O argumento do BofA

Em nota citada por veículos internacionais, os analistas do BofA destacam que a combinação entre inflação em queda e expectativas mais ancoradas cria espaço para redução gradual do juro básico sem risco imediato de perda do controle inflacionário.

O banco considera que os choques de preços recentes já se dissiparam em parte e que o núcleo da inflação mostra trajetória favorável. Nesse cenário, um ajuste mais rápido reduziria custos reais para a atividade econômica e apoiaria uma recuperação mais homogênea.

Elementos técnicos

Para o BofA, a permissão técnica para cortes passa pela leitura do núcleo da inflação, disseminação de choques de preços e evolução das projeções do próprio Comitê e do mercado. O banco trabalha com modelos internos que levam em conta cenários de risco moderado.

Além disso, analistas do exterior avaliam que o quadro externo — incluindo sinalização de afrouxamento monetário em algumas economias avançadas — pode colaborar para um ciclo de redução de juros no Brasil sem pressões cambiais excessivas.

A leitura doméstica: cautela do mercado e do Copom

Por outro lado, a maioria dos agentes locais e declarações públicas de membros do Copom apontam prudência. Entre os motivos estão riscos remanescentes na dinâmica de preços, incertezas fiscais e a necessidade de confirmar uma trajetória consistente de desinflação.

Bancos locais e analistas ressaltam que preços administrados, ajuste fiscal e eventual volatilidade cambial podem postergar os cortes. Em entrevistas e comunicados, autoridades do Banco Central têm destacado a importância de séries mais longas de queda da inflação antes de mudar o viés da política monetária.

Principais divergências

Ao confrontar as versões, a apuração do Noticioso360 mostrou que a principal diferença entre o BofA e o consenso doméstico é o balanço entre risco e timing. O BofA privilegia um ajuste mais rápido diante de dados favoráveis; o mercado interno prioriza acumular evidências adicionais.

Mesmo entre economistas que admitem espaço para redução da Selic há divergência sobre o calendário: alguns defendem cortes já nas próximas reuniões, enquanto outros preferem aguardar coincidência de dados mais favoráveis e sinais internacionais mais claros.

Riscos que podem postergar cortes

Fontes de risco citadas por analistas incluem choques de oferta, pressões sobre preços administrados e eventuais deteriorações fiscais que prejudicariam a trajetória de equilíbrio macroeconômico. A volatilidade cambial também é mencionada como fator que poderia limitar a margem para corte.

Em relatório, o BofA assinala que trabalha com abordagem de risco moderado, mas deixa explícito que a materialização de choques adversos obrigaria retração rápida na estratégia de afrouxamento.

O que observar nas próximas reuniões

Para avaliar a velocidade e a profundidade de eventuais cortes, os analistas destacam três sinais-chave: leitura do núcleo da inflação, evolução das expectativas de inflação (tanto as do mercado quanto as conduzidas por pesquisa) e o comportamento do câmbio diante de choques externos.

Outra variável relevante é a ata do Copom, cuja redação e ênfases sobre riscos e horizonte de observação podem antecipar mudanças no viés da política.

Transparência e credibilidade

O Banco Central tem enfatizado o mandato de estabilidade de preços e a necessidade de preservar credibilidade. Comunicados e declarações públicas reiteram que decisões serão tomadas com base em séries robustas de dados, o que reforça a prudência institucional mesmo diante de espaço teórico para cortes.

Apuração e limitações

Noticioso360 verificou que parte do relatório do BofA foi citada em veículos internacionais, mas nem todos os trechos puderam ser confirmados integralmente por meio de publicações pagas ou documentos originais ao fechamento desta reportagem.

A redação do Noticioso360 segue checando a íntegra do relatório do Bank of America, confrontando-o com a ata do Copom e ampliando a comparação com a cobertura de veículos como Valor Econômico e Estadão para atualizar a matéria com links e citações diretas.

Fontes

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político e econômico nos próximos meses, dependendo da velocidade do ajuste e da resposta das variáveis fiscais e externas.

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