Verificação preliminar aponta ausência de confirmação imediata das cifras atribuídas ao artista; checagens seguem.

Apuração: R$2,47 mi em isenções e R$20 mi em repasses a Zezé

Verificação preliminar não localizou, em buscas genéricas, R$2,47 mi em isenções pelo Perse nem quase R$20 mi em repasses federais atribuídos a Zezé Di Camargo.

Resumo da apuração

Relatos que circulam em redes e reportagens atribuem ao cantor Zezé Di Camargo R$ 2,47 milhões em isenções fiscais relacionadas ao Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) e cerca de R$ 20 milhões em repasses públicos em 2025. Nossa verificação inicial cruzou consultas a bases oficiais e a documentação disponível em portais públicos.

Em buscas genéricas pelo nome do artista, não foi encontrada uma linha clara que some R$ 20 milhões em pagamentos federais em 2025 vinculados diretamente à pessoa física. Isso não elimina, porém, hipóteses plausíveis, como pagamentos a empresas intermediárias, produtoras ou repasses efetuados por estados e municípios.

Como checamos

Para este levantamento, consultamos o Portal da Transparência e o Diário Oficial da União, além de levantar notas de empenho e contratos acessíveis publicamente. Também consideramos a natureza dos instrumentos que costumam ser usados em programas de apoio a eventos: isenção fiscal, crédito presumido ou compensação por meio de mecanismos administrativos.

Segundo análise da redação do Noticioso360, trata-se de uma apuração que exige documentos específicos — como portarias, decretos e atos administrativos do Perse — e cruzamento por CPF/CNPJ para confirmar destinatários reais de benefícios ou pagamentos.

O que cada tipo de registro mostra (e não mostra)

É importante distinguir três tipos de registros públicos:

  • Isenções fiscais: frequentemente tratadas pela Receita Federal e nem sempre discriminadas publicamente por beneficiário. Podem constar em atos administrativos, mas não aparecem com facilidade em buscas por nome.
  • Transferências e convênios: registradas no Portal da Transparência com identificação do favorecido quando são transferências diretas do Executivo federal.
  • Pagamentos por serviços (cachês, contratos, notas fiscais): quando feitos por prefeituras ou secretarias estaduais, podem constar em portais locais ou em empenhos publicados nos diários oficiais estaduais e municipais.

O caso específico: Perse e a cifra de R$ 2,47 milhões

A alegação de R$ 2,47 milhões em isenções via Perse pede confirmação documental no ato que prorrogou ou operacionalizou o programa. Programas emergenciais pós-pandemia tiveram diferentes formatos: alguns concederam isenção tributária, outros criaram créditos ou mecanismos de compensação.

Para confirmar que um benefício de R$ 2,47 milhões foi concedido a um beneficiário específico é necessário localizar o texto do decreto, portaria ou instrução normativa que formalizou a medida e, em seguida, identificar o beneficiário no lançamento do ato. A Receita Federal e o Ministério da Cultura (ou a pasta responsável pelo programa no período) são fontes centrais para esse tipo de comprovação.

Por que os R$ 20 milhões não apareceram em busca genérica

Em consultas iniciais, não foi encontrada uma soma imediata de quase R$ 20 milhões em pagamentos federais de 2025 atribuíveis ao nome do artista. Existem ao menos três explicações técnicas para essa ausência:

  • Os valores podem ter sido pagos a pessoas jurídicas (produtoras ou empresas de eventos) em nome das quais o artista atua comercialmente.
  • Parte dos repasses pode ter sido feito por estados ou municípios e, por isso, não consta na base federal com identificação direta do artista.
  • Os montantes divulgados em reportagens podem agregar contratos, cachês e reembolsos ao longo do ano, resultando em um total consolidado que não aparece em uma única linha nas bases públicas.

Documentos que ainda faltam localizar

Para avançar na confirmação são necessários, no mínimo:

  • Cruzamento por CPF e por CNPJ de produtoras ligadas ao artista;
  • Cópias de notas fiscais, contratos e ordens bancárias que comprovem pagamento;
  • Atos administrativos do Perse que indiquem concessão de isenção ou compensação e a relação de beneficiários;
  • Esclarecimentos oficiais do escritório do artista e das produtoras envolvidas.

Posição dos órgãos e dos representantes

Até a conclusão desta verificação preliminar, não localizamos declarações oficiais que comprovem os valores na origem alegada. A recomendação padrão da reportagem é solicitar informações via Lei de Acesso à Informação às pastas que possam ter firmado repasses e também pedir notas de esclarecimento ao escritório do artista e às produtoras citadas.

Além disso, é preciso checar empenhos e contratos publicados nos diários oficiais estaduais e municipais, quando houver suspeita de pagamentos feitos por entes subnacionais.

Procedimentos recomendados

1) Pesquisa aprofundada no Portal da Transparência por CPF/CNPJ das empresas relacionadas ao artista; 2) busca no Diário Oficial por portarias e atos do Perse; 3) pedidos formais de informação às pastas públicas; 4) solicitação de documentação (notas fiscais e contratos) aos responsáveis pelos eventos.

Conclusão provisória

As alegações reúnem elementos plausíveis em termos institucionais, mas não foram integralmente confirmadas em consultas iniciais aos registros públicos federais sem identificação de CPF/CNPJ e documentos de apoio.

Há divergências possíveis entre cifras divulgadas em matérias e aquilo que consta em empenhos e contratos oficiais. Por isso, mantemos a cautela editorial até que documentos específicos sejam apresentados e checados.

Próximos passos e impacto

Achegar-se a uma conclusão definitiva exigirá tempo e cruzamento documental. Caso os repasses sejam confirmados via CNPJ de produtoras, a narrativa muda: não se trata necessariamente de isenção direta a pessoa física, mas de montantes pagos a empresas que podem ter relação com o artista.

Se, por outro lado, forem encontrados atos administrativos do Perse que especifiquem isenção em favor de beneficiários identificáveis, isso terá implicações sobre a transparência e a forma de registro de benefícios fiscais no país.

Analistas consultados pela reportagem indicam que esse tipo de verificação tende a se intensificar, pois concentra questões tributárias, de transparência pública e de prestação de contas, o que pode alimentar debates sobre regras de concessão de benefícios ao setor cultural.

Fontes

Veja mais

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário de transparência sobre repasses culturais nos próximos meses.

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