Três acordos firmados pelo Mercosul — com a União Europeia (UE), o bloco EFTA (Islândia, Noruega, Suíça e Liechtenstein) e Cingapura — passaram a valer, ampliando significativamente a parcela do comércio brasileiro que terá tratamento tarifário preferencial.
Segundo estimativas compiladas pela redação, a fatia do comércio exterior do Brasil coberta por tarifas zero ou alíquotas reduzidas sobe de 12,4% para 31,2% do total das exportações e importações.
De acordo com análise da redação do Noticioso360, com base em dados e reportagens da Reuters e da BBC Brasil, o conjunto de acordos amplia janelas de preferência para setores como agronegócio, bens manufaturados e automóveis.
O que muda na prática
O avanço para 31,2% resulta da soma dos mercados cobertos pelos três tratados e da inclusão de regras de origem que permitem benefícios tarifários a bens específicos. Em linhas gerais, alguns produtos terão eliminação imediata de tarifas, enquanto outros seguirão cronogramas de redução graduais.
Entre os setores mais impactados estão produtos agroindustriais — como soja processada e carnes embaladas —, além de segmentos da indústria automobilística e de bens manufaturados de maior intensidade exportadora.
Regras de origem e ajustes nas cadeias
Empresas exportadoras que já negociavam com parceiros fora dos acordos terão de atender novas regras de origem para acessar as preferências. Isso pode exigir mudanças em insumos e composição de produção.
Por outro lado, importadores devem observar cláusulas técnicas, sanitárias e fitossanitárias que podem restringir a entrada de itens, mesmo quando as tarifas forem reduzidas. Assim, a vantagem tarifária não garante, por si só, acesso automático ao mercado.
Diferenças entre setores e cronogramas
Os acordos estabelecem cronogramas diversificados: enquanto capítulos integram-se logo após a troca de instrumentos, outros têm transições longas, de anos. Isso gera variação entre produtos e mercados sobre quando a redução tarifária passa a valer de fato.
Fontes oficiais apontam que a transformação será gradual. Relatórios setoriais e análises de bancos mostram que os ganhos podem se concentrar em produtos com maior capacidade de exportação imediata. Outras avaliações, mais conservadoras, contabilizam apenas reduções aplicáveis sem necessidade de mudanças estruturais.
Impacto nos números e circulação comercial
No plano agregado, o avanço de 12,4% para 31,2% significa que quase um terço do fluxo comercial brasileiro passa a ter algum tipo de tratamento preferencial. Mas a elevação numérica não elimina barreiras não tarifárias nem resolve entraves logísticos.
O efeito sobre a balança comercial dependerá de estratégias empresariais, adaptação logística, certificação de origem e da articulação entre governo e setor privado para operacionalizar as medidas.
Reações políticas e setoriais
A cobertura da Reuters destacou o alcance político e econômico do acordo com a UE, lembrando que o pacto demorou décadas para ser negociado e que sua adoção altera o arcabouço comercial da região.
Reportagens da BBC Brasil ressaltaram a variação de reações internas nos países do Mercosul: apoio do setor exportador e críticas de setores temerosos da competição externa.
No Brasil, representantes do agronegócio celebram a ampliação de mercados com condições preferenciais. Em contrapartida, indústrias que competem com importados pedem mecanismos de proteção e transição para evitar perda de participação no mercado doméstico.
Possíveis barreiras e salvaguardas
Fontes oficiais e especialistas consultados indicam que salvaguardas, cláusulas de ajuste e verificações técnicas poderão ser acionadas para proteger setores sensíveis durante o processo de abertura.
Além disso, a necessidade de certificação de origem e de documentação adequada cria um custo administrativo que pequenas e médias empresas terão de superar para aproveitar o acesso preferencial.
O que observar daqui para frente
Para que a estimativa de 31,2% se traduza em ganho efetivo, são necessários passos concretos: ratificação, publicação de textos legais, regulamentação de procedimentos aduaneiros e capacitação das cadeias produtivas.
Agentes do comércio exterior lembram que a operacionalização depende de prazos internos de cada país e de acordos paralelos sobre sanidade, logística e facilitação de comércio.
Noticioso360 continuará a acompanhar a publicação de cronogramas e atos administrativos que definem quando cada capítulo passa a valer e quais produtos terão benefícios imediatos.
Fontes
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.
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