No Rio Vermelho, crescimento do público no 2 de fevereiro pressiona tradições e o espaço urbano.

Quem vai saudar Iemanjá? Crescimento e desafios

No Rio Vermelho, o aumento de público no 2 de fevereiro cria tensão entre turismo, moradores e terreiros; soluções são debatidas.

Iemanjá no Rio Vermelho: festa cresce e gera tensão sobre uso do espaço

Todo 2 de fevereiro, a orla do Rio Vermelho, em Salvador, reúne devotos, terreiros, moradores e turistas para a tradicional oferenda à rainha do mar. Nos últimos anos, o aumento do público e a expansão de atividades comerciais transformaram a ocupação do espaço e reabriram debates sobre segurança, preservação cultural e gerenciamento urbano.

Segundo relatos de lideranças locais consultados nesta apuração, o crescimento do público — que, em anos recentes, foi estimado por representantes comunitários como composto por até 40% de turistas — tem pressionado calçadas, ruas e áreas históricas onde eram montados altares familiares.

De acordo com análise da redação do Noticioso360, cruzando reportagens e notas oficiais, a convivência entre o caráter religioso da festa e a lógica do evento turístico exige medidas de gestão mais claras e diálogo entre as partes envolvidas.

Pressão sobre espaços e práticas religiosas

Moradores relatam que a rotina do bairro mudou: antigas áreas de celebração sofreram redução por conta da instalação de barracas, palcos, estruturas temporárias e do crescimento do comércio informal. “Antes tínhamos espaço para montar nossos altares e rezar com as famílias; hoje o movimento comercial e os shows ocupam onde ficávamos”, disse um líder de terreiro ouvido pela reportagem.

Além da perda de visibilidade, praticantes de religiões de matriz africana reclamam da dificuldade de acesso aos pontos tradicionais de oferta e do barulho causado por atividades pagas que, segundo eles, descaracterizam o rito.

Comerciantes e moradores: ganhos e custos

Comerciantes locais reconhecem o impacto econômico positivo do fluxo turístico. Para ambulantes e estabelecimentos, o dia 2 pode representar fatia importante do faturamento anual. “Aumenta a venda e a movimentação, mas também sobe o custo de operação e a concorrência informal”, relatou uma vendedora da região.

Por outro lado, moradores afirmam que o aumento do número de visitantes complica o cotidiano semanas antes do evento, com acúmulo de lixo, dificuldades de mobilidade e maior demanda por serviços públicos.

Gestão pública e medidas adotadas

Autoridades municipais, segundo entrevistas e notas oficiais, têm justificado a adoção de planos de contingência para responder ao aumento de público. Entre as medidas destacadas estão o reforço de policiamento, rotas de acesso diferenciadas, pontos de atendimento médico e orientações de logística.

Lideranças comunitárias, no entanto, reclamam da falta de diálogo prévio e afirmam que as ações de ordenamento frequentemente priorizam o interesse turístico. “A sensação é de que estamos sendo empurrados para o que sobra do espaço público”, afirmou um morador que acompanha as decisões locais.

Segurança e acessibilidade

Além do policiamento, órgãos envolvidos apontam a necessidade de priorizar o acesso de residentes, idosos e pessoas com deficiência. Planos de mobilidade e rotas seguras são apresentados por técnicos como forma de conciliar fluxo intenso e direito à celebração sem riscos.

Impacto ambiental das oferendas

Ambientalistas e equipes de limpeza pública destacam o desafio do recolhimento das oferendas lançadas ao mar. A presença de objetos não biodegradáveis e o volume de itens exigem ações de remoção e campanhas de conscientização para reduzir danos ao ecossistema marinho.

Especialistas ouvidos em reportagens consultadas pela curadoria indicam alternativas como a normatização das matérias utilizados nas oferendas e pontos de coleta para entrega de presentes simbólicos que possam ser reciclados ou reaproveitados.

Vozes da comunidade e divergências

A apuração cruzou reportagens locais, notas técnicas e entrevistas com líderes religiosos, moradores e comerciantes. Quando há divergências — por exemplo, sobre estimativas de público ou sobre a efetividade da fiscalização — a reportagem procurou apresentar as versões de forma equilibrada, sem atribuir precisão não verificada.

Representantes de terreiros enfatizam a importância de preservar o caráter sagrado da festa. Para eles, a profusão de atividades seculares e estruturas comerciais pode diluir elementos centrais do culto, além de afetar o protagonismo dos praticantes nas cerimônias.

Propostas em debate

Entre as soluções apontadas nas fontes consultadas e por interlocutores locais estão:

  • Ampliação do diálogo permanente entre prefeitura, representantes de terreiros e moradores;
  • Normatização clara sobre áreas de montagem de estruturas temporárias;
  • Campanhas educativas sobre tipos de oferendas e logística de limpeza;
  • Planos de mobilidade que priorizem acesso seguro de residentes e pessoas com necessidades especiais.

Organizações ambientais sugerem, ainda, campanhas de conscientização que incentivem oferendas biodegradáveis e pontos de recolhimento organizados antes do descarte final no mar.

Equilíbrio entre turismo e tradição

Para analistas ouvidos pela curadoria, o desafio é compatibilizar os ganhos econômicos do turismo com a manutenção do sentido original da celebração. “Há espaço para o turismo, desde que o modelo respeite as práticas religiosas e o direito dos moradores ao uso do espaço público”, avaliou um pesquisador em estudos urbanos citado em reportagens.

O diálogo estruturado e a transparência nas decisões de ordenamento são apontados como pilares para reduzir conflitos e garantir que a festa mantenha sua força simbólica sem comprometer a convivência urbana.

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Fontes

Analistas apontam que o movimento pode redefinir a gestão de eventos religiosos e turísticos nas cidades costeiras nos próximos anos.

Veja mais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima