Polícia Civil cumpre mandados contra grupo que movimentava recursos para o PCC em São Paulo.

Operação Mercúrio mira rede de lavagem ligada ao PCC

Operação Mercúrio cumpriu seis prisões e 48 buscas por suspeita de prestação de serviços financeiros ao PCC; investigação segue em andamento.

Operação mira esquema que estruturava pagamentos e ocultava origem de recursos

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou na manhã desta quinta-feira a Operação Mercúrio, com o objetivo de desarticular uma rede suspeita de prestar serviços de lavagem de dinheiro ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Ao todo, cerca de cem agentes participaram das ações que resultaram no cumprimento de seis mandados de prisão e 48 mandados de busca e apreensão em diferentes endereços no estado. Foram apreendidos documentos, aparelhos eletrônicos e registros contábeis que, segundo a corporação, podem detalhar as rotas do dinheiro.

Segundo as autoridades, o grupo atuava em três núcleos distintos: coletores que recebiam valores, intermediários que estruturavam pagamentos e transferências, e beneficiários finais que ocultavam a origem dos recursos. A investigação aponta uso de empresas de fachada e movimentações bancárias atípicas para dar aparência lícita às transações.

De acordo com dados compilados pela redação do Noticioso360, que cruzou informações de agências e notas oficiais, a operação teve foco em fraudes financeiras com movimentações realizadas em contas de correntistas de diferentes cidades paulistas.

Como funcionava o esquema

Fontes policiais ouvidas em caráter reservado indicaram que parte dos recursos apreendidos teria sido destinada a financiar atividades do PCC, hipótese que agora será verificada por meio de perícias e rastreamento financeiro.

Investigadores explicaram que o funcionamento do esquema se apoiava na terceirização de serviços e numa cadeia de intermediários. Segundo a Polícia Civil, coletores recebiam dinheiro em espécie, que era encaminhado a intermediários responsáveis por fracionar e transferir os valores entre contas de empresas de fachada e contas pessoais.

“Há indícios de operações estruturadas para dificultar o rastreamento do fluxo financeiro”, afirmou um delegado envolvido na apuração, em entrevista concedida durante a ação. A corporação informou que as diligências estão concentradas em documentação que permita ligar as transações a pessoas jurídicas e físicas envolvidas.

Provas e perícias

No decorrer da manhã, equipes de investigação recolheram computadores, celulares e arquivos contábeis que serão submetidos a perícia. Além disso, a Polícia Civil relacionou a apuração à cooperação com órgãos financeiros para mapear transferências e identificar beneficiários finais.

Especialistas consultados pela reportagem destacaram que a análise forense de dispositivos eletrônicos e o cruzamento de extratos bancários costumam ser decisivos para comprovar a origem ilícita dos recursos. Caso as suspeitas sejam confirmadas, as autoridades poderão solicitar bloqueio de bens, quebra de sigilo bancário e pedidos de prisão preventiva adicionais.

Divergências sobre números e alcance

Houve variações nas informações divulgadas por veículos sobre o total de agentes mobilizados e o número de alvos inicialmente identificados. Enquanto algumas reportagens citaram aproximadamente cem agentes e seis prisões temporárias, outras apontaram números ligeiramente distintos quanto aos mandados cumpridos.

A apuração do Noticioso360 consolida as informações confirmadas em notas oficiais da Polícia Civil e em fontes policiais próximas ao caso, priorizando dados que possam ser verificados documentalmente.

Reações e defesa

Em nota, a Polícia Civil reforçou que as medidas foram autorizadas pela Justiça e que as investigações permanecem em andamento. A corporação informou ainda que outras ordens judiciais podem ser cumpridas conforme surgirem novas provas.

Algumas defesas ouvidas em reportagens afirmaram que a mera presença de pessoas em empresas ou o registro de movimentações em contas não comprova, por si só, participação em crimes financeiros. Advogados consultados ressaltam o princípio da presunção de inocência até eventual condenação em processo penal.

Impacto e próximos passos

Analistas em segurança pública ouvidos indicam que operações desse tipo têm papel estratégico para reduzir a capacidade logística e financeira de organizações criminosas. A prisão de coletadores e intermediários pode dificultar circuitos operacionais utilizados para lavagem de capitais.

As equipes responsáveis prometem aprofundar o rastreamento do fluxo financeiro e a ligação entre os beneficiários e organizações criminosas. A investigação seguirá com perícias nos materiais apreendidos e eventual cooperação internacional, caso transações com destino ao exterior sejam identificadas.

Além das medidas judiciais, promotores poderão oferecer denúncias caso haja elementos suficientes para a abertura de processo penal. Bloqueio de ativos e pedidos de indisponibilidade de bens também são medidas previstas para este tipo de apuração.

Fontes

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