Técnica sem comprovação científica gera debate; especialistas alertam para risco de infecção e reações na pele.

Técnica sem comprovação científica gera debate; especialistas alertam para risco de infecção e reações na pele.

Prática de aplicar sangue menstrual no rosto viralizou nas redes; dermatologistas alertam para falta de evidência e riscos de contaminação.

Viralização e preocupações médicas

Uma prática que voltou a circular em vídeos nas redes sociais — a aplicação do próprio sangue menstrual no rosto como máscara de “rejuvenescimento” — reacendeu o debate entre usuários e especialistas em saúde da pele. Criadoras de conteúdo têm mostrado o procedimento como um truque de beleza caseiro, muitas vezes sem detalhar origem das recomendações ou acompanhamento profissional.

Consumidores relatam efeitos imediatos como sensação de limpeza, brilho momentâneo ou alívio subjetivo, mas não há, até o momento, estudos clínicos robustos que comprovem benefícios estéticos do sangue aplicado topicamente. Além disso, há riscos práticos ligados a contaminação e reações cutâneas.

De acordo com análise da redação do Noticioso360, com base em reportagens e entrevistas especializadas, os argumentos que associam o sangue menstrual a efeitos regenerativos partem de observações sobre plaquetas e fatores de crescimento — elementos também relacionados ao PRP (plasma rico em plaquetas) usado na medicina estética. No entanto, o PRP é preparado em ambiente clínico, sob controle e com procedimentos padronizados, o que não se aplica aos vídeos virais.

O que dizem especialistas

Dermatologistas ouvidos em reportagens sobre o tema destacam que a pele do rosto pode apresentar microlesões imperceptíveis que facilitam a entrada de bactérias ou outros microrganismos. “Aplicar fluidos corporais sem esterilização pode aumentar o risco de infecções e inflamação”, afirmou em reportagem um especialista em dermatologia consultado por veículos de imprensa em 2025.

Infectologistas também alertam para a possibilidade de contaminação por patógenos presentes na pele ou no ambiente, bem como para a chance de transmissão de doenças caso haja feridas abertas. Reações alérgicas e quadros inflamatórios são mencionados como efeitos adversos plausíveis.

Diferença entre prática caseira e procedimentos clínicos

Embora o argumento dos defensores cite fatores de crescimento, a comparação com técnicas como o PRP é inadequada. Em procedimentos médicos, há preparo laboratorial, triagem do paciente, e aplicação por profissionais treinados. Nos vídeos virais, não há controle de qualidade, nem testes prévios que garantam segurança ou eficácia.

“A semelhança teórica não transforma um experimento caseiro em um procedimento clínico seguro”, observa matéria publicada por veículos internacionais que cobrem tendências de saúde e beleza.

Riscos identificados

Entre os riscos mais frequentemente apontados por especialistas estão:

  • Contaminação bacteriana por microrganismos da pele, superfícies ou ambiente;
  • Transmissão de patógenos em caso de feridas abertas ou presença de outras condições clínicas;
  • Reações alérgicas, irritação e inflamação causadas pelo contato prolongado do sangue com a pele facial;
  • Substituição de tratamentos eficazes por práticas não testadas, atrasando cuidados comprovados.

Além disso, tratamentos indicados para sinais do envelhecimento — como retinoides, proteção solar, peelings e procedimentos clínicos comprovados — continuam respaldados por evidências científicas e estudos revisados por pares.

O que dizem os defensores da técnica

Defensores argumentam que o sangue menstrual contém plaquetas e fatores de crescimento que, em teoria, poderiam ajudar na regeneração tecidual. Esse raciocínio, porém, ignora as diferenças cruciais entre um ambiente controlado de laboratório e a aplicação direta e doméstica, sem preparação adequada.

Em muitos vídeos, a prática é apresentada como natural e “purificante”, narrativas que se adequam bem a formatos curtos e visuais das plataformas digitais. A verificação de identidade dos influenciadores e a origem das recomendações é frequentemente insuficiente ou ausente nas publicações analisadas.

Recomendações práticas

Para consumidores, a orientação dos especialistas consultados por veículos jornalísticos é de cautela: evitar experimentos caseiros que envolvam fluidos corporais, não aplicar substâncias de origem corporal sobre feridas abertas e procurar orientação de dermatologistas antes de testar tratamentos alternativos.

Profissionais ouvidos recomendam ainda higiene rigorosa, priorizar produtos e procedimentos com respaldo científico e esclarecer dúvidas com médicos qualificados. Em caso de sinais de infecção — como vermelhidão intensa, dor, secreção ou febre — é indicado buscar atendimento médico imediato.

Apuração e contexto editorial

A apuração do Noticioso360 cruzou informações de reportagens e entrevistas publicadas por veículos nacionais e internacionais, além de orientações de sociedades médicas. Não foi encontrada evidência científica publicada que associe o uso tópico de sangue menstrual a rejuvenescimento facial aprovado por estudos clínicos revisados por pares.

Há diferenças de abordagem entre veículos de mídia: alguns priorizam o relato sobre a tendência nas redes; outros buscam opinião técnica de especialistas para contextualizar riscos. Nesta matéria, optou-se por priorizar a análise de riscos e a orientação de profissionais de saúde.

Como a cobertura evolui

O fenômeno se insere em um ecossistema informacional onde conteúdos visuais e de rápida difusão ampliam práticas sem controle científico. Plataformas têm rotulado e, em alguns casos, removido conteúdos potencialmente nocivos, mas a velocidade de circulação dificulta ações de mitigação imediata.

Redes sociais e produtores de conteúdo podem influenciar comportamentos de saúde pública, por isso a checagem e a mediação editorial são relevantes para minimizar danos.

Projeção

Analistas apontam que a tendência deve gerar maior atenção de sociedades médicas e agências reguladoras, e que debates sobre regulação de conteúdo de saúde nas plataformas podem se intensificar nos próximos meses.

Fontes

Veja mais

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

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