Recuperar a vida sexual após a prostatectomia
A cirurgia para remoção da próstata pode deixar sequelas físicas e emocionais que afetam o desejo, a ereção e a experiência do orgasmo. Para muitos homens e casais, entender as opções disponíveis é o primeiro passo para retomar a intimidade.
Segundo análise da redação do Noticioso360, que compilou informações de reportagens e diretrizes médicas, existem caminhos que vão desde tratamentos farmacológicos até intervenções psicológicas e opções cirúrgicas, dependendo do caso clínico.
Por que a cirurgia afeta o sexo?
A prostatectomia, indicada principalmente em casos de câncer, pode lesionar nervos e estruturas vasculares que permitem a ereção. A extensão do dano varia conforme a técnica cirúrgica, o estágio da doença e se houve preservação dos feixes nervosos.
Além do aspecto físico, ocorrem alterações na autoestima, no papel sexual e na relação com o parceiro. A ansiedade sobre a performance e o medo de falhar são queixas comuns que retardam a retomada da vida sexual.
Reabilitação peniana: o que inclui
A reabilitação peniana é um conjunto de medidas destinadas a preservar a função erétil e minimizar a atrofia tecidual. Entre os recursos mais utilizados estão:
- Inibidores de PDE5 orais (sildenafila, tadalafil), frequentemente prescritos no início da reabilitação;
- Dispositivos de vácuo, que ajudam a produzir ereções mecânicas e a manter o aporte sanguíneo;
- Injeções intracavernosas com agentes vasoativos, indicadas quando os medicamentos orais não surtem efeito;
- Próteses penianas, solução definitiva para casos refratários e quando o casal deseja retorno confiável da função erétil.
Urologistas entrevistados destacam que a eficácia dos remédios orais depende da integridade dos nervos. Quando os feixes nervosos são preservados, a resposta tende a ser melhor.
Início precoce é recomendado
Estudos clínicos e consensos apontam que iniciar a reabilitação o mais cedo possível, sob orientação especializada, aumenta as chances de recuperação. O plano é individualizado, considerando idade, comorbidades e preferências do paciente e do parceiro.
Aspectos psicológicos e de relacionamento
A retomada da intimidade quase sempre envolve trabalho psicológico. Depressão, vergonha e alterações de imagem corporal interferem diretamente no desejo e na resposta sexual.
Psicoterapia individual, terapia de casal e aconselhamento sexual são estratégias complementares que ajudam a lidar com expectativas, culpa e frustração. Envolver o parceiro nas conversas médicas costuma melhorar a adesão e os resultados.
Segurança e efeitos adversos
Medicamentos e dispositivos têm contraindicações. Inibidores de PDE5, por exemplo, não são indicados para pacientes que usam nitratos. Injeções podem provocar dor ou fibrose; próteses requerem cirurgia e trazem riscos cirúrgicos e de infecção.
Por isso, toda intervenção precisa ser acompanhada por um urologista experiente. A escolha do tratamento deve considerar riscos, benefícios e expectativas do casal.
Como conduzir o diálogo médico e o planejamento
O diálogo claro, iniciado ainda no pré-operatório, reduz ansiedade e evita surpresas. Urologistas relatam que pacientes melhor informados têm menos frustração e maior participação nas decisões.
O ideal é planejar a reabilitação como parte do cuidado oncológico: avaliação fisioterápica para exercícios pélvicos, revisão medicamentosa e encaminhamento para psicoterapia quando necessário.
Exemplos práticos de rotina de reabilitação
Planos simples e repetíveis costumam funcionar melhor. Um programa típico pode incluir:
- Uso intermitente ou diário de inibidor de PDE5 conforme prescrição;
- Sessões regulares com dispositivo de vácuo para estimular fluxo sanguíneo;
- Exercícios de musculatura pélvica e orientação fisioterápica;
- Apoio de um terapeuta sexual para ajustar expectativas e técnicas de intimidade.
O cronograma e a intensidade variam: alguns homens recuperam ereções funcionais em meses; outros podem demorar anos ou optar por tratamentos permanentes.
Quando considerar prótese peniana
A prótese é indicada quando opções conservadoras falham e o casal busca solução definitiva. Existem modelos infláveis e semirrígidos, e a escolha depende da anatomia, da preferência e do histórico médico.
Cirurgia de implante costuma ter altas taxas de satisfação, mas exige discussão aprofundada sobre riscos e expectativas.
Recomendações práticas para casais
Comunicação aberta é essencial. Ajustar a intimidade, explorar outras formas de prazer e reduzir foco exclusivo na ereção ajudam a manter a conexão.
Permitir períodos de adaptação, celebrar pequenas vitórias e buscar apoio profissional quando necessário fazem parte do processo de recuperação.



