Tribunal britânico autoriza ações contra a BHP por rompimento da barragem de Fundão, ampliando possibilidades de indenização.

Tribunal britânico autoriza ações contra a BHP por rompimento da barragem de Fundão, ampliando possibilidades de indenização.

Tribunal de Londres decide que BHP pode ser responsabilizada pelo rompimento da barragem do Fundão, abrindo caminho para ações de reparação transfronteiriças.

Decisão em Londres amplia caminho para indenizações

O Tribunal Superior de Londres decidiu que a mineradora BHP pode ser responsabilizada judicialmente pelo rompimento da barragem do Fundão, em Mariana (MG), ocorrido em 5 de novembro de 2015. A sentença, proferida em primeira instância no Reino Unido, autoriza o prosseguimento de processos coletivos que buscam reparação por danos materiais, ambientais e sociais causados pelo colapso da estrutura da Samarco.

Segundo análise da redação do Noticioso360, com base em relatórios da Reuters e da BBC Brasil, a decisão tem potencial para ampliar o alcance das ações e facilitar pedidos de indenização por parte de comunidades, prefeituras e pequenos produtores afetados ao longo do rio Doce.

O que decidiu o tribunal

A corte londrina entendeu que os tribunais do Reino Unido têm jurisdição para analisar reclamações contra a BHP, acionista majoritária da Samarco. No entendimento dos juízes, vínculos societários e de gestão entre as empresas envolvidas justificam a análise em solo britânico, especialmente quando há possibilidade de acessar documentos e testemunhos no Reino Unido.

A decisão não representa, por si só, o pagamento automático de indenizações. Ainda assim, remove barreiras processuais relevantes: permite que grupos de atingidos tramitem ações coletivas em Londres, acelera prazos para produção de provas e aumenta a pressão por acordos extrajudiciais em bases mais amplas.

Argumentos das partes

Advogados que representam grupos de atingidos afirmam que a sentença pode facilitar a instrução de provas em Londres, onde há maior possibilidade de localizar documentos e ouvir executivos estrangeiros. Para esses representantes, a situação oferece uma alternativa prática às dificuldades enfrentadas em processos no Brasil, marcados pela dispersão dos danos e pela complexidade técnica da apuração ambiental.

Por outro lado, a BHP afirmou, em nota pública, que discorda da decisão e pretende recorrer. A empresa sustenta que as ações sobre reparação e responsabilidade devem tramitar no Brasil, onde os fatos ocorreram e onde já estão em curso acordos e processos administrativos e judiciais.

Impacto local e memória da tragédia

No Brasil, o rompimento da barragem do Fundão deixou um rastro de destruição: cidades atingidas, contaminação do rio Doce, prejuízos econômicos e perdas humanas. Vinte e seis dos 49 municípios afetados chegaram a aprovar acordos de reparação com as empresas envolvidas, mas ao menos um município — Mariana — recusou um acordo proposto, alegando que os termos não atenderiam às necessidades de recuperação e compensação das populações locais.

Comunidades ribeirinhas e lideranças locais viram na decisão de Londres um reconhecimento simbólico e jurídico. “É uma validação das nossas demandas”, disse um representante comunitário em entrevista ao Noticioso360. Segundo moradores, a possibilidade de levar provas e depoimentos ao exterior também pode traduzir-se em maior visibilidade e pressão por medidas concretas de restauração.

Obstáculos práticos à execução

Especialistas apontam que uma eventual condenação no Reino Unido enfrentará desafios práticos para gerar reparações imediatas. Entre os entraves estão a necessidade de tradução e homologação de decisões, a análise sobre a coincidência ou conflito com acordos brasileiros e a dificuldade de quantificar danos ambientais de longa duração.

Além disso, a execução de sentenças estrangeiras depende de procedimentos legais que podem demandar meses ou anos. Ainda assim, a via britânica altera o equilíbrio de poder nas negociações: aumenta a probabilidade de acordos mais amplos e, possivelmente, maiores pressões por transparência na prestação de contas das indenizações.

Repercussão na comunidade jurídica

Para juristas consultados pelo Noticioso360, a decisão reforça tendências recentes de jurisdição internacional em casos ambientais de grande impacto. “Tribunais estrangeiros têm sido acionados quando as vítimas buscam fóruns com maior probabilidade de garantir acesso a evidências e responsabilização global”, explicou uma professora de direito ambiental.

Há também debate sobre limites e precedentes: advogados que defendem empresas alertam para o risco de multiplicação de ações em diferentes países e para a necessidade de definir parâmetros claros sobre competência jurisdicional em litígios transnacionais.

Contexto de acordos e fiscalização no Brasil

No país, órgãos públicos e instituições de fiscalização informaram ao Noticioso360 que continuam a acompanhar processos e a exigir cumprimento de obrigações ambientais e socioeconômicas por parte das empresas. Programas de recuperação e monitoramento seguem em vigor, mas atingidos e técnicos reclamam da lentidão e da insuficiência de medidas de restauração.

Relatórios independentes e laudos técnicos têm sido usados como base para pleitos de reparação e para avaliar impactos persistentes sobre a biodiversidade, a qualidade da água e a subsistência de comunidades ribeirinhas.

Possíveis desdobramentos e negociações

Com a remoção de obstáculos processuais, cresce a probabilidade de acordos extrajudiciais em bases que envolvam pagamentos, projetos de restauração ambiental e medidas de compensação social. Negociações nessa direção podem ocorrer tanto em Londres quanto no Brasil, dependendo da estratégia das partes e do resultado de recursos.

Representantes de grupos de atingidos destacam que a prioridade é a reparação integral e a transparência na aplicação de recursos. Autoridades públicas, por sua vez, afirmam que a coordenação entre esferas nacionais e externas será essencial para evitar conflitos de competência e garantir que a reparação atenda às necessidades locais.

Fontes

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