Peritos apontaram falhas em lacres que comprometeriam a inviolabilidade de 17 dispositivos apreendidos na operação.

Perícia recusou 17 aparelhos em operação 'Dark Horse'

Perícia técnica declarou inelegíveis 17 aparelhos apreendidos na operação 'Dark Horse' por falhas em lacres; investigação pede verificação da cadeia de custódia.

Perícia técnica aponta falhas formais em lacres de apreensões

Uma equipe de perícia ligada à investigação conhecida como operação ‘Dark Horse’ recusou, formalmente, a análise de 17 aparelhos eletrônicos — entre celulares, notebooks e pen drives — por falhas nos lacres que embalaram os itens, segundo documentos técnicos obtidos pela apuração.

De acordo com o relatório pericial, os invólucros plásticos apresentavam folga suficiente para que os dispositivos fossem retirados sem deixar sinal inequívoco de violação. Na avaliação dos responsáveis técnicos, esse defeito formal compromete a garantia de inviolabilidade e, por consequência, a confiabilidade dos dados a serem extraídos.

Curadoria e verificação

Segundo levantamento da redação do Noticioso360, os peritos descrevem nos autos “defeito formal no invólucro do plástico em que estavam os aparelhos”, e citam que as etiquetas e lacres não atendiam aos critérios mínimos de inviolabilidade esperados em apreensões destinadas à perícia forense.

O documento oficial retoma a preocupação central: sem prova documental ou técnica adicional sobre a integridade dos lacres, a análise pericial poderia gerar resultados cuja origem e autenticidade seriam contestáveis em juízo.

O que dizem os peritos

Em trecho do laudo, a responsável técnica afirma que havia espaço suficiente nos invólucros para a retirada da peça a ser periciada, “o que comprometeria a cadeia de custódia”. A equipe recomenda que os 17 aparelhos sejam considerados inelegíveis para exame forense até que se comprove, de modo inequívoco, a integridade dos lacres e da cadeia de custódia.

Os peritos também observam que o material que chegou à perícia não trazia registros visuais independentes e datados das condições das embalagens no momento da apreensão — fotos ou vídeos assinados que poderiam atenuar dúvidas sobre possível manipulação prévia.

Ausência de testes complementares

O relatório não menciona aplicação de métodos de teste adicionais nos dispositivos recusados tampouco descreve tentativa de reembalagem por equipe independente, procedimentos que poderiam mitigar o risco de contaminação ou adulteração dos dados.

Especialistas consultados pela reportagem afirmam que, em situações semelhantes, é prática recomendada documentar fotograficamente toda a cadeia de custódia e, quando houver falha, recorrer a laboratórios independentes para perícias complementares.

Implicações processuais

Do ponto de vista jurídico, a recusa formal pela perícia gera duas consequências imediatas. Primeiro, a defesa pode alegar insegurança probatória sobre eventuais provas extraídas desses dispositivos, dificultando o uso do conteúdo em processos penais.

Segundo, a investigação pode enfrentar atrasos enquanto se busca reconstituir provas, solicitar nova apreensão de cópias ou empregar técnicas alternativas — quando disponíveis — para acessar informações em nuvem, backups ou servidores vinculados às contas dos investigados.

Posicionamentos conflitantes

Fontes ligadas à operação afirmaram publicamente que os agentes responsáveis pela apreensão seguiram procedimentos padrão de lacração no momento das buscas. No entanto, os documentos periciais indicam problemas formais que colocam essa versão em dúvida.

Importante ressaltar a nuance: peritos ouvidos pela reportagem sinalizam que lacres soltos ou com folga não implicam, automaticamente, que o conteúdo foi adulterado — apenas que a garantia de inviolabilidade ficou comprometida. O laudo opta pela cautela técnica ao recusar a análise sem comprovação documental da integridade das embalagens.

Recomendações práticas sugeridas por especialistas

  • Rever a documentação da cadeia de custódia, com checagem de assinaturas, termos de apreensão e registros fotográficos datados;
  • Buscar, quando possível, backups, logs de acesso ou registros em serviços de nuvem vinculados às contas investigadas;
  • Solicitar perícias complementares por laboratórios independentes para avaliar, tecnicamente, se houve alterações nos sistemas de armazenamento;
  • Considerar a reabertura das diligências de apreensão para recompor a prova, quando cabível e autorizado judicialmente.

O que falta nos autos

Na documentação analisada pela reportagem não foram localizados registros visuais datados que mostrem as condições dos invólucros no ato da apreensão. Essa lacuna documental é central para qualquer medida capaz de preservar ou recuperar a confiabilidade probatória.

Além disso, o laudo não traz detalhamento de possíveis tentativas de análise parcial — como perícias em mídias duplicadas ou testes limitados — o que poderia indicar caminhos alternativos para aproveitar eventuais informações sem comprometer o processo.

Contexto e recomendações institucionais

Especialistas em perícia forense ouvidos por este veículo reforçam que é crucial padronizar rotinas de lacração, treinamento e documentação das apreensões. Medidas simples, como fotos datadas, registros de QR codes nos lacres e participação de testemunhas independentes, reduzem significativamente o risco de contestações futuras.

Para investigações sensíveis, a adoção de protocolos nacionais ou o uso de laboratórios acreditados que sigam normas ISO aplicáveis à cadeia de custódia é sugerida como prática mitigadora de riscos.

Fechamento e projeção

Até o momento, não há comprovação pública de que os 17 aparelhos tenham efetivamente sofrido alteração de conteúdo. O fato formal é a recusa da perícia por entender que o estado dos lacres prejudicou a garantia de inviolabilidade e, por isso, impediu a extração e análise dos dados.

Se a sequência de documentos e provas não for regularizada, é provável que partes envolvidas recorram ao judiciário para requerer perícias complementares ou questionar a admissibilidade de eventuais provas digitais. Esse cenário pode atrasar desfechos e influenciar estratégias de defesa e acusação.

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

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Fontes

Analistas apontam que o desdobramento das perícias e a eventual necessidade de reconstituição das provas podem redefinir a dinâmica processual nos próximos meses.

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