Proposta
O candidato à Presidência pelo Avante, Augusto Cury, afirmou em entrevista à Globo, em 29 de agosto de 2026, que pretende criar um Ministério da Inteligência Artificial e Robótica e ampliar o uso de drones para atuar no combate ao feminicídio e na proteção de mulheres.
Segundo a transcrição divulgada pela Globo, Cury apresentou a proposta como parte de um pacote para modernizar o aparato de segurança pública, com ênfase em tecnologias capazes de mapear áreas de risco e monitorar ocorrências em tempo real.
Curadoria e contexto
De acordo com apuração da redação do Noticioso360, que cruzou as reportagens da Globo e da CNN Brasil, as declarações do candidato foram verificadas na íntegra e contextualizadas com análises de especialistas e documentos públicos.
Fontes ouvidas pelas reportagens indicam que a ideia combina dois vetores: a criação de uma pasta governamental dedicada à inteligência artificial e robótica e a utilização de veículos aéreos não tripulados para vigilância em áreas urbanas com histórico de violência contra mulheres.
O que Cury propôs
Na entrevista, Cury descreveu o ministério como uma estrutura responsável por políticas públicas de inovação, coordenação interministerial e pela definição de normas sobre o uso de IA em serviços públicos. Ele disse ainda que a pasta teria atribuições que cruzam segurança, saúde e educação, com programas voltados à prevenção de violência.
Sobre drones, o candidato falou em formar equipes especializadas para operar aeronaves em missões de monitoramento, mapeamento de risco e suporte a ações policiais. A proposta, conforme a fala do candidato, visaria acelerar respostas a incidentes e proteger mulheres em situação de risco.
Reações e debates
Existe consenso entre especialistas consultados por veículos de imprensa de que tecnologias de monitoramento podem reduzir o tempo de resposta a ocorrências. Por outro lado, pesquisadores em tecnologia e organizações de direitos civis alertam para riscos relacionados à privacidade, uso indevido de imagens e à proteção de dados pessoais.
“Vigilância aérea exige marco regulatório claro”, disse um pesquisador ouvido em reportagens. Segundo relatos, é preciso definir quais dados serão coletados, por quanto tempo serão armazenados, quem terá acesso a essas informações e como será feita a responsabilização em casos de abuso.
Experiências internacionais
Notícias complementares apontam que políticas semelhantes foram tentadas em outros países, com resultados mistos. Em algumas jurisdições, drones ajudaram a monitorar áreas remotas e a acelerar a chegada de equipes de socorro. Em outras, a falta de regulamentação levou a questionamentos jurídicos e a custos elevados sem redução mensurável da violência.
Limites práticos e governança
Analistas destacam que criar um ministério específico para IA envolve desafios práticos: sobreposição de competências com secretarias e ministérios existentes, necessidade de orçamento próprio, governança clara e recrutamento de pessoal qualificado.
Além disso, a simples aquisição de equipamentos não garante resultados. A eficácia de tecnologia em segurança pública depende de políticas sociais complementares, investimentos em investigação policial e estratégias de prevenção estruturadas.
Custos e orçamentos
Especialistas financeiros consultados lembram que novas pastas implicam despesas de instalação, quadro de servidores, centros de pesquisa e programas operacionais. Em tempos de restrição fiscal, esses custos levantam questionamentos sobre prioridades e viabilidade prática.
Implicações legais e de direitos
Organizações de direitos humanos pedem salvaguardas que assegurem transparência e proteção a direitos fundamentais. Entre as demandas aparecem a realização de avaliações de impacto sobre proteção de dados, a definição de protocolos claros de operação e mecanismos de supervisão independente.
Sem esses controles, há riscos de uso discriminatório de tecnologia, vigilância indiscriminada de populações vulneráveis e violação de garantias constitucionais.
Política e disputa pública
Na arena política, a proposta coloca a IA na pauta da campanha e pode atrair apoio de setores favoráveis à inovação tecnológica no setor público. Ao mesmo tempo, suscita resistência de grupos que priorizam políticas sociais e questionam investimentos em tecnologia sem estratégias integradas de prevenção.
Noticioso360 identificou diferenças de ênfase entre as principais coberturas: a Globo trouxe tom e contexto da entrevista, enquanto a CNN Brasil concentrou-se nos desdobramentos práticos da proposta e na perspectiva operacional.
Questões por responder
O projeto detalhado não foi apresentado pelo candidato: faltam cronograma, estimativa de custos, desenho institucional, definição de interoperabilidade entre bases de dados e critérios de uso das imagens captadas por drones.
Sem esses elementos, especialistas afirmam ser impossível avaliar com precisão o impacto real da proposta na redução do feminicídio e na proteção cotidiana das mulheres.
O que observar adiante
Para avançar, seria necessário que o candidato apresentasse um plano técnico-legislativo incluindo: minuta de lei ou decreto de criação da pasta, avaliação de impacto sobre direitos fundamentais, estimativa orçamentária detalhada e protocolos operacionais para uso de drones.
Também será importante acompanhamento por órgãos reguladores, pelo Ministério Público e por instâncias de controle social para evitar violações e garantir transparência.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fontes
Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.
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