Relatos e tabelas recentes indicam uma redução no ritmo de perda de remanescentes na Mata Atlântica em 2025. Entre as cifras citadas em uma divulgação inicial, aparece a marca de 402 km² como área desmatada no bioma naquele ano, com queda de 15% frente aos 475 km² registrados no ano anterior. Há também menção a 305 km² para o bioma Pampa.
Esses números circularam em apuração preliminar, mas a verificação direta junto às bases primárias não confirmou a existência de uma publicação pública com exatamente essas cifras até a data da nossa checagem.
O que apuramos
Segundo análise da redação do Noticioso360, que cruzou dados disponíveis nos portais do SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE/Terrabrasilis) em 2026-08-08, não foi possível localizar uma nota técnica ou tabela pública que apresente os números exatos de 402 km² e 305 km² como consolidados. As séries históricas disponíveis mostram tendência de redução em anos recentes, mas a cifra final depende de metodologia e período adotados.
Por que os números divergem
Identificamos quatro fatores metodológicos que explicam discrepâncias entre levantamentos:
- Período de referência: alguns relatórios usam ano-civil, outros janelas móveis.
- Resolução espacial: imagens com menor resolução podem omitir áreas pequenas; imagens de alta resolução capturam desmatamentos de pequena escala.
- Definição de desmatamento: há diferenças entre contabilizar limpeza para agricultura, corte seletivo ou sinais de degradação progressiva.
- Órgão responsável: ONGs, centros acadêmicos e agências públicas aplicam protocolos distintos e têm critérios diferentes para exclusões e tratamento de nuvens e bordas.
Como procedemos na verificação
A apuração do Noticioso360 cruzou três vetores principais: bases de monitoramento públicas, relatórios institucionais e cobertura jornalística. Nos portais do SOS Mata Atlântica e do INPE/Terrabrasilis há séries históricas e notas metodológicas que permitem comparar tendências e verificar declarações. Porém, não localizamos uma publicação pública com uma tabela que apresente os valores de 402 km² e 305 km² consolidados em formato aberto até a data consultada.
Também mapeamos reportagens de veículos especializados e comunicados institucionais. Em muitos casos, resumos jornalísticos agregam ou simplificam tabelas complexas, o que pode causar aparente contradição entre veículos.
O caso do Pampa
O Pampa, por sua extensão menor e por particularidades no mapeamento, tende a apresentar variação maior entre levantamentos. Em relatórios estaduais, o Pampa às vezes aparece segregado ou incluído em recortes por unidade federativa, o que dificulta a comparação direta com números consolidados por bioma em levantamentos nacionais.
O que pode confirmar os números
Para ratificar uma cifra agregada como “402 km²” é necessário acessar as tabelas brutas usadas pelo levantamento — shapefiles ou planilhas com a lista de polígonos convertidos — e a nota metodológica que explica exclusões, critérios temporais e tratamentos de borda. Recomendamos as seguintes ações para interessados e jornalistas:
- Solicitar as tabelas brutas (shapefile/GeoJSON) e as planilhas de contagem.
- Pedir a nota técnica que descreve o período de referência e os filtros aplicados.
- Verificar a contabilidade por unidade federativa para identificar concentrações regionais.
- Consultar as séries históricas públicas do INPE/Terrabrasilis e do SOS Mata Atlântica e cruzar com outras bases independentes.
Implicações da diferença metodológica
Uma divergência na forma de contabilizar áreas pode significar diferença de dezenas ou centenas de km² em relatórios agregados. Em termos práticos, isso altera interpretações sobre ritmo de perda, eficácia de políticas públicas e prioridades de fiscalização ambiental. Por isso, transparência das bases e notas metodológicas é essencial.
Conclusão provisória
O que se pode afirmar com segurança é: (a) há sinais de redução no ritmo de perda de remanescentes na Mata Atlântica em anos recentes, confirmados por séries históricas de monitoramento; (b) a precisão do número “402 km²” depende de checagem direta com a tabela de dados da instituição que produziu o levantamento; e (c) o Pampa costuma apresentar maior variabilidade entre levantamentos.
Até que as planilhas originais e as notas técnicas sejam disponibilizadas publicamente ou entregues mediante solicitação às instituições responsáveis, continuará pendente a confirmação definitiva das cifras mencionadas na divulgação inicial.
Próximos passos e recomendações
O Noticioso360 recomenda que órgãos públicos e organizações que divulgam levantamentos de desmatamento publiquem os dados brutos e a nota metodológica junto com comunicados resumidos. Isso facilita a verificação independente e reduz interpretações equivocadas na cobertura jornalística.
Para leitores e gestores: priorizar pedidos formais de acesso às planilhas e eventualmente cruzar dados com imagens de satélite de alta resolução pode ser necessário para elucidar diferenças.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fontes
Analistas apontam que o movimento pode redefinir prioridades de conservação e as estratégias de fiscalização nos próximos anos.
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