Gianni Infantino segue contando com uma base de apoio relevante dentro da Fifa, sobretudo entre federações fora da Europa, mesmo diante de críticas públicas e resistência da Uefa.
Segundo análise da redação do Noticioso360, com base em relatórios da Reuters e da BBC Brasil, o núcleo de respaldo ao atual presidente concentra-se na Confederação Africana de Futebol (CAF) e em membros que valorizam a agenda de investimentos e projetos de infraestrutura apresentados pela gestão.
Por que a CAF aparece como protagonista
Líderes africanos têm manifestado publicamente a confiança na continuidade da presidência de Infantino, citando programas de apoio financeiro a federações nacionais, iniciativas de desenvolvimento e promessas de comercialização das competições como fatores determinantes.
Em entrevistas e comunicados, representantes da CAF destacaram aportes destinados a formação de base, capacitação técnica e melhorias operacionais em países de menor capacidade financeira. Esses investimentos, argumentam, trouxeram ganhos palpáveis para ligas nacionais e federações locais.
Voto e disciplina nos blocos
Do ponto de vista eleitoral, a influência da CAF reflete dois fatores: o número total de membros do continente e uma disciplina de voto que, em várias ocasiões, tem permitido a formação de maiorias em assembleias decisivas.
Analistas políticos e especialistas em governança do esporte afirmam que, em uma instituição composta por 211 federações, a construção de maiorias passa pelo engajamento efetivo de blocos fora da Europa. Assim, o apoio africano tende a ser decisivo para a estabilidade de qualquer presidência.
Outras confederações e federações que sustentam Infantino
Além da CAF, relatos apontam que federações em regiões como a Ásia, a Oceania e algumas associações na América do Norte e Central veem na gestão atual uma agenda pragmática de financiamento e infraestrutura.
Esses membros, muitas vezes com menor peso econômico no mercado do futebol global, valorizam a oferta de recursos e programas operacionais que prometem reduzir desigualdades e profissionalizar estruturas nacionais.
Projetos e recursos como moeda de troca
Entre os argumentos a favor de Infantino estão a disponibilização de fundos, apoio técnico e propostas de comercialização que, na avaliação de apoiadores, modernizam a gestão das competições e trazem receitas para federações menores.
Para esses atores, a perspectiva de acesso a verbas e consultoria internacional pesa mais do que as críticas levantadas por europeus sobre riscos de concentração de poder econômico ou lacunas de governança.
O contraponto europeu: Uefa e críticas públicas
Por outro lado, a União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) e clubes e federações europeias têm se posicionado com reservas — e em alguns casos, com oposição aberta — ao modelo proposto para administrar e comercializar competições internacionais.
A discordância pública atingiu maior visibilidade quando uma proposta de criação de uma empresa para gerir competições da Fifa — incluindo a possibilidade de venda parcial de ativos — foi retirada da pauta após forte debate.
Relatórios da Reuters registraram que o recuo da proposta ocorreu diante de críticas sobre governança, transparência e risco de concentração de poder econômico fora dos mecanismos tradicionais da entidade.
Interesses comerciais versus preservação de prerrogativas
Fontes da BBC Brasil destacaram que o embate traduz uma tensão entre interesses comerciais e a preocupação europeia em preservar controles históricos sobre competições e contratos comerciais.
Em reuniões e notas oficiais, dirigentes europeus questionaram processos decisórios e alertaram para possíveis fragilidades na supervisão de eventuais sociedades que administrassem eventos globais.
Nem unanimidade, nem isolamento: as nuances do apoio
É importante frisar que o apoio à Infantino, mesmo no seio da CAF e de outros blocos, não é necessariamente unânime. Fontes consultadas pela redação mencionam federações que adotam posturas cautelosas, condicionando apoio formal à análise de custos, contrapartidas e garantias de governança.
Em fóruns regionais, a CAF tem atuado para articular posições favoráveis, mas o mapa de votos continua sujeito a negociações e acordos políticos que se desenrolam nos bastidores.
Transparência e documentos
Documentos oficiais e comunicados formais publicados até o momento mostram um quadro dividido: enquanto a direção da CAF divulgou declarações públicas de confiança, a Uefa emitiu notas pedindo revisão de propostas e salvaguardas.
A reportagem do Noticioso360 buscou cruzar versões e priorizar documentos e declarações públicas, constatando que a disputa é ao mesmo tempo institucional e geopolítica.
O que vem a seguir
Espera-se que o debate volte a instâncias deliberativas da Fifa com propostas possivelmente revisadas, incluindo mecanismos reforçados de governança e transparência. Negociações políticas entre blocos continentais provavelmente continuarão nos bastidores.
Observadores do futebol internacional indicam que a CAF permanecerá em posição ativa para defender sua agenda, enquanto a Uefa e aliados europeus devem exigir salvaguardas maiores em eventuais arranjos comerciais.
Monitorar votações internas, atas de reuniões e novas declarações formais das federações será essencial para mapear como se formarão as maiorias nas próximas deliberações.
Fontes
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.
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