Estudo mostra que gordura visceral aumenta risco cardiometabólico, inclusive em pessoas com IMC normal.

Gordura visceral: por que preocupa mais que o peso

Pesquisa da McMaster aponta que gordura visceral eleva risco cardiovascular e metabólico; especialistas pedem avaliação além do IMC.

A gordura visceral — o tecido adiposo localizado entre os órgãos internos — tem sido apontada como um fator de risco independente para doenças cardíacas e metabólicas, ainda que a pessoa aparente estar magra. A evidência vem de um estudo da Universidade McMaster (Canadá) que correlacionou medidas por imagem a desfechos clínicos.

Segundo análise da redação do Noticioso360, com base em reports da Reuters e da BBC Brasil, a pesquisa reforça que a distribuição da gordura corporal importa tanto quanto o volume total. Exames como tomografia computadorizada e ressonância magnética foram usados para quantificar depósitos viscerais e relacioná‑los a eventos cardiovasculares e marcadores metabólicos.

Por que a gordura visceral é mais perigosa?

A gordura visceral é metabolicamente ativa. Ao contrário da gordura subcutânea, que fica sob a pele, a visceral libera adipocinas e citocinas pró‑inflamatórias que podem provocar resistência à insulina, alterações no perfil lipídico e inflamação sistêmica.

Esses processos aumentam a propensão a doenças como infarto, acidente vascular cerebral, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica. A relação se mantém mesmo após ajuste para índice de massa corporal (IMC), segundo os autores.

Métodos do estudo e achados principais

Pesquisadores da McMaster analisaram imagens de grandes coortes, usando tomografia (TC) e ressonância magnética (RM) para medir com precisão gordura intra‑abdominal. Em acompanhamento longitudinal, indivíduos com maior quantidade de gordura visceral apresentaram maior incidência de eventos cardiovasculares.

A Reuters destacou a força estatística da associação, enquanto a BBC Brasil explicou os mecanismos biológicos e sugeriu que medidas clínicas apenas com base no IMC podem subestimar risco em pacientes com acúmulo visceral.

Magreza aparente, risco oculto

O estudo chama atenção para o conceito de “magreza metabólica” — pessoas com peso e IMC dentro da faixa considerada normal, mas com excesso de gordura visceral. Essas pessoas podem não apresentar sinais óbvios na aparência, o que dificulta a detecção sem exames específicos.

O que a pesquisa recomenda na prática clínica?

Os autores e especialistas consultados sugerem que médicos considerem medidas adicionais ao IMC na avaliação do risco cardiovascular. Entre as alternativas mais viáveis estão a medição da circunferência abdominal e a avaliação de fatores de risco tradicionais: pressão arterial, glicemia de jejum e perfil lipídico.

Exames de imagem são o padrão para quantificar a gordura visceral, mas não são recomendados em massa por custo e logística. Portanto, triagem baseada em histórico familiar, sedentarismo, dieta rica em ultraprocessados e medidas antropométricas pode ajudar a identificar quem deve avançar para exames complementares.

Como reduzir a gordura visceral?

Intervenções de estilo de vida continuam sendo a base do tratamento e prevenção. Perda de peso moderada, prática regular de exercício aeróbico, treinamento de força e redução de carboidratos refinados e açúcares são medidas com evidência de redução da gordura visceral.

Importante: estudos mostram que é possível reduzir depósitos viscerais mesmo sem grande variação no peso corporal, quando há melhora na composição corporal — por exemplo, aumento de massa magra e diminuição de gordura abdominal.

Implicações para políticas públicas

Para o contexto brasileiro, a apuração do Noticioso360 indica que depender exclusivamente do peso e do IMC em programas de saúde pode deixar de fora uma parcela de risco oculto. Estratégias de baixo custo, como campanhas sobre circunferência da cintura e promoção de atividade física, podem ter alto impacto.

Ao mesmo tempo, há um desafio de equidade: populações com menos acesso a alimentação saudável e espaços para exercício tendem a apresentar maior risco acumulado. Políticas que facilitem alimentação de qualidade e ambientes ativos são recomendadas.

O que os pacientes devem fazer?

Especialistas ouvidos sugerem medidas práticas: solicitar ao médico a medição da circunferência abdominal, verificar pressão arterial, glicemia e colesterol regularmente e discutir fatores de estilo de vida. Profissionais podem encaminhar para exames por imagem quando há sinais clínicos ou múltiplos fatores de risco.

Lembretes simples — reduzir bebidas açucaradas, aumentar atividade física aeróbica, priorizar proteínas magras e fibras — têm efeito demonstrado na redução de gordura visceral.

Limitações e próximas etapas

A apuração cruzou documentos do estudo, comunicados e reportagens. Algumas limitações metodológicas apontadas incluem variações nos critérios de seleção das amostras e nos limiares usados para definir risco. A leitura direta do artigo científico é recomendada para interpretação detalhada.

Os pesquisadores defendem estudos adicionais para avaliar intervenções específicas e para definir melhores estratégias de triagem populacional que equilibrem eficácia e custo‑benefício.

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Fontes

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Especialistas avaliam que os achados podem orientar mudanças nas diretrizes clínicas e nas campanhas de prevenção nos próximos anos.

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