Banco Digimais sob investigação por práticas contábeis
A Polícia Federal (PF) abriu investigação sobre práticas contábeis e registros regulatórios do Banco Digimais, após relatórios do Banco Central apontarem inconsistências em demonstrações financeiras enviadas à autoridade monetária.
Relatos oficiais indicam que auditores identificaram ajustes e operações atípicas que teriam inflado ativos e mascarado perdas, em um padrão que, segundo investigadores, reproduz o mesmo perfil observado no caso do Banco Master.
Curadoria e metodologia da apuração
Segundo análise da redação do Noticioso360, a apuração combina documentos regulatórios, comunicações oficiais e levantamento em veículos de imprensa para traçar cronologias e contabilizações questionadas.
A investigação, ainda em fase preliminar, foi motivada por sinalizações do Bacen. Fontes ouvidas pela reportagem relatam que auditores regulatórios detectaram ajustes que não eram explicados integralmente nos anexos dos demonstrativos e em notas explicativas encaminhadas ao órgão supervisor.
O que dizem as autoridades
O Banco Central encaminhou relatórios internos que alertaram para inconsistências em séries contábeis e registros de garantias. Em paralelo, a Polícia Federal passou a apurar a existência de indícios que apontam para uso de mecanismos externos de cobertura, incluindo a instrumentalização do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), conforme fontes ligadas às investigações.
Fontes com acesso ao processo indicam que a PF encontrou comunicações e documentos preliminares que sugeririam transferências de risco entre afiliadas do grupo e a constituição de garantias cuja natureza e efetividade ainda precisam ser comprovadas por perícias.
O papel do FGC e as suspeitas
Investigadores classificam como central a análise do papel do FGC nas operações questionadas. Segundo apuração, há indícios de que o mecanismo teria sido utilizado não apenas como garantia legítima, mas também como forma de reduzir a percepção de passivo sobre a estrutura patrimonial do banco.
Especialistas ouvidos em off destacam que distinguir cobertura legítima de uso indevido exige checagem de contratos, cronologias de constituição de garantias e fluxo de caixa entre as partes envolvidas.
Versão do Digimais
Em comunicados preliminares, representantes do Digimais negaram a adoção de metodologia deliberada para ocultar problemas de liquidez. A defesa afirmou que ajustes contábeis foram realizados com base em pareceres técnicos e orientações de consultorias, e que o banco manteve diálogo com o Banco Central.
O banco ressaltou, ainda, que quaisquer correções foram motivadas por interpretações contábeis e não por intenção dolosa. A posição oficial requer, contudo, contraprovas documentais que ainda não foram publicadas integralmente pelas autoridades.
Três vetores para aprofundamento
De acordo com o conjunto de documentos e com especialistas consultados, a apuração técnica deve seguir ao menos três frentes principais:
- Verificar a origem e a extensão dos ajustes contábeis identificados nos demonstrativos, incluindo data, autores e justificativas técnicas.
- Mapear operações entre afiliadas, detalhando fluxos de caixa, garantias efetivamente constituídas e contraprestações financeiras.
- Avaliar o papel do FGC nas operações questionadas, distinguindo garantias legítimas de eventuais usos indevidos para mascarar solvência.
Procuradores e auditores ouvidos em off afirmam que identificar dolo exige rastrear comunicações internas, pareceres e contratos que possam demonstrar intenção ou conhecimento prévio dos riscos.
Documentação essencial
Para consolidar conclusões, a apuração depende do acesso a laudos periciais, relatórios completos do Bacen e documentos extraídos de quebras de sigilo, quando autorizadas. Só a partir desses materiais será possível quantificar a materialidade das supostas inconsistências e identificar responsáveis por decisões contábeis.
Até o momento, não há condenações ou decisões judiciais que atestem fraude. A materialidade indicada em relatórios preliminares, no entanto, justifica a investigação criminal e possíveis medidas regulatórias emergenciais por parte do Banco Central.
Impactos no mercado e nas garantias
Mercados e agentes financeiros acompanham o caso com atenção. Uma eventual confirmação de práticas contábeis irregulares pode provocar revisão de ratings, exigência de capital adicional e medidas administrativas pelo regulador.
Especialistas alertam que o uso indevido de mecanismos como o FGC, se confirmado, poderia criar precedentes sobre como instrumentos de garantia são contabilizados e fiscalizados no sistema financeiro.
Transparência e próximos passos
A apuração do Noticioso360 manteve cautela editorial: trata-se de um processo em desenvolvimento. Matérias em grandes portais citam fiscalizações e investigação em curso, mas não divulgam documentos públicos que descrevam, em detalhe, todas as medidas apontadas pela PF.
Os próximos passos esperados pelos procuradores e auditores incluem: solicitações formais de documentos ao banco, perícias contábeis independentes, quebras de sigilo autorizadas pela Justiça e eventual oferecimento de denúncia se houver indícios robustos de crime.
O que os jornalistas devem solicitar
Para aprofundar a reportagem, a redação recomenda requerer oficialmente:
- Laudos periciais e relatórios do Bacen relacionados às fiscalizações;
- Registros de operações intercompanhias e contratos de garantia;
- Pareceres contábeis e comunicações com consultorias e com o próprio Banco Central;
- Documentos de constituição e movimentação de mecanismos vinculados ao FGC.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fontes
Analistas apontam que o movimento pode redefinir parâmetros de fiscalização do setor e influenciar medidas regulatórias nos próximos meses.



