Por que algumas pessoas parecem atrair mosquitos como imãs enquanto outras quase não recebem picadas? A resposta, segundo estudos reunidos pela comunidade científica, não é única: múltiplos sinais químicos, físicos e genéticos interagem para tornar certos indivíduos mais “visíveis” aos insetos.
Segundo análise da redação do Noticioso360, com base em reportagens da Reuters, da BBC Brasil e do G1, os principais fatores incluem o dióxido de carbono exalado, o odor corporal — influenciado pela microbiota da pele —, o calor e a umidade emitida pelo corpo. Cada um desses sinais atua em distâncias e etapas diferentes da detecção pelos mosquitos.
Como os mosquitos encontram as pessoas
O dióxido de carbono (CO2) é um dos atratores mais importantes. Mosquitos detectam gradientes de CO2 a longas distâncias e usam esse sinal para orientar o voo em direção a potenciais hospedeiros.
Além do CO2, o calor corporal e a umidade liberada pela pele ajudam os insetos a localizar pontos específicos para pousar e picar. Enquanto o CO2 funciona como um “alerta” à distância, o calor e a umidade são pistas de curto alcance que guiam a aproximação final.
O papel do odor corporal e da microbiota
Estudos citados pelas fontes mostram que a química da pele — o perfil de moléculas voláteis produzidas pelo metabolismo humano e pelas bactérias que vivem na pele — cria odores individuais. Pessoas com maior diversidade microbiana ou com composições bacterianas específicas liberam cheiros mais atraentes para certas espécies de mosquito.
Em alguns experimentos, amostras de suor e extratos cutâneos foram suficientes para atrair mosquitos em ambientes controlados, o que fortalece a hipótese de que o odor corporal é um fator decisivo na escolha do hospedeiro.
Fatores fisiológicos e comportamentais
Característica como o tipo sanguíneo também aparecem nos estudos. Há indícios de que pessoas com sangue tipo O recebem mais picadas do que as de tipo A ou B, embora o efeito não seja absoluto e dependa da espécie do mosquito e do contexto.
A gravidez aumenta de modo consistente a atração: gestantes exalam mais CO2 e costumam ter temperatura corporal ligeiramente mais alta, o que as torna alvos preferenciais. Por isso, medidas de proteção para grávidas são frequentemente enfatizadas por autoridades sanitárias.
Comportamentos e ambiente também importam. O consumo de álcool — especialmente cerveja — foi associado a maior atratividade em estudos observacionais. Hipóteses para o efeito incluem mudanças no odor corporal e pequenas alterações na temperatura da pele.
Roupas escuras podem facilitar a visualização por mosquitos de algumas espécies, enquanto movimento e respiração mais intensa (como durante exercícios) elevam a produção de CO2 e aumentam o risco de picadas.
Espécies diferentes, respostas diferentes
Nem todo mosquito age da mesma forma. O Aedes aegypti, vetor da dengue, zika e chikungunya, tem hábitos diurnos e responde fortemente a sinais visuais e olfativos próximos. Já Culex e Anopheles têm janelas de atividade e preferências distintas, o que altera o padrão de picadas segundo o contexto local.
Entender qual espécie está presente em uma região é crucial para avaliar risco e indicar medidas preventivas mais adequadas — por exemplo, uso de telas, repelentes aprovados e controle de criadouros.
Limites das evidências e controvérsias
É importante destacar que muitos estudos são laboratoriais ou têm amostras pequenas, o que dificulta extrapolações em larga escala. Algumas pesquisas mostram efeitos robustos da microbiota e do CO2, enquanto outras enfatizam fatores comportamentais. A literatura ainda busca quantificar exatamente quanto cada fator contribui para a atração.
Além disso, a interação entre variáveis (por exemplo, tipo sanguíneo mais odor específico e calor) complica a atribuição de causalidade direta. Estudos futuros, com amostras maiores e em ambientes naturais, são necessários para esclarecer essas relações.
O que fazer para reduzir as picadas
As recomendações práticas convergem: uso regular de repelentes aprovados, eliminação de água parada que sirva de criadouro para o Aedes, roupas que cubram a pele nos horários de maior atividade do mosquito e atenção ao consumo de álcool em situações de risco.
Para gestantes, a proteção é especialmente relevante, dadas as consequências potenciais de infecções por arboviroses. Agentes de saúde aconselham a priorizar medidas coletivas e individuais nessas circunstâncias.
Implicações para saúde pública no Brasil
No contexto brasileiro, onde o Aedes aegypti é vetor endêmico, saber quais subgrupos da população são mais visados pode ajudar a direcionar campanhas preventivas e estratégias de vigilância. Se certos perfis são consistentemente mais atraentes, políticas de comunicação e distribuição de repelentes podem ser ajustadas para maximizar proteção.
Por outro lado, a heterogeneidade das evidências exige cautela: intervenções devem basear-se em estudos locais e monitoramento contínuo para evitar desperdício de recursos e garantir eficácia.
Perspectiva futura
A investigação continua a avançar em níveis moleculares e ecológicos. Pesquisadores buscam identificar compostos específicos que atraem ou repelem mosquitos, o que pode abrir caminho para novos tipos de repelentes, armadilhas mais eficazes e estratégias de manipulação da microbiota cutânea.
Se essas linhas de pesquisa forem bem-sucedidas, poderão surgir soluções mais precisas e personalizadas para reduzir picadas e o risco de transmissão de doenças.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fontes
Analistas apontam que novas descobertas sobre a atração de mosquitos podem redefinir estratégias de prevenção nos próximos anos.
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