Pesquisa da UNIFESP mostra que digestão libera apenas parte dos minerais das nozes; preparo e combinação influenciam.

Nozes têm minerais essenciais, mas absorção é parcial

Estudo da UNIFESP com apoio da FAPESP conclui que parte dos minerais das nozes não fica disponível após digestão; recomenda-se variedade e preparo adequado.

Um estudo realizado no campus de Diadema da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e publicado na revista Química Nova, aponta que nozes contêm minerais essenciais — como ferro, zinco e magnésio —, mas que apenas uma fração desses nutrientes fica realmente disponível para absorção após a digestão.

Os pesquisadores analisaram amostras de diferentes espécies de nozes e aplicaram modelos que simulam as etapas da digestão humana. A medição focou na fração solúvel dos minerais, isto é, na parcela potencialmente transportada pelo intestino para a circulação. Apesar de níveis brutos significativos, a liberação efetiva dos minerais foi limitada por fatores ligados à própria composição do alimento.

Segundo análise da redação do Noticioso360, a investigação confirmou que compostos como fitatos, além da interação com a fibra e a matriz lipídica do fruto seco, reduzem a biodisponibilidade mineral. Essas substâncias podem se ligar aos minerais no trato digestivo e torná‑los menos solúveis, dificultando a absorção.

Como foi o estudo

Os testes incluíram etapas de digestão in vitro que reproduzem condições gástricas e intestinais, medidas de solubilidade mineral e comparação entre diferentes métodos de processamento das nozes — cruas, demolhadas e torradas em diferentes temperaturas.

Os resultados mostraram variação entre espécies e tratamentos. Em alguns casos, a torrefação controlada aumentou a fração solúvel de certos minerais, possivelmente por degradar compostos inibidores. Em outros, a demolha reduziu compostos fenólicos e fitatos, facilitando a liberação mineral.

O que é biodisponibilidade e por que importa

Biodisponibilidade refere‑se à parcela de um nutriente que, após a digestão, fica disponível para absorção e uso pelo organismo. Como explica uma das pesquisadoras consultadas no estudo, “Alimentos podem apresentar valores elevados de um nutriente em análises químicas, mas o corpo só aproveita o que é bioacessível e absorvível”.

Essa diferença entre composição bruta e aproveitamento prático é relevante para profissionais de saúde, especialmente quando o objetivo é prevenir ou tratar deficiências minerais. Populações com risco aumentado de anemia por deficiência de ferro, por exemplo, precisam considerar não apenas a presença do mineral nos alimentos, mas também sua disponibilidade real.

Fatores que reduzem a disponibilidade

  • Fitatos: presentes naturalmente em sementes e oleaginosas, podem formar complexos com minerais.
  • Matriz lipídica: a gordura presente nas nozes altera a liberação de minerais durante a digestão.
  • Fibras e compostos fenólicos: podem prender minerais ou alterar o pH local, reduzindo solubilidade.

Práticas que podem melhorar a absorção

Apesar das limitações, a pesquisa e especialistas consultados pela reportagem indicam estratégias simples que aumentam a fração de minerais disponível:

  • Combinar nozes com fontes de vitamina C (como frutas cítricas) para favorecer a absorção de ferro.
  • Demolhar sementes e nozes antes do consumo para reduzir fitatos.
  • Torrefação controlada, que em alguns casos reduz compostos inibidores sem degradar demais os nutrientes.
  • Variar as espécies consumidas para aproveitar perfis minerais complementares.

Nutricionistas ouvidos ressaltam que pequenas mudanças no preparo e na composição das refeições podem aumentar significativamente a bioacessibilidade de minerais, sem necessidade de eliminar alimentos nutritivos da dieta.

Benefícios das nozes além dos minerais

Os autores do estudo e especialistas enfatizam que a redução da biodisponibilidade não anula os benefícios reconhecidos das nozes. Estudos epidemiológicos citados na literatura associam o consumo regular de oleaginosas a menor risco cardiovascular, melhor perfil lipídico e maior sensação de saciedade.

“Mesmo que nem todo mineral seja absorvido, nozes oferecem outros elementos importantes para a saúde — gorduras insaturadas, fibras e compostos bioativos”, afirma um pesquisador em bioquímica de alimentos entrevistado pela reportagem.

Como interpretar os resultados no dia a dia

Para a maioria da população, recomendações dietéticas não precisam ser alteradas com base apenas nesta limitação de biodisponibilidade. A orientação prática é manter variedade alimentar, associar fontes de ferro vegetal a alimentos ricos em vitamina C e considerar preparo adequado quando a meta é aumentar ingestão mineral.

Pacientes com risco de deficiência mineral ou condições clínicas específicas devem procurar avaliação profissional antes de alterar suplementações ou rotinas alimentares.

Comparação com outras coberturas

A cobertura comparada entre nota técnica dos autores e resumos divulgados por agências científicas mostra pouca divergência factual, mas diferenças de ênfase: veículos de saúde tendem a destacar os benefícios gerais do consumo de nozes, enquanto o artigo técnico foca em mecanismos bioquímicos e limitações.

O trabalho de curadoria da redação do Noticioso360 cruzou dados da FAPESP, do artigo publicado na Química Nova e de reportagens especializadas para equilibrar a leitura entre importância nutricional e limitações de absorção.

Fechamento e projeção

Apesar das restrições detectadas, a tendência é que pesquisas futuras aprofundem formas acessíveis de aumentar a bioacessibilidade mineral em oleaginosas — seja por processamento simples, combinação alimentar ou desenvolvimento de variedades com menor teor de compostos inibidores.

Analistas apontam que o avanço nessas estratégias pode ampliar o papel das nozes em programas de nutrição pública, especialmente em contextos com déficits minerais elevados.

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Fontes

Analistas apontam que avanços em processamento e seleção de variedades podem ampliar o uso de oleaginosas em políticas nutricionais nos próximos anos.

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