NOVA, da USP, classifica alimentos por processamento; ultraprocessados têm relação observada com hipertensão e eventos cardíacos.

Pão é ultraprocessado? Sistema da USP explica

NOVA, criado pela USP, classifica alimentos por grau de processamento; estudos associam ultraprocessados a hipertensão e doenças cardiovasculares.

Como distinguir um pão artesanal de um produto ultraprocessado no supermercado? A resposta não está no formato, mas na lista de ingredientes e no grau de processamento, segundo pesquisadores.

O debate sobre ultraprocessados ganhou atenção nos últimos anos por estudos que ligam seu consumo a piores desfechos de saúde. Segundo análise da redação do Noticioso360, com base em levantamentos da Reuters e da BBC Brasil, a classificação NOVA — desenvolvida por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) — é amplamente utilizada em pesquisas epidemiológicas para identificar esses produtos.

O que é o NOVA e como ele classifica alimentos

O sistema NOVA divide os alimentos em quatro grupos: 1) in natura ou minimamente processados; 2) ingredientes culinários processados; 3) alimentos processados; e 4) alimentos ultraprocessados. A principal diferença entre um pão “não ultraprocessado” e um ultraprocessado está nos ingredientes e nas etapas industriais.

Pães feitos com farinha, água, sal e fermento, sem aditivos, entram na categoria de minimamente processados. Já pães industriais que contêm emulsificantes, conservantes, gorduras hidrogenadas e misturas prontas de ingredientes costumam ser classificados como ultraprocessados.

O que a evidência científica mostra

Estudos observacionais e coortes citados por veículos internacionais indicam que dietas com alto consumo de ultraprocessados estão associadas a maior risco de hipertensão, eventos cardiovasculares e mortalidade precoce.

Pesquisadores que utilizam a classificação NOVA ajustam análises para fatores sociodemográficos e estilos de vida, mas reconhecem limites: por se tratarem de estudos observacionais, eles não provam causalidade direta. Ainda assim, vários mecanismos biológicos plausíveis reforçam a hipótese de impacto prejudicial.

Mecanismos plausíveis

Ultraprocessados tendem a ser mais ricos em sódio, açúcares adicionados e gorduras de pior qualidade, e pobres em fibras e micronutrientes. Esses atributos nutricionais podem contribuir para aumento da pressão arterial e piora do perfil cardiometabólico.

Além disso, aditivos, processos industriais e composição energética podem afetar sinais de saciedade, levando a maior consumo calórico e ganho de peso — outro fator ligado a risco cardiovascular.

Críticas e limitações do rótulo “ultraprocessado”

Especialistas críticos apontam que a etiqueta “ultraprocessado” agrega produtos muito distintos — de sopas instantâneas a pães industriais — e que essa heterogeneidade pode dificultar avaliações finas por produto. A preocupação é que a simplificação metodológica extrapole limites das evidências.

A indústria alimentícia também questiona generalizações, citando que alguns alimentos processados podem aumentar a segurança alimentar, facilitar acesso a micronutrientes fortificados e reduzir perdas. Pesquisadores e órgãos de saúde pública, por sua vez, defendem que a discussão não anula benefícios tecnológicos, mas destaca a necessidade de políticas que desencorajem produtos com perfil nutricional desfavorável.

O que olhar na prática: como avaliar pães

Para consumidores, a recomendação prática é ler a lista de ingredientes. Pães com poucos ingredientes — farinha, água, sal e fermento — e sem aditivos industriais tendem a não ser ultraprocessados. Produtos com mistura pronta, gorduras hidrogenadas, adoçantes, conservantes e muitos aditivos costumam entrar na categoria de ultraprocessados.

Rotulagem clara e informação nutricional ajudam na decisão. Especialistas consultados em reportagens defendem também priorizar preparações caseiras e a ingestão maior de alimentos minimamente processados.

Implicações para políticas públicas

Segundo apuração do Noticioso360, a simplicidade do NOVA é vista como vantagem para comunicação e formulação de políticas públicas, como campanhas educativas, rotulagem mais clara e tributação seletiva. Essas medidas visam reduzir o consumo de produtos com alto teor de sódio, açúcares e gorduras insalubres.

No entanto, especialistas pedem mais estudos de intervenção e experimentais para confirmar mecanismos e quantificar o efeito de substituir ultraprocessados por alternativas menos processadas em populações diversas.

Perspectivas e próximos passos

Pesquisadores sugerem dois caminhos complementares: refinamento da classificação para distinguir subgrupos dentro dos ultraprocessados e estudos de políticas públicas que avaliem impactos reais sobre consumo e saúde populacional. Avaliações de rotulagem, restrição de publicidade e medidas fiscais são vistas como prioridades por parte das autoridades sanitárias.

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Fontes

Analistas apontam que a ampliação de estudos e de políticas públicas sobre alimentos ultraprocessados pode redefinir recomendações nutricionais e regulatórias nos próximos anos.

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