O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou, em entrevista publicada em vídeo, que o Brasil deveria abandonar o Pix — o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central do Brasil — e adotar o Zelle, rede de transferências utilizada nos Estados Unidos.
A declaração foi feita durante participação no canal TMC e rapidamente repercutiu em redes sociais. A proposta, apresentada como alternativa técnica, suscitou checagens sobre sua viabilidade jurídica, econômica e operacional.
O que foi dito e onde
No vídeo, publicado pelo canal TMC, Eduardo Bolsonaro listou supostas vantagens do Zelle em termos de segurança e interoperabilidade, e defendeu que o Brasil “abra mão” do Pix em favor de um sistema que, segundo ele, já seria mais consolidado.
A postagem do próprio político nas redes sociais retomou a mesma tese e ajudou a ampliar a difusão do conteúdo. Não há, contudo, registro de qualquer iniciativa formal do Executivo ou do Banco Central do Brasil para adotar o Zelle como substituto do Pix.
Curadoria e verificação
Segundo levantamento e curadoria da redação do Noticioso360, que cruzou o vídeo, postagens públicas do político e reportagens de veículos nacionais e internacionais, a proposta é uma sugestão política pessoal, sem efeito prático imediato.
A apuração incluiu checagem em comunicados e agendas oficiais — não foram encontrados documentos do Banco Central, do Ministério da Economia ou do Palácio do Planalto indicando qualquer movimento para abandonar o Pix.
Diferenças técnicas entre Pix e Zelle
O Pix é um sistema administrado pelo Banco Central do Brasil desde 2020. Foi concebido para permitir transferências instantâneas entre contas bancárias, fintechs e instituições de pagamento, com disponibilidade 24/7 e sem tarifas obrigatórias para pessoas físicas em muitas transações.
O Zelle, por sua vez, é uma rede de pagamentos baseada em arranjos privados entre bancos norte-americanos. Funciona majoritariamente no ecossistema bancário dos EUA e opera conforme regras comerciais e regulatórias próprias daquele mercado.
Além disso, o Zelle não é um sistema de adesão pública internacional: sua infraestrutura, padrões e governança foram desenhados para um ambiente regulatório e institucional diferente do brasileiro.
Obstáculos regulatórios e legais
Substituir o Pix por um serviço estrangeiro implicaria mudanças legais e regulatórias profundas. A adoção de um arranjo privado como o Zelle exigiria:
- negociações bilaterais e contratuais com instituições detentoras da tecnologia;
- alterações na legislação que rege pagamentos e arranjos de infraestrutura financeira;
- avaliações de soberania e de proteção a dados financeiros dos usuários;
- adequações às normas de prevenção a fraudes e compliance entre jurisdições distintas.
Também seria necessário compatibilizar formatos técnicos, padrões de identificação e interoperabilidade com o sistema bancário brasileiro — um processo que demandaria tempo e altos custos de transição.
Impactos sociais e econômicos
Uma mudança radical no modelo de pagamentos pode afetar milhões de usuários. O Pix, por ser gratuito ou de baixo custo para pessoas físicas, passou a ser ferramenta essencial para microempreendedores, comércio eletrônico e transferência de benefícios.
Na prática, transferir para um sistema baseado em arranjos privados poderia elevar custos, restringir acesso a usuários sem conta em bancos parceiros e criar barreiras à inclusão financeira que o Pix ajudou a reduzir.
Além disso, qualquer alteração brusca requereria planos detalhados de migração para não interromper pagamentos salariais, tributos e benefícios sociais.
O que dizem as instituições
Até o momento da verificação, não foram encontrados comunicados oficiais do Banco Central do Brasil sinalizando intenção de migrar para o Zelle ou de desativar o Pix. Autoridades responsáveis pela política de pagamentos desempenhariam papel central em qualquer alteração desse porte.
Fontes jornalísticas consultadas tratam a declaração de Eduardo Bolsonaro como posicionamento político e não como anúncio de política pública. Reportagens especializadas sobre pagamentos discutem riscos operacionais e segurança, mas não apontam um processo de substituição em curso.
Cobertura e divergências
Alguns veículos de imprensa publicaram notas sobre o episódio ressaltando o caráter opinativo da proposta. Há cobertura sobre críticas pontuais ao Pix — como seu uso indevido em fraudes ou questões de custeio entre instituições — mas isso é distinto de um plano efetivo de adoção de uma tecnologia externa.
Portanto, cabe diferenciar a fala do político, que expressa uma opinião, da existência de um projeto formal ou de estudos públicos que justifiquem uma mudança tão ampla.
Conclusão
A proposta divulgada em vídeo por Eduardo Bolsonaro deve ser entendida como posicionamento político, e não como uma medida em tramitação no governo ou no Banco Central. A adoção do Zelle exigiria negociações internacionais, mudanças regulatórias e impacto sobre inclusão financeira.
Seguindo práticas jornalísticas, o Noticioso360 recomenda que leitores verifiquem comunicados oficiais do Banco Central e do Executivo caso surjam novos documentos ou anúncios sobre infraestrutura de pagamentos.
Projeção futura
Mesmo sem intenção declarada pelas autoridades, o debate público sobre o Pix pode ganhar novos contornos se surgirem propostas técnicas articuladas por atores do setor financeiro ou por instâncias governamentais. Monitoraremos evoluções e atualizaremos a cobertura caso haja documentos, estudos ou atos oficiais.
Fontes
- Canal TMC — Vídeo com declaração de Eduardo Bolsonaro — 2024-05-10
- Banco Central do Brasil — Comunicação sobre o Pix — 2020-11-16
- Reuters — Reportagem sobre infraestrutura de pagamentos no Brasil — 2024-04-20
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.
Veja mais
- Presidente do Senado diz que PEC sobre fim da escala 6×1 seguirá por comissões antes do plenário.
- Senador afirma que tarifa americana de 25% atingiria Lula; checagem do Noticioso360 não localizou anúncio oficial.
- TSE manteve inelegibilidade de Cláudio Castro até 2030; STF definirá se sucessão será direta ou indireta.



