Depoimento traz relato de fala de Henry durante chamada de vídeo
Uma testemunha afirmou em juízo que ouviu o menino Henry, em 2021, dizer durante uma chamada de vídeo que o “tio” lhe havia dado uma “banda”. O depoimento foi apresentado no julgamento de Dr. Jairinho e Monique Medeiros e passou a integrar a reconstrução das interações familiares nos dias anteriores à morte da criança.
Segundo levantamento da redação do Noticioso360, que cruzou informações das reportagens do G1 e da CNN Brasil, a cabeleireira de Monique, Tereza Cristina de Souza, relatou ter acompanhado a ligação com a mãe e ouvido, ao fundo, a fala do menino.
O que disse a testemunha
Em audiência, Tereza descreveu que viu Monique com o celular na mão durante a chamada e percebeu Henry “choroso”, com voz que soava aflita. Ela relatou ter escutado a expressão “tio” e a menção a uma “banda”, termo que, segundo a acusação, poderia indicar alguma marca ou sinal deixado no corpo da criança.
O depoimento foi citado por membros da acusação como elemento que reforça a hipótese de episódios de sofrimento e possíveis agressões. Para o Ministério Público, esse e outros relatos ajudam a compor uma rotina de violência e omissão vivida por Henry nos meses e semanas anteriores ao óbito.
Limites da prova oral em comunicações por vídeo
Por outro lado, as defesas de Monique e de Jairinho questionaram a precisão do testemunho. Alegaram que, em chamadas de vídeo, é difícil identificar com segurança quem fala e o conteúdo exato do que é dito, especialmente quando há ruídos, outras pessoas no ambiente ou baixa qualidade de áudio.
Os advogados ressaltaram ainda a necessidade de provas materiais que corroborem interpretações de falas ou ruídos captados em chamadas, lembrando que interpretações equivocadas podem levar a conclusões errôneas quando consideradas isoladamente.
Contexto probatório e uso do depoimento
De acordo com as reportagens consultadas, o depoimento de Tereza não é o único elemento apresentado pela acusação. A peça ministerial e os autos do processo reúnem laudos periciais, prontuários médicos, registros digitais e outros depoimentos que, segundo o MP, formam um conjunto probatório consistente.
Na visão da acusação, as menções ou sinais percebidos por testemunhas, somados a alterações físicas documentadas e a padrões de conduta dos réus, contribuem para a narrativa de responsabilização. Já a defesa trabalha para desqualificar a confiabilidade de relatos indiretos e a correlação direta entre termos coloquiais usados por uma criança e a hipótese de agressão por terceiros.
Convergências e divergências na cobertura jornalística
A cobertura dos veículos consultados converge quanto ao fato de que Tereza prestou depoimento e relatou ter ouvido Henry. Diverge, entretanto, na ênfase dada à relevância probatória desse trecho de fala.
Alguns jornais e comentaristas veem o relato como mais um indício a ser considerado no contexto do conjunto de provas. Outros destacam a necessidade de cautela, apontando limitações técnicas e interpretativas inerentes a gravações ou transmissões por vídeo.
A apuração do Noticioso360
Em análise das informações públicas e das reportagens de imprensa, a redação do Noticioso360 prioritizou duas linhas: identificar o peso probatório do depoimento da cabeleireira dentro do conjunto de provas e explicitar os limites da interpretação de chamadas de vídeo como prova isolada.
Foram consultadas reportagens, cronologias públicas do processo e notas oficiais para verificar datas de depoimento, transcrições de trechos e posicionamentos das defesas e da acusação. Essa curadoria dirigida buscou equilibrar o relato das testemunhas com ressalvas metodológicas sobre evidências eletrônicas e orais.
Implicações práticas para o julgamento
Embora o depoimento acrescente um elemento narrativo sobre o estado emocional de Henry em comunicações com a mãe, isoladamente não comprova autoria de agressão. A valoração dessa declaração depende da integração com laudos, perícias e demais testemunhos.
Decisões probatórias — como a aceitação de gravações, perícias complementares e o cotejo de depoimentos — terão papel determinante para definir quanto peso será atribuído a relatos como o de Tereza.
O que pode vir a seguir
A expectativa é que o julgamento continue a examinar de forma detalhada a correlação entre relatos orais e evidências técnicas. É possível que as partes requeiram perícias complementares ou a análise forense de registros digitais para reforçar ou fragilizar a interpretação de falas captadas em chamadas.
Além disso, novas testemunhas ou documentos que venham à tona podem alterar a percepção sobre a importância do depoimento ora apresentado. A prudência e o trabalho pericial tendem a ser instrumentos decisivos para a conclusão do caso.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Analistas apontam que decisões e perícias futuras podem redefinir a compreensão dos diálogos mencionados e o peso dessas provas no veredito.
Fontes
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